Argentina confirmou nova era e Brasil anseia por pulso de ferro

CraquesCraquesNotíciasDesportosFutebol1 semana atrás196 Visualizações

A retumbante vitória de albicelestes sobre canarinhos (4-1) nas qualificação para o Mundial’2026 mostrou diferentes realidades. Com o triunfo, a Argentina confirma uma nova era sem Messi e o Brasil anseia por pulso de ferro no banco.

A Argentina arrasou (4-1) o Brasil em novo SuperClássico no Monumental de Núñez, em Buenos Aires, e pôs a nu as fragilidades da seleção brasileira. Se por um lado, a Argentina confirmou uma nova era – sem a presença de Messi –, já o Brasil anseia por pulso de ferro no banco.

Com uma entrada muito forte, a formação de Scaloni já vencia por 2-0 aos 12 minutos e nem o golo de Matheus Cunha fez acordar o Brasil. Os canarinhos, de Dorival Júnior, foram goleados num estádio onde o Brasil não ganha… há quase 30 anos.

No primeiro SuperClássico que não contou com Messi nem Neymar, a seleção campeã do Mundo puxou dos galões e deu uma lição ao Brasil. Julián Alvarez, Enzo Fernández, MacAllister e Giuliano Simeone fizeram os golos albicelestes contra o golo solitário da canarinha.

Uma nova era à vista

O Craques.pt falou com Alejandro Panfil, jornalista do ‘La Nación’, que confirmou uma ideia unânime entre o povo argentino.

“Estamos a assistir a uma nova era no futebol argentino. Quando o Scaloni se tornou técnico interino, trabalhou vários meses com a equipa ainda sem o Messi. E vê-se agora que funciona muito bem”, atirou, acrescentando então: “Desde a Copa América 2019, em que fomos eliminados nas meias-finais, que ficou a sensação de que algo de grandioso estava a começar.”

Messi ainda vai ter de se decidir se participa no Mundial’2026 ou não mas a seleção argentina já mostra ser uma equipa sem o seu maior craque. “Provam que conseguem jogar sem Messi e há uma nova equipa capaz de chegar até 2030, mesmo que com algumas renovações pendentes, especialmente na defesa. Scaloni trouxe vários jovens para o grupo e crescem dentro da seleção”, explica Alejandro Panfil.

Laboratório para os próximos dois Mundiais

Garantido então o apuramento para o Mundial’2026 ainda com quatro desafios por disputar, Scaloni ganhou… tempo. “Vai começar agora o laboratório do selecionador para os próximos dois Mundiais”, avisa Panfil.

Na baliza, estão os experientes Dibu Martínez, Rulli e Benítez, todos com 32 anos e tanto o meio-campo como o ataque têm muita gente jovem a afirmar-se e a despontar. Só a defesa deverá merecer maior atenção. Mas só depois do Mundial’2026.

Romero, Enzo Fernández e Palacios são o presente e futuro da alviceleste

“O Otamendi (37 anos) acaba no Mundial e mesmo o Pezzella (33 anos) não sei se tem lugar garantido na competição. Ainda há o Tagliafico com 32 anos, por isso, o eixo e o lado esquerdo da defesa vão contar com novos craques”, disse. E apontou logo uma das entradas para o eixo da defesa: “Anselmino, que foi do Boca para o Chelsea, será com certeza uma das apostas”. Para se juntar a Romero, Foyth e Balerdi.

Não houve saudades mas todos o adoram

A ausência de Messi não foi discutida no Monumental. Principalmente porque a equipa anima o povo. “Todos desfrutaram por ter uma seleção que consegue dar uma resposta como esta, frente ao Brasil”, esclarece.

Ainda assim, Messi é Messi. “Claro! Ninguém mostrou saudades dele, mas todos o adoram e querem que ele jogue o próximo Mundial. Só o facto de ele decidir ir é muito importante para a equipa e até, mentalmente, para os adversários. Mas Messi já tem 37 anos, tem um Mundial de Clubes este verão em que será uma das principais figuras e precisa de se poupar para poder ir ao Mundial”, diz Panfil.

A melhor seleção argentina de sempre?

No final da partida, o argentino Rodrigo de Paul não se poupou nas palavras. “Somos a melhor seleção do Mundo dos últimos 5 anos e a melhor seleção que este país já teve”, afirmou o médio do Atlético de Madrid, referindo-se às duas Copa América e ao Mundial já conquistados.

Rodrigo De Paul afirmou que esta é a melhor seleção argentina de sempre

Será que a albiceleste repete a conquista do Mundial?

“Não sei se o vão reconquistar, mas é uma equipa que vai defender bem o título. Repetir a proeza é muito difícil, há muitas equipas fortes num Mundial e inúmeros obstáculos, muitos deles inesperados. Mas a equipa joga muito bem, ganha e dá confiança aos adeptos. Por que não?”, questiona o jornalista do ‘La Nación’.

