Mais Atletismo – Opinião de Domingos Castro

Appeldoorn, Países Baixos, 9 de março de 2025.

Um dia feliz, provavelmente um dos mais felizes nas carreiras de vários jovens atletas de alta competição.

Nesta data, a Seleção Portuguesa de Atletismo conquista a melhor participação de sempre em Campeonatos Europeus de Pista Coberta, com quatro medalhas e dez lugares de finalista e ainda com atletas presentes em nove finais nas 12 disciplinas em que participámos.

E pela primeira vez uma atleta, a Salomé Afonso, obteve o inédito feito de conquistar duas medalhas na mesma competição. Conquistou a prata nos 1500 metros e bronze nos 3000. Juntaram-se ainda o bronze nos 1500 metros do Isaac e o bronze da Auriol no lançamento do peso. Um dia feliz para Portugal.

Como o foi, também, a medalha de bronze da Patrícia nos 800 metros, conquistada duas semanas depois, nos mundiais de pista curta, em Nanjing na China. Fiquei contente por ela, pela linda família que tem, pelo apoio que lhe dão e que não a deixam desistir dos seus sonhos. Assim como fiquei orgulhoso da Jéssica – medalha de ouro no lançamento do peso – e da Liliana – prata no lançamento do disco – na Taça da Europa de Lançamentos.

Quando regressava dos Países Baixos para Lisboa, após os Campeonatos da Europa, dou comigo a pensar como atualmente as coisas são tremendamente diferentes do meu tempo de atleta. O centro de alto rendimento que nos acolheu em Appeldoorn, as instalações onde decorreram as provas – um moderno complexo multi-desportivo com capacidade para provas de atletismo, ciclismo e outras modalidades de pavilhão – enfim, toda a organização, permitiu-nos ver como no nosso País ainda temos de lutar muito, percorrer muito caminho até conseguirmos idênticas condições para os nossos atletas.

Matéria humana nós temos. Os resultados recentes conseguidos nos europeus e mundial de pista curta, na Taça dos Clubes Campeões Europeus de Corta-Mato ou na Taça da Europa de Lançamentos, para citar só alguns exemplos, comprovam que há uma nova geração de talentos a despontar com condições para fazer com que todos os portugueses se orgulhem deles. O que falta para conseguirem ombrear com os melhores do mundo? Essa é a parte que me levou ao desafio de encabeçar a liderança da FPA.

Precisamos que todos, de uma vez por todas, olhem para a modalidade que mais praticantes tem em Portugal. Temos de perceber que, ou corremos todos para o mesmo lado, em prol dos mesmos objetivos, ou então nunca conseguiremos, nas fases decisivas, ultrapassar aquele milésimo de segundo que pode fazer toda a diferença. E isso consegue-se com meios, com infraestruturas, com condições para os atletas se poderem dedicar apenas e só ao que mais gostam de fazer.

Cabe à federação dar-lhes esses meios? Sim, claro que sim. Mas cabe a todos o empenho para que a federação consiga ter acesso a esses meios.

Estamos cá para lutar por isso!

Um comentário

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  • Jorge Gonçalves

    Abril 3, 2025 / at 2:00 pmResponder

    Ser dirigente e sobretudo presidente de uma federação é isso mesmo arranjar ferramentes e mecanismos para que os atletas tenham boas condições para a pratica desportiva existem mil formas de conseguir mas garantidamente que nao devera ser nunca à custa do povo nem à custa dos amadores que vêem na corrida de rua apenas uma forma de praticar desporto e para o qual devem ser motivados nao explorados

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