Dias de glória: A Bela (Guttmann) história do Benfica bicampeão europeu

Paulo RaimundoGrandes ConquistasLendas1 mês atrás233 Visualizações

Quando se fala na história do futebol europeu, poucos brilharam como o Benfica do início dos anos 1960. Bicampeão da Taça dos Campeões em 1961 e 1962, aquela equipa não só fez história, como moldou o futebol português moderno. Neste artigo, relembramos essas duas campanhas vitoriosas, celebramos os craques e revivemos as finais memoráveis. Pega num café e embarca conosco nesta viagem saudosista!

Bicampeão europeu na  era dourada do futebol

Nos anos 60, o futebol europeu evoluía a um ritmo alucinante, e o Benfica soube aproveitar o momento. Em 1961 e 1962, conquistou a Europa e colocou Portugal no mapa do futebol mundial.

No entanto, este Benfica não se limitava a ganhar – fazia-o com classe. O futebol ofensivo, a garra e a paixão da equipa encantavam adeptos de todas as cores. Num Portugal ainda pobre e sob ditadura, os relatos radiofónicos eram a janela para esse espetáculo inesquecível. Quem teve a sorte de ver essa equipa ao vivo ou na TV nunca mais esqueceu a sua magia.

Os Craques que deslumbraram a Europa

A saber: a magia do Benfica nesses anos não foi fruto de um momento único ou de uma estrela. Tratava-se sim, de uma máquina bem oleada, composta por jogadores talentosos e um espírito de entreajuda que não abunda em muitas equipas atuais. Vejamos algumas das figuras mais importantes desse plantel histórico:

José Águas

José Águas, um dos grandes avançados do seu tempo, foi peça-chave no ataque do Benfica nos anos 60. Com um posicionamento impecável e uma finalização letal, era o pesadelo das defesas adversárias. Os seus golos decidiram jogos difíceis e provaram a sua inteligência em campo. Ainda hoje, é uma lenda entre os benfiquistas.

Mário Coluna

Mário Coluna, o “Monstro Sagrado”, foi a alma do meio-campo do Benfica. Com visão de jogo, resistência e uma liderança incontestável, ditava o ritmo da equipa e ligava defesa e ataque com mestria. O seu impacto foi tão grande que continua a ser lembrado como um dos médios mais influentes da história do clube.

Eusébio

Mesmo no início da sua carreira, Eusébio já mostrava sinais de grandeza. Estreou-se na equipa principal em 1961-62, temporada do segundo título europeu, e rapidamente se tornou uma referência com a sua velocidade, técnica e instinto goleador. Apesar da juventude, tinha um talento quase sobrenatural para encontrar espaços e brilhar nos momentos certos. Para muitos, a sua chegada marcou o início de uma nova era no Benfica.

Os atores secundários do filme das suas vidas

Embora Águas, Coluna e Eusébio brilhem nas conversas sobre este Benfica histórico, o sucesso foi obra de toda a equipa. A solidez defensiva, a criatividade dos laterais e o esforço coletivo tornaram a equipa praticamente imbatível. Jogadores como Costa Pereira, Germano e António Simões continuam a ser nomes incontornáveis para qualquer benfiquista, prova de que este Benfica era muito mais do que a soma das suas estrelas.

Finais que marcaram a história

Ganhar é uma coisa, ficar para a história é outra. As campanhas europeias do Benfica ainda emocionam, mas são as finais que vivem nas conversas de café por todo o país. Mesmo quem não era nascido sabe de cor os feitos do Bicampeão Europeu. Relembremos essas duas finais que enchem de orgulho os benfiquistas.

A final de 1961: Taco-a-taco com o Barcelona

A final da Taça dos Campeões Europeus de 1961 foi um jogo eletrizante. O Benfica entrou determinado, mas foi o Barcelona a marcar primeiro, com Kocsis a fazer o 1-0 aos 21′. A resposta foi imediata: aos 31′, Águas empatou e, no minuto seguinte, um autogolo de Ramallets colocou os encarnados em vantagem.

Na segunda parte, o Benfica voltou com tudo e, aos 50′, Mário Coluna disparou um remate certeiro para o 3-1. O Barcelona ainda reduziu aos 75′, por Czibor, mas não conseguiu evitar a vitória encarnada por 3-2. O Benfica conquistava assim o seu primeiro título europeu, num jogo que provou a sua garra e qualidade.

Final de 1962: A batalha contra o Real Madrid  de Puskás

Depois da vitória do ano anterior, que muitos viam como uma exceção, o Benfica voltou à final da Taça dos Campeões em 1962, desta vez frente ao temido Real Madrid, a potência das primeiras edições.

O jogo começou de forma dramática: em apenas 6 minutos (17’ e 23’), a estrela Ferenc Puskás marcou dois golos, deixando os encarnados em desvantagem e os adeptos em pânico. Mas o Benfica reagiu rápido: José Águas e Cavém empatavam aos 25’ e 33’. Mesmo assim, Puskás não parava – aos 38’ completou o seu hat-trick, e o Real Madrid foi para o intervalo com uma vantagem de 3-2.

