“Tive de ouvir bocas depois da vitória da Dinamarca frente a Portugal. Faz parte.” Foi desta forma forma que Pedro Ganchas, central dos dinamarqueses do Silkeborg, relatou o dia pós-jogo da 1ª mão dos quartos-de-final da Liga das Nações.
Mas a confiança no apuramento da Seleção Nacional não esmoreceu. “Pensei que Portugal ia construir um resultado confortável aqui e não aconteceu. Mas de forma pacata até porque eles sabem que há um segundo jogo em Portugal. Até relevaram mais o que Portugal não conseguiu fazer do que o próprio resultado”, explicou.
Quanto a apostas para o resultado de hoje, não tem dúvidas. “Vamos ganhar 3-1 em Alvalade. Golos de Ronaldo, Jota e Vitinha. Temos de acreditar que aquele jogo foi num dia não da nossa Seleção e, em condições normais, temos mais do que capacidade para virar o resultado em casa. Assim o espero”, disse, acrescentando que os dinamarqueses “não acompanham o futebol português”, pelo que “têm pouca ou nenhuma noção do impacto que Hjulmand está a ter no Sporting”.
Pedro Ganchas admite que a Liga dinamarquesa também não fazia parte das suas preferências, mas considera estar a viver uma aventura “surpreendente.”
Pedro Ganchas ainda representou o Paços de Ferreira na Liga Portugal mas foi na 2ª Liga que se revelou importante para os castores. Após uma época em plano de evidência na Capital do Móvel, sair de Portugal era uma ambição. Até que apareceu o Silkeborg.
“Eu queria emigrar, mas, quando surgiu o Silkeborg, não tinha muitas referências sobre o clube e o país. Houve mais situações em cima da mesa e o Paços disse-me que queria ter retorno financeiro. Fui um pouco ao desconhecido, mas fiquei surpreendido pelo clube e pelo campeonato”, diz, acrescentando: “Há muito público nas bancadas, é um futebol intenso, aberto, com muitos duelos físicos, mas adaptei-me bem. Mesmo tecnicamente foi uma surpresa.”
E a aposta tem-se revelado certeira. “Fui totalista nos 25 jogos até à paragem de inverno. Correu-me bem individualmente. Pena que não tenhamos ficado nos 6 primeiros, um objetivo que falhámos por diferença de golos [mesmos pontos do que o Brondby]. Mas estamos nas meias-finais da Taça, onde vamos defrontar o Brondby. O Silkeborg ganhou a Taça na época passada e queremos repetir o feito”, explica.
Sendo uma pessoa com objetivos bem definidos, Pedro Ganchas não quer dar um passo maior do que a perna. Ainda assim, ambição nunca deve faltar. “Cada coisa acontece no seu tempo e, neste momento, estou focado na reta final do campeonato e em tentar ganhar a Taça da Dinamarca. O Silkeborg tem crescido bastante como clube nos últimos anos e vejo esta experiência como uma aprendizagem para poder depois dar um salto em frente”, admite.
E o salto seria para onde? “Não digo que uma mudança interna não me agradasse. Porque um clube com outra dimensão poderia dar outro tipo de condições financeiras e desportivas. Também não fecho as portas a Portugal mas, se possível, gostaria um dia de experimentar uma Liga dos Big Five”, explica o defesa ao Craques.pt.
Silkeborg é uma cidade industrial – eletrónica, metalomecânica, têxtil e madeira – e fica a 300 quilómetros de Copenhaga, capital da Dinamarca.
“Nos primeiros meses estive cá sozinho, a minha namorada conseguiu depois organizar a sua vida profissional e trabalhar daqui. Desta forma, agora vive comigo”, conta Ganchas.
Na Dinamarca, o futebolista português já viveu algumas histórias curiosas. “O conceito gastronómico é muito diferente do de Portugal. Colocam imensa gordura na comida, porque depois queimam-na com o frio intenso que se faz sentir. Mas das primeiras vezes que fui comer, nem sabia por onde começar (risos)…”
Outra aventura foi vivida no estágio de pré-temporada. “Fomos para os Países Baixos e quando estávamos a regressar, o voo foi cancelado. Passámos a noite toda no aeroporto porque nos garantiram que tínhamos um voo às 6h da manhã do dia seguinte. Quando chegou a hora, disseram-nos que não era possível. Resultado: tivemos de ir de autocarro para a Alemanha e depois o nosso autocarro do clube foi-nos lá buscar para irmos para casa. Foram 15 horas de viagem em autocarros…”