A Gala do Gaiense proporcionou uma passagem de testemunho entre dois treinadores de diferentes gerações. Marco Silva recebeu o Prémio de Treinador do Ano e recebeu o troféu das mãos de Carlos Queiroz. O antigo selecionador nacional elogia o “príncipe Marco Silva” pelo trabalho desenvolvido em Inglaterra, nomeadamente ao serviço do Fulham.
“O Marco Silva emana aquilo que tem sido o legado técnico do futebol português nos últimos anos que se tem expressado ao mais alto nível com uma excelência que há anos não era expectável”.
Sublinhando que o técnico português, de 47 anos, faz parte de uma “uma dinastia de príncipes brilhantes no plano nacional e internacional que tem elevado o prestígio de Portugal” e por isso merecendo “o reconhecimento de todos”.
“Trabalhei alguns anos em Inglaterra e passei por essa experiência. Em Portugal não temos bem a consciência do mérito daqueles que partem e resolvem continuar as suas carreiras no estrangeiro. O êxito e sucesso que o Marco tem vindo a alcançar merece o aplauso de todos nós”, confessa Carlos Queiroz.
Queiroz concluiu enaltecendo o crescimento que o futebol nacional tem conhecido. “O que o futebol tem feito para o País, para os jovens, para a sociedade, tem excedido todos os melhores sonhos que alguma vez poderíamos ter imaginado. Faço votos para que essa extensão de excelência do futebol possa ser feita em todas as áreas da sociedade portuguesa. Seriamos, de certeza um País, mais rico e mais sólido”, finaliza.
Numa gala de um jornal regional, onde muitos dos convidados eram precisamente jogadores e treinadores dos escalões não profissionais, Marco Silva quis então fazer essa homenagem aos muitos “desconhecidos” que não abandonam a sua “paixão”.
“É no futebol regional e distrital que tudo começa para quase todos nós. Como futebolistas ou depois como treinadores, é ali que começamos a moldar o nosso caráter, a nossa personalidade e a nossa resiliência. Ali sim temos de ser muito, muito resilientes”, sublinhou o treinador que já leva 200 jogos na Premier League.
E acrescentou: “Nunca desistam, porque há sempre uma forma de lá chegar. Há sempre um princípio e esse princípio em muitos momentos é o futebol distrital, o futebol regional.”
O “príncipe Marco Silva”, como lhe chama Queiroz, fez ainda questão de partilhar o prémio “com todos os jogadores” com quem trabalhou “porque sem eles seria impossível”.
“Podemos tentar sempre fazer tudo bem, mas se não tivermos quem execute lá dentro é impossível. Partilhar com eles e com a minha equipa técnica. Não apenas a atual, mas com os que trabalharam comigo e já enveredaram pela carreira de treinador principal”, concluiu.