De regresso aos palcos após paragem prolongada devido a lesão – deslocamento da retina na sequência do combate com Daniel Lapin, em Riade (Arábia Saudita) – Octávio Pudivitr precisava de pontuar para subir no ranking. Pudivitr fez uma deslocação relâmpago à América do Sul para testar a sua forma antes dos próximos desafios mais intensos. Mauricio Bernal foi, assim, o primeiro opositor num combate que Pudivitr venceu sem dificuldades, derrubando o adversário por KO técnico ao segundo assalto.
O pugilista natural de Moçambique, mas naturalizado em Portugal e residente no Porto, já tem em agenda a disputa do Cinturão do Mundo Hispano. O combate irá realizar-se na Matosinhos Fight Night, no dia 25 de abril. Pudivitr medirá forças com o venezuelano Gregorio Jose Marcano, de 25 anos, com carreira iniciada em 2018 e 24 combates disputados.
Já Pudivitr conta até agora com 12 combates, somando dez vitórias (cinco por KO) e duas derrotas (uma por KO e outra por pontos). Antes de Matosinhos, o pugilista ainda equaciona a possibilidade de fazer um novo combate, não só para manter a forma, mas também para continuar a sua progressão no ranking da modalidade.
Conhecido por ‘pequeno Mike Tyson’, e depois de algumas incursões noutras modalidades de combate, como o Jiu-Jitsu, Pudivitr fixou-se há seis anos no boxe, conseguindo rapidamente a afirmação neste desporto, contando já com a conquista dos títulos mundiais da UBO (Universal Boxing Organization) e WBU (União Mundial de Boxe).
Natural de Moçambique, Octávio Pudivitr mudou-se para Portugal aos 11 anos. Veio com o irmão para estudar num colégio interno, mas as coisas não foram fáceis. “Desde muito cedo que tinha tudo… para dar errado”, admitiu recentemente numa palestra para jovens estudantes do IDS, em Lisboa, recordando que, por vezes, as amizades podem influenciar… para o caminho errante.
Mas como “o esforço recompensa” e sempre se recusou a baixar os braços perante a adversidade, Pudivitr deixou o boxe entrar na vida dele numa altura familiar complicada, quando um dos filhos lutava contra uma doença grave e após o falecimento do pai. “Funcionou como uma terapia”. E quando já achava que não conseguiria cumprir alguns sonhos de infância, eis que aos 36 anos o Sporting CP lhe propôs contrato: “É a prova de que não existe um tempo certo para conseguir as coisas, mas que temos de lutar por elas”.
“O meu primeiro combate foi o mais difícil porque não sabia se estava preparado, mas também porque senti que aquele combate mudou muitas coisas na minha vida”, admitiu recentemente, recordando também um dos mais duros que teve, em Riade onde disputou um título mundial na WBA, chegando “onde nenhum português conseguira chegar”, e aí caiu com estrondo… ao primeiro golpe, com uma deslocação da retina que o impediu de continuar: “Essa derrota foi como um trovão. Só pensava nas dificuldades que tive para ali chegar e de como depois de ter chegado ao ponto mais alto… estava a cair a pique. Aí achei que era o fim de um ciclo e que já não conseguia voltar”.
Tenho a sensação de que este ano de 2025 ainda vai ser melhor que os anos anteriores. Acredito que vem aí muita coisa boa a caminho e a tendência é ser cada vez melhor
Octávio Pudivitr
Mas encontrou forças para se erguer de novo. “Achei que estava no meu limite, mas agora tenho a sensação de que este ano de 2025 ainda vai ser melhor que os anos transatos. Temos algumas coisas fechadas, mais do que nos últimos três ou quatro anos por esta altura, por isso acredito que vem aí muita coisa boa a caminho e a tendência é ser cada vez melhor. Enquanto houver força da minha parte, enquanto houver energia vou estar sempre aqui em alto nível.”