Na segunda parte, o Benfica voltou com tudo. Aos 50’, Mário Coluna empatava o jogo (3-3), acendendo a esperança. E foi o jovem Eusébio a selar o resultado final em apenas 5 minutos. O pantera Negra marcou aos 64′ e aos 69′, e fez do Benfica bicampeão europeu. Uma final repleta de reviravoltas que mostrou a garra e o talento da equipa.

O estilo de jogo: Uma sinfonia de ataque e talento

O que marcou o Benfica de 1960-61 e 1961-62 foi o seu estilo único de jogo. Num tempo de mudanças táticas, destacou-se pela mentalidade ofensiva e pela fluidez na transição de bola — trunfos raros na época.

Ênfase no futebol de ataque

A filosofia do Benfica era simples: o futebol deve ser divertido. Com transições rápidas, ataque agressivo e uma busca incessante pelo golo, a equipa combinava arte e eficácia. Sem medo de arriscar, impunha um ritmo que muitos adversários não conseguiam acompanhar.

Fluidez e criatividade no meio-campo

No coração desta filosofia ofensiva estava um meio-campo magistral, com Mário Coluna como maestro. Além de destruir jogadas adversárias, criava oportunidades com passes precisos e visão de jogo. A combinação de solidez defensiva e liberdade criativa permitia ao Benfica ditar o ritmo das partidas, algo que poucas equipas conseguiam travar ou imitar.

Disciplina tática aliada à espontaneidade

Embora o talento ofensivo fosse evidente, o Benfica mostrava também uma forte disciplina tática. O equilíbrio entre a defesa e o ataque era meticulosamente mantido. Os jogadores asseguravam que, ao mesmo tempo que avançavam no terreno, a defesa se mantinha organizada. Esta dualidade – combinar a liberdade criativa com a disciplina tática – é uma das razões pelas quais a equipa do Benfica bicampeão europeu foi tão eficaz em toda a década de 60.

A equipa conseguia manter os adversários na expetativa, uma vez que o seu jogo era imprevisível. A espontaneidade do ataque aliada a uma defesa forte e disciplinada, tornavam esta equipa não só excitante de ver, mas também extremamente resistente aos ataques adversários.

Béla Guttmann: O homem por detrás do mito 

Não podemos falar da época dourada do Benfica sem falar da figura carismática e polémica de Béla Guttmann. O treinador húngaro, que assumiu as rédeas do Benfica durante este período, é tão lendário quanto a própria equipa.

Um tático revolucionário

Ou seja, Béla Guttmann chegou ao Benfica com muita experiência e uma visão revolucionária do jogo. Conhecido pelas suas táticas inovadoras e pela capacidade de motivar os jogadores, Guttmann sabia tirar o melhor proveito do seu plantel. Ele acreditava no futebol ofensivo e defendia um estilo de jogo rápido e em contra-ataque. Os seus métodos eram avançados para a época, combinando rigor tático com liberdade criativa.

A maldição e o mito 

No entanto, mais famosa que a sua astúcia tática é a lenda da ‘maldição’ de Guttmann sobre o Benfica. Após vencer a Taça dos Campeões Europeus de 1961-62, uma disputa salarial azedou a relação, e ele supostamente declarou que o Benfica não ganharia outra taça em 100 anos. Verdade ou não, essa saída dramática faz parte cultura popular do clube, acrescentando mais mística à sua história. Certo é que desde então o Benfica já disputou mais 8 finais europeias e não venceu nenhuma.    

Bicampeão Europeu: Um símbolo do orgulho português 

Para muitos, os triunfos do Benfica bicampeão europeu simbolizam o melhor do futebol português. O sucesso do Benfica bicampeão europeu ajudou a preparar o caminho para as gerações futuras de jogadores e clubes portugueses no palco europeu. Esta equipa lendária pavimentou o caminho para o sucesso de outras equipas nacionais como o Sporting de 64 (Vencedor da Taça das Taças), bem como, o FC Porto de 87 (campeão europeu em Viena) .

A equipa que ousou sonhar em grande 

As conquistas europeias do Benfica em 1961 e 1962 são uma história de paixão, inovação e superação. Com José Águas, Mário Coluna, Eusébio e Béla Guttmann, a equipa não só encantou adeptos, mas também redefiniu o futebol europeu.

Além dissso, os seus jogos memoráveis – contra gigantes como o Barcelona e o Real Madrid – ficaram gravados na história como exemplos brilhantes de futebol ofensivo, engenho tático, mas também de pura vontade de vencer. Também provaram que dentro de campo, a mentalidade certa supera qualquer constelação de estrelas.

Hoje, as histórias do Benfica bicampeão europeu inspiram não só os adeptos encarnados, mas também adeptos de todo o mundo. Quer se trate de discussões de café sobre a infame maldição de Guttmann ou da admiração pelo estilo de jogo da equipa, o espírito da equipa que ousou sonhar continua muito vivo.

Um comentário

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  • Manuel

    Fevereiro 18, 2025 / at 2:30 pmResponder

    Ótimo Artigo!

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