Brasil anseia por técnico com pulso de ferro

“O Brasil não vive uma situação tão dramática desde 1990”. A afirmação é de António Carlos, jornalista brasileiro com quase 40 anos de experiência e atualmente a trabalhar na Rádio BandNews, depois de uma exibição para esquecer da seleção orientada por Dorival Junior.

E os problemas da canarinha parecem bem identificados. “Desde logo a questão do Vinicius Junior. Ele é um grande jogador, mas não é protagonista em nada na seleção. E parece sempre mais focado na questão do racismo e não tanto em jogar futebol. Atenção que o tema do racismo é importantíssimo, mas o Vinicius devia tomar uma atitude diferente em relação a isso”, explica. E que atitude? “Fazer, por exemplo, como fez um dia o Daniel Alves. Atiraram-lhe uma banana e ele comeu-a. Ele próprio ridicularizou o ato. E a partir daí nunca mais o chatearam com isso.”

Vinicius Junior discute com jogadores argentinos no SuperClássico

Outra das questões prende-se com a pouca coragem para apostar nos jovens talentos. Como Estêvão ou Endrick. “Falta apostar mais em jovens jogadores, até porque a equipa poderia sair a ganhar com isso. E eles ganhariam tarimba neste tipo de jogos”, reconhece.

“Falta um MacAllister no meio-campo do Brasil”

Outro problema centra-se na ausência de um pensador de jogo no meio-campo da canarinha. Frente à Argentina, Dorival apostou num duplo pivô constituído por André e Joelinton, com Matheus Cunha nas costas de Vinicius.

Mac Allister fez o terceiro golo dos albicelestes na partida e celebrou com Otamendi e Enzo Fernández

“Falta um MacAllister no meio-campo do Brasil, alguém que pense o jogo. O Bruno Guimarães não tem estaleca para isso. A solução poderia, eventualmente, passar pelo recuo do Neymar para 10”, aponta António Carlos.

Mas com Raphinha, Rodrygo, Endrick, Estêvão, Vinicius Junior e Neymar, quem é que fica de fora.

“Pois, daí ser necessário um treinador com pulso de ferro. Que coloque a jogar quem tem de jogar e que coloque no banco quem não tem condições. Mas tem de ser um treinador incontestável, e infelizmente o Dorival é demasiado boa pessoa para isso. Tem de ser alguém duro”, diz.

Dorival Júnior está a ser alvo de enorme contestação por parte do povo brasileiro

E, a propósito do tema, lembrou a equipa do Brasil de 70: “No Mundial’1970, todos questionavam o que o Zagallo ia fazer e ele pôs Gerson Jairzinho, Pelé, Tostão e Rivelino na mesma equipa. Eram todos camisas 10 nos respetivos clubes. E ainda ficava o Paulo César Lima, 10 do Botafogo, no banco. E todos jogaram e fizeram do Brasil campeão do Mundo.”

Caso de Raphinha: feitiço virou-se contra o feiticeiro

A picardia lançada por Raphinha antes do SuperClássico, numa conversa com Romário, antigo internacional brasileiro, também não terá sido a melhor forma de lançar o jogo. “Vamos dar porrada neles. No campo e, se for preciso, fora dele”, disse o extremo do Barcelona.

“Virou-se o feitiço contra o feiticeiro. Ele quis dar ‘uma de Romário’ e não foi a melhor ação, tendo em conta o momento em que vive a seleção brasileira. O Romário e o Edmundo tinham essa mania de espicaçar porque a seleção vivia outros tempos e eles depois chegavam ao jogo e davam sempre uma resposta à altura. Aqui acabou por funcionar contra o Brasil e os argentinos aproveitaram bem a situação”, atira.

Uma picardia que até mereceu resposta de Lionel Messi nas redes sociais.

Picardia de Raphinha não funcionou a favor da seleção brasileira

Portugueses candidatos à sucessão de Dorival Junior

Por fim, o reputado jornalista falou da contestação intensa que já existe à volta de Dorival Junior. “Já toda a gente pede a saída dele. E depois deste jogo, a pressão vai ser muito forte”, explica.

Quanto a possíveis sucessores, há, então, três nomes com reais possibilidades de serem convidados e dois são portugueses. “Entre Jorge Jesus, Abel Ferreira e Carlo Ancelotti, a federação tem de escolher de forma equilibrada”, refere, lembrando o estigma que os brasileiros ainda têm em relação a um treinador estrangeiro na seleção.

Jorge Jesus treina o Al Hilal e é apontado como sucessor de Dorival Júnior

“Ainda há pouco tempo todos diziam que não era preciso um treinador estrangeiro na seleção, mas a verdade é que olhamos e não vemos nenhum técnico brasileiro com reais possibilidades de assumir se o Dorival sair”, explica.

Abel Ferreira treina o Palmeiras e já disse que 2025 é o seu último ano no Brasil. Será?

“Tem de vir um técnico credenciado, com pulso de ferro, para operar uma revolução na seleção e, até, no futebol brasileiro. Só uma hecatombe afastaria o Brasil do próximo Mundial, mas acredito que queiram ter alguém renomado no Mundial. Vamos esperar para ver o que acontece nos próximos meses”, finaliza.

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