Hoje, no craques.pt, vamos contar-te a história do Benfica 5 Real Madrid 3 de 1962, um dos maiores feitos da história do futebol nacional. Talvez já tenhas ouvido contar essa história vezes sem conta. Mas, se ainda não conheces todos os detalhes ou se queres relembrar o momento, estás no sítio certo. Continua a ler e vem conhecer a história por trás desse triunfo épico que fez história no futebol mundial.
Em 1962, o Real Madrid dominava na Taça dos Campeões Europeus com um extenso lote de estrelas, como Puskás e Di Stéfano. O Benfica, tinha ganho a competição no ano anterior (1961), mas, ainda assim, não era visto como favorito a vencer a edição desse ano.Na realidade todos esperavam mais uma vitória madrilena.
No entanto, o jogo Benfica vs Real Madrid, disputado em Amsterdão, seria um momento histórico. O Benfica derrotou o todo-poderoso Real Madrid por 5-3, num jogo que se tornaria um dos maiores marcos (senão o maior) da história do clube. O resultado final, Benfica 5 Real Madrid 3, não deu só um troféu ganho a um adversário teoricamente superior. Foi também uma vitória contra as baixas expectativas que o público tinha para aquele Benfica.
A Taça dos Campeões Europeus (atualmente Liga dos Campeões) era a competição de clubes mais prestigiada da Europa, e o Real Madrid dominava totalmente a competição. De 1956 a 1960, o clube espanhol conquistou os primeiros cinco títulos da competição de forma consecutiva.
O Real Madrid não só tinha um plantel recheado de estrelas, mas também uma aura de invencível. Todos os adversários receavam enfrentar os “merengues”, mas quando o faziam a máxima era “perder por poucos é vitória”.
Antes de 1962, o Benfica já começava a dar cartas no futebol europeu. No entanto, foi com a chegada de jogadores como Eusébio que a equipa se transformou numa verdadeira potência.
Nos anos 50, as águias já tinham feito boas campanhas na Taça dos Campeões Europeus, mas foi a partir de 1961 que a sua ascensão se tornou irreversível. A vitória na competição nesse ano, onde venceu o Barcelona na final, foi o pontapé de saída para o Benfica se afirmar no futebol europeu.
Liderados por Bela Guttmann e Eusébio, o Benfica encontrou a fórmula perfeita para competir com os maiores do continente. O “Pantera Negra”, com a sua velocidade, técnica e “faro de golo”, tornou-se rapidamente na bandeira do clube.
O Real Madrid era, sem dúvida, o maior nome do futebol mundial na década de 50 e início dos 60. Alfredo Di Stéfano, o motor da equipa, era conhecido pela sua versatilidade e habilidade em todas as posições do ataque. Ele era capaz de decidir jogos com sua classe e visão de jogo.
Já Puskás, o “Panzer Húngaro”, chegou ao Real Madrid uns anos mais tarde. No entanto, a sua impressionante capacidade de finalização, rapidamente o transformou numa lenda do clube.
Juntos, tornavam o Real Madrid uma equipa quase imbatível. Para verem o nível desses dois, Puskás ainda hoje dá o nome ao prémio para golo mais bonito do ano.
Por não ter a constelação de estrelas do Real Madrid, o Benfica não dependia apenas de um jogador para vencer. O grande trunfo da equipa portuguesa era mesmo o seu esforço coletivo.
Ainda assim, Eusébio da Silva Ferreira, era a estrela maior do Benfica. O seu talento nato, a velocidade impressionante e a capacidade de marcar golos de todas as formas e feitios faziam dele um dos melhores atacantes do mundo. Na final de 1962, Eusébio não foi decisivo só pelos golos que marcou. A sua presença em campo dava confiança à sua equipa e tinha o dom de amedrontar os adversários.
