Aos 39 anos, Catarina Campos é a nova sensação da arbitragem portuguesa, depois de ter sido nomeada pelo novo Conselho de Arbitragem da FPF para apitar o Casa Pia-Rio Ave, partida da 27ª jornada da Liga portuguesa de futebol masculino.
Natural de Viseu, mas filiada na AF Lisboa, Catarina Campos já havia arbitrado um jogo profissional masculino. Neste caso, tratou-se do P. Ferreira-Feirense, da Liga Sabseg, a 15 de fevereiro e esta quinta-feira apitará o Chelsea-Man. City, da 2.ª mão dos ‘quartos’ da Champions feminina.
Para perceber a evolução de Catarina Campos, o Craques falou com o ex-árbitro Pedro Henriques que, apesar de ter terminado a carreira em 2010, ainda treinou no mesmo Centro de Rendimento que a árbitra, a quem perspetiva um enorme sucesso.
“Lembro-me bem dela quando estava a dar os primeiros passos. Trabalhámos ainda no mesmo centro de treinos. A Catarina é uma das pessoas que sempre se focou em ter sucesso na arbitragem. Trabalha muito em termos físicos e é muito estudiosa. Hoje está num Casa Pia-Rio Ave e vai evoluir muito. Não acho descabido vermos uma mulher a arbitrar um clássico no futuro. Se não for a Catarina, serão outras ‘Catarinas’”, atirou Pedro Henriques.
Por conhecer bem a nova sensação da arbitragem portuguesa, Pedro Henriques explica que Catarina Campos tem um perfil semelhante ao de alguns ex-árbitros masculinos portugueses.
“Quando tiramos o curso de árbitro, percebemos logo se vamos ou não vamos ter sucesso nisto. E a Catarina esteve sempre muito focada no seu objetivo, com um comportamento muito semelhante ao meu, ao de Pedro Proença ou Duarte Gomes. Todos queríamos ter sucesso neste campo e ela também é assim”, diz.
E faz questão de indicar a razão pela qual foi nomeada para este jogo. “A Catarina tem feito uma carreira no futebol feminino que lhe permitiu chegar a internacional e, tendo chegado a este patamar, foi nomeada por um Conselho de Arbitragem que prometeu e vai revolucionar a arbitragem em Portugal”, explica.
A notícia da nomeação de Catarina Campos gerou muita conversa à volta do tema mas Pedro Henriques gostaria que, no futuro, este tipo de acontecimentos já nem fosse tema. “Espero que daqui a 20 anos o facto de vermos uma mulher a arbitrar um jogo profissional masculino em Portugal seja uma normalidade”, confessa.
“Atenção que o que acontecer de bom ou menos bom no jogo não terá influência nenhuma na questão da classificação final da época dos árbitros. Ela não vai tirar o lugar a nenhum árbitro masculino”, alerta, prosseguindo depois: “Mas o que este Conselho de Arbitragem está a fazer é criar a oportunidade para a Catarina aparecer, menos de um mês após ter tomado posse”, acrescenta.
Já quanto à entrega da árbitra, essa é inegável. “A Catarina é obstinada, trabalha muito e quis tirar o curso de treinador de I nível para perceber melhor o jogo. Dessa forma também será melhor árbitra”, indicando em seguida uma norma que deveria ser instituída pelo novo CA: “Todos os árbitros que apitam no futebol profissional deviam ter, pelo menos, o I nível de treinador de futebol. Porque estavam mais bem preparados para a sua função.”
Pedro Henriques arbitrou entre 1990 e 2010, mas, apesar de já ter terminado a carreira há 15 anos, continua a ser um apaixonado pela arbitragem e está a par da revolução que o novo Conselho de Arbitragem (CA) da FPF pretende fazer no futebol português.
“Se vier a cumprir os três mandatos, ou seja, 12 anos, podem perspetivar o trabalho a uma década, o que é óptimo. Mas se o anterior CA da FPF andou a maquilhar muitas coisas, entre as quais a profissionalização dos árbitros, esta direção tem um programa bem definido e, com o novo Diretor Técnico da Arbitragem, que entra a 1 de junho, estou convencido de que vai mesmo acontecer”, explica Pedro Henriques.
Pedro Henriques dirige os seus maiores elogios a Pedro Proença, novo presidente da FPF, e Luciano Gonçalves, presidente do novo CA, mas também destaca os papéis de Luís Estrela e Nuno Almeida.
“Acredito que daqui a 10 anos teremos todos os árbitros profissionalizados e terá dobrado o leque de árbitros à disposição em Portugal. Passaremos de 4 mil para 8 mil árbitros e isso só será benéfico para o setor, que dará, assim, um pulo gigante”, concluiu.