Luís Figo é, sem dúvida, uma das maiores lendas do futebol português. A sua carreira, recheada de feitos históricos, atingiu um dos pontos altos, quando conquistou a tão desejada Bola de Ouro 2000. Mas o que torna esta conquista tão especial? Bem, foi mais do que o reconhecimento de um talento extraordinário – foi o reflexo de um trabalho árduo, uma dedicação incansável e uma caminhada que o levou de Lisboa a Milão, passando por Barcelona e Madrid.
Mesmo sem títulos coletivos importantes no ano de 2000, Figo provou que o seu impacto no futebol europeu não podia ser negado. Hoje no craques.pt, vamos homenagear este grande jogador. Vamos relembrar o seu trajecto e os momentos que o marcaram. E, claro, vamos abordar o que representou a sua vitória na Bola de Ouro, um feito que continua a inspirar gerações de jogadores portugueses.
Aqui no craques.pt ainda nos lembramos da picardia lançada aos sportinguistas no início da década de 90. Perguntava-se em tom de gozo “Qual é o pior mercado de Portugal?“. A pergunta era de imediato respondida com “O Sporting! Só tem um Figo, um Peixe e meia dúzia de nabos“. Ora, essa piada não envelheceu nada bem, já que esse mesmo Figo ganharia o Balon d’Or no início da década seguinte.
Nascido em Lisboa em 1972, Figo iniciou-se no futebol no Pastilhas, um clube da Cova da Piedade. No entanto, aos 12 anos, transferiu-se para o Sporting Clube de Portugal, onde, desde cedo, se destacou em todas as camadas jovens. Como resultado, acabou por se afirmar na equipa principal. Assim, foi no Sporting que deu os primeiros passos rumo a uma carreira internacional de grande sucesso.
Em 1995, Figo mudou-se para o Barcelona, onde rapidamente se tornaria uma verdadeira lenda. A sua habilidade, visão de jogo e capacidade de decidir jogos destacaram-no como um dos melhores jogadores do mundo. Durante os anos no clube, conquistou títulos importantes, como a Taça das Taças, a Liga Espanhola e a Taça do Rei. Assim, a sua popularidade e sucesso na Catalunha não passaram despercebidos, e o seu nome começou a ser associado aos melhores clubes europeus.
No entanto, em 2000, Figo fez uma das transferências mais polémicas da história do futebol, trocando o Barcelona pelo arquirrival Real Madrid por uma quantia recorde na altura. A sua mudança para os “Galácticos” foi vista como uma jogada audaciosa e altamente controversa, mas Figo continuou a brilhar. No Real Madrid, continuou a coleccionar títulos, incluindo a Liga dos Campeões da UEFA e vários campeonatos espanhóis.
Figo teve também uma carreira internacional memorável com a seleção portuguesa. Com 127 internacionalizações, foi peça-chave em vários torneios, como o Campeonato da Europa e a Copa do Mundo. A sua contribuição foi crucial para o crescimento do futebol português, culminando no segundo lugar no Euro 2004, onde a seleção chegou à final, mas perdeu para a Grécia.
Após um percurso brilhante, Figo encerrou a sua trajetória no Internazionale de Milão, onde continuou a exibir o seu talento até se retirar do futebol profissional em 2009. Com um palmarés recheado de conquistas, Figo deixou um legado impressionante no futebol mundial.
Figo já era uma estrela no futebol europeu, mas o ano de 2000 foi especialmente marcante na sua carreira. Até julho desse ano, jogava no Barcelona, onde teve um papel crucial em várias conquistas. No entanto, a sua mudança para o Real Madrid tornou-se um dos momentos mais controversos da história do futebol.
A transferência, que custou cerca de 60M de euros ao câmbio atual (com a moeda entrando em circulação no ano seguinte), foi vista como uma verdadeira “traição” pelos adeptos catalães. Quem não se lembra da cabeça de porco atirada para o campo ou dos gritos de “Pesetero! Pesetero!” sempre que tocava na bola? Contudo, Figo soube responder à altura, mantendo a sua qualidade em campo.
Essa mudança não foi apenas de clube, mas também de mentalidade. Figo fez parte da geração dos “galáticos”, a equipa do Real Madrid que, além dele, iria incluir nomes como Zidane, Beckham, Ronaldo “Fenómeno” e Roberto Carlos. Foi nesse ambiente de estrelas que Luís Figo brilhou nesses anos e nos seguintes.
