A tomada de decisão no futebol depende da capacidade de análise dos vários factores externos ao indivíduo. Para uma eficaz interpretação desses factores, quanto mais tranquila estiver a frequência cardíaca, mais consciente é a tomada de decisão, sendo assim, há uma relação directa entre a capacidade de decidir e a serenidade interna.
Em tempos, um jogador de futebol espanhol, de seu nome Ivan de la Peña, foi o expoente máximo desta serenidade decisional e sucesso nas suas ações.
Era realmente incrível a capacidade que o Ivan tinha em interpretar os factores externos, de forma serena internamente e efectuar um passe incrível que nos deixava não só deliciados pela execução, como principalmente pela surpresa de como tinha ele capacidade para interpretar aquele momento.
Jogou com Figo, Vitor Baía, Ronaldo, Rivaldo, Guardiola, foi treinado por Johan Cruijff, foi internacional espanhol e no Espanyol de Barcelona ganhou uma improvável Taça do Rei!
Realizou 402 jogos e marcou 30 golos.
Mas era nas assistências que se destacava. Ninguém via como o pequeno Buda, parecia até que o tempo para ele era diferente de todos os outros.
Ficou-lhe a faltar a Liga dos Campeões por clubes, de resto ganhou tudo.
Jogou a médio-centro. Um construtor de jogo nato.
Formado no FC Barcelona, fez 65 jogos pela equipa principal e foi vendido por 15 milhões de euros para a Lazio de Roma. Falamos de 1997/98. Na mesma época, Ronaldo Nazário (Bola de Ouro) foi vendido por 26,5M€ para o Inter de Milão, ficando claro o quão valioso era Ivan de la Peña nessa altura.
Médio-centro de raiz.
Um organizador e desbloqueador de jogo.
Um Quarter Back do Futebol que se joga com os pés.
Jogava com o pé direito. 173 cm de altura.
Calvo, ágil e de baixa gravidade. Intenso nas acções.
Recebia orientado, progredia, combinava e no momento certo fazia assistência para o seu colega fazer golo.
Daquelas assistências que ninguém estaria à espera. De se lhe tirar o chapéu e acompanhar com uma vénia.
Muitos apelidaram-no de Pequeno Buda pelo aspecto físico, mas para mim era pela capacidade neurofisiológica de tomar decisões únicas e serenas, em alta velocidade e interpretando inúmeras variáveis circundantes.
Tenho saudades de jogadores como ele.