Domingo, 24 de março de 2025 foi um dia de emoções em Espinho. A receção do histórico Sporting local ao Florgrade FC prometia ser um duelo intenso. Ou não se tratasse do jogo entre o 3º classificado e o líder da 1ª Divisão da AF de Aveiro. O empate (3-3) deixou o Sp. Espinho já a uma distância considerável da equipa da cortiça. E porquê cortiça?
Florgrade é uma empresa sediada em Santa Maria da Feira, ligada ao ramo da cortiça e que é a percussora de um negócio que já vem de longe. “Era o negócio dos meus avós e bisavós, bem como dos familiares da minha mulher, Patrícia Couto. Produzimos rolhas de cortiça para whiskies e vinhos”, contou Zé Carlos, fundador da equipa de futebol, ao craques.pt.
Mas Zé Carlos tem outras paixões. E foi por isso que criou a equipa do Florgrade FC em 2014, inicialmente para jogar futebol de sete. “Depois de ganharmos tudo o que havia para ganhar no futebol de sete, criámos então a equipa de futebol de 11 em 2019. No futebol de 7 participámos em ligas empresariais e mini-football e fomos cinco vezes campeões portugueses, tricampeões ibéricos e vice-campeões da Europa”, contou o proprietário e jogador do Florgrade FC.
Por contar com vários elementos “com experiência no futebol federado”, a aposta foi lançar então uma equipa na 2ª divisão distrital de Aveiro. “Gerir a empresa e o clube? É fácil. Eu faço de tudo aqui, integro o plantel e vou ao banco quando sou convocado. Quando não sou, vou como delegado de jogo e também ajudou a tratar da rouparia, se necessário. Para a gestão do futebol, é tudo pensado por mim”, assume o cérebro do Florgrade.
Mas depois tem uma equipa que executa. “O meu pai, Zé Carlos, foi presidente do U. Lamas quando estavam na 2ª Liga. O meu tio, Vítor Bernardes, foi dirigente do Lusitânia Lourosa e eu também cheguei a ser. Cérebro? Não é exagerado se me considerarem isso no clube porque é mesmo assim”, explica.
Depois de arrancar no futebol de 11 em 2019, o Florgrade viu, então, o campeonato ser interrompido nas duas primeiras épocas devido ao Covid. Mas na segunda subiu à 1ª Distrital de Aveiro e alcançou o 4º lugar. Na época seguinte subiu ao Campeonato de Portugal mas viria a descer na época seguinte.
“Costumo dizer que a época passada foi uma aprendizagem para todos nós. Porque as coisas não foram preparadas da melhor maneira. Mas se subirmos esta época, na próxima já nos vamos preparar de outra forma para podermos dar uma boa resposta”, garante Zé Carlos.
O espírito que o dono do clube tem implementado vai, então, ao encontro dos valores familiares que lhe foram transmitidos, segundo diz o próprio. “Queremos mostrar a todos os bons princípios do clube: receber bem os adversários, fazer um jogo positivo e partilhar todo este espírito familiar com quem gosta do Florgrade FC”, confessa quem diz ter ainda muito por fazer. Nomeadamente construir um estádio.
A ligação que o Florgrade FC tem com os adeptos é especial, devido à forma como Zé Carlos quer que o clube se comporte. “Recebemos toda a gente da melhor maneira. Temos o hábito de dar pão-de-ló ao intervalo aos adeptos e vemos muitas crianças no campo a torcer por nós. Tenho toda a família envolvida nos dias de jogo para que não falte nada a ninguém”, conta Zé Carlos.
Mas a cortiça já serviu, então, para fazer lembranças e inclusivamente “equipamentos feitos com rolhas de cortiça.”
O Florgrade FC lidera, então, a 1ª Divisão da AF Aveiro, com 70 pontos, mais um do que a Ovarense e oito do que o Sp. Espinho. “Sinceramente, parece-me que será agora uma luta a dois. O Sp. Espinho já está a 8 pontos de nós, exatamente os pontos que perdemos até agora no campeonato. Daqui a 3 semanas recebemos a Ovarense. Venham até cá e comem o nosso pão-de-ló (risos)”, explica Zé Carlos.
“Ambição? Não tem limites. Temos o objetivo de construir o estádio e, para isso, contamos com o apoio da Câmara Municipal de Ovar e outras entidades. Trabalhamos diretamente com o FC Cortegaça na questão da formação mas interessa-nos então cumprir com tudo e com todos. Este clube deixa-me orgulhoso todos os dias”, atira o veterano médio-centro, de 41 anos.
Por fim, Zé Carlos não deixou de mostrar o orgulho que tem nos filhos. “O meu filho de 9 anos chama-se Leonardo e tenho ainda uma filha bébé, a Noah. O Leonardo joga ténis. Futebol? Só joga na escola. Já lhe disse que um dia vou vender tudo isto aos árabes e ele já me disse que não. “, explica, para desvendar logo depois: “Ele diz que quer ser presidente do Florgrade quando tiver 18 anos (risos)”.