Da parte do Real Madrid, até havia alguma cautela, apesar do favoritismo que lhes era atribuído. Puskás, com o seu pragmatismo, dizia que o Benfica era o adversário mais difícil que lhes podia ter calhado.
Assim, o Real Madrid entrou focado e não demorou muito para que o pé esquerdo do húngaro se fizesse notar. Em 23 minutos, o húngaro marcou dois golos e colocou os “blancos” (que curiosamente jogou de lilás) em vantagem.
Mas o Benfica não ficou quieto. José Águas numa recarga marcou e reequilibrou o jogo fazendo o 1-2. Como se não bastasse, Cavém causou o pânico, quando empatou com um remate espetacular de pé esquerdo.
Puskás, que estava em dia sim, não se deixou abater e fez o seu «hat-trick», levando o Real Madrid para o intervalo a vencer por 2-3.
O Benfica, mesmo em desvantagem, continuava a pressionar o Real Madrid, mas sempre com disciplina táctica. Afinal, os espanhóis eram perigosos no contra-ataque. Mário Coluna foi o primeiro a brilhar. O “Monstro Sagrado” recuperou a bola e marcou um golaço de fora da área. As equipas estavam agora empatadas a 3 golos e faltavam ainda 40 minutos para jogar.
Mas o melhor ainda estava por vir. Eusébio, que ainda não tinha marcado, tentou de livre. Sem sucesso, a bola foi ao posto. Inconformado, logo de seguida tenta uma jogada individual. Passa um, passa dois, “dá um nó” ao terceiro defesa que o acompanha e acaba derrubado na área. Penálti!!!
O “Pantera Negra” não hesitou e assumiu a cobrança. Correu para a marca dos 11 metros e marca, colocando finalmente o Benfica em vantagem.
O Real Madrid reagiu, pressionou, lutou, mas foi Eusébio, que com outro remate forte, selou a vitória com um resultado final de 5-3.
Missão cumprida! Estava ganho o segundo título europeu consecutivo para o Benfica. Curiosamente, o último que conquistaria até aos dias de hoje.
A vitória do Benfica em 1962 não foi só mais um título. Foi também o momento em que as águias se afirmaram como uma potência do futebol europeu. Depois do sucesso de 1961, a vitória de 1962 colocou o Benfica ao lado dos gigantes do futebol, como o Real Madrid, Barcelona ou AC Milan.
Mais do que reafirmar a sua qualidade técnica, a 2ª Taça dos Campeões Europeus consolidou o clube como uma referência cultural. Eusébio, tornou-se uma lenda mundial e o Benfica transformou-se num símbolo de superação e força.
A vitória de 1962 teve um impacto enorme no futebol europeu. Antes, apenas o Real Madrid tinha conquistado a Taça dos Campeões Europeus, consolidando um dominio absoluto. Agora, o Benfica tinha mostrado que, com trabalho de equipa, talento e ambição, os clubes com menos recursos também podiam vencer.
Com orçamento inferior ao dos gigantes, o Benfica provou que o sucesso europeu não dependia de estrelas. Essa vitória inspirou outros clubes, principalmente de países pequenos como Holanda (Feyenoord e Ajax) e Escócia (Celtic), a evoluírem no futebol. Essa evolução levou a uma diversificação nas equipas que se sagraram campeãs europeias nos anos seguintes.
A vitória Benfica 5 Real Madrid 3, na final de 1962, é uma das maiores façanhas do futebol português. Não foi apenas mais um troféu. Foi o momento que colocou o Benfica entre as maiores potências do futebol mundial. Derrotar o gigante Real Madrid, recheado de estrelas nas suas fileiras, foi um feito que simbolizou a coragem, talento e superação dos fracos contra os fortes.
A performance de Eusébio e a força coletiva da equipa fizeram dessa final um marco histórico, mudando para sempre o futebol europeu. Mais de 60 anos depois, aquela tarde em Amsterdão continua a ser lembrada como uma verdadeira lenda do futebol.