O prémio da France Football, a Bola de Ouro 2000, foi o reconhecimento máximo do seu desempenho excecional, tanto a nível individual como coletivo.
A conquista da Bola de Ouro 2000 não foi fácil. O francês Zinedine Zidane era o principal concorrente de Figo. “Zizou”, que também teve uma temporada brilhante pela Juventus, ficou em segundo lugar, a 16 pontos de Figo. No entanto, a vitória de Figo sobre Zidane na votação da France Football teve um sabor especial. Porquê, perguntas tu? Porque, poucos dias antes, Zidane havia vencido o prémio mundial de “Jogador do Ano” atribuído pela FIFA.
O facto do Figo ter sido considerado o melhor jogador da Europa, enquanto Zidane foi reconhecido mundialmente, levantou algumas questões sobre a preponderância de Portugal na hierarquia da FIFA.
Para muitos, a vitória de Figo provou que, mesmo sem títulos coletivos importantes em 2000, como a Liga dos Campeões ou o Campeonato Espanhol (o Real madrid não venceu nenhum deles), a sua performance individual foi incontestável e, por isso, merecidamente reconhecida. Curiosamente, Figo arrecadou o prémio “Jogador do Ano” FIFA no ano seguinte.
A distinção da France Football foi um reconhecimento não só da sua habilidade técnica, mas também da sua consistência e rendimento ao longo do ano. Mesmo sem ter conquistado títulos coletivos em 2000, Figo manteve-se a figura de proa tanto no Barcelona quanto no Real Madrid. A sua visão de jogo, capacidade de driblar e precisão nos passes fizeram dele um dos melhores jogadores do mundo, o que justificou o reconhecimento.
Em 2000, quando CR7 ainda nem sonhava com as suas Bolas de Ouro, Figo uniu-se a um grupo restrito de futebolistas que conquistaram a Bola de Ouro. A sua vitória colocou-o ao lado de gigantes do futebol mundial, como Johan Cruyff, Michel Platini, Marco Van Basten e Franz Beckenbauer. A título de curiosidade, Maradona também foi premiado em 1995, mas foi um prémio honorífico, e não referente à temporada — basicamente, um prémio carreira — uma vez que, durante a sua carreira ativa, não era elegível para o prémio.
O ano 2000 foi de contrastes para Figo. Por um lado, o prémio da France Football trouxe-lhe reconhecimento absoluto, mas, por outro, a temporada 99/00 foi marcada por desaires nos torneios coletivos. O Real Madrid ficou em segundo lugar na Liga Espanhola, e Figo viu-se eliminado nas meias finais da Liga dos Campeões e do Europeu com Portugal. Além disso, o seu clube perdeu a Supertaça Europeia para o Galatasaray e a Taça Intercontinental para o Boca Juniors.
Ainda assim, a sua vitória na Bola de Ouro consagrou o seu esforço individual. Figo, com classe e talento, foi a principal estrela do futebol europeu apesar do fraco desempenho da sua equipa. A distinção confirmou o seu estatuto como um dos melhores jogadores da sua geração.
A Bola de Ouro 2000 foi, sem dúvida, um dos marcos mais importantes na carreira de Luís Figo. Foi o reflexo não só do seu talento, mas também do esforço e trabalho árduo que colocou em cada passo da sua carreira até aquele momento.
De Lisboa a Barcelona, passando por Madrid, o Figo representou o melhor do futebol português. Ele deixou uma herança que, ainda hoje (na era de CR7), inspira todos os jogadores portugueses. A Bola de Ouro 2000 continua a ser lembrada como um dos maiores feitos do futebol nacional.
Figo não só colocou Portugal de volta no mapa do futebol mundial, como também abriu caminho para outras estrelas, como Cristiano Ronaldo. O seu triunfo em 2000 foi apenas o início de uma era de sucesso para o futebol português, e a sua Bola de Ouro será sempre um símbolo da excelência do futebol nacional.
O Figo mostrou-nos que, com trabalho, talento e determinação, os sonhos podem ser alcançados. E, sem dúvida, o futebol português tem muito a agradecer a Luís Figo, uma lenda, um craque que conquistou o mundo sem os títulos coletivos a acompanhar.