
Paris FC e PSG- há uma nova rivalidade em Paris
O Paris FC, fundado em 1969 e historicamente eclipsado pelo PSG, celebrou o seu regresso à elite do futebol francês após uma ausência de mais de quatro décadas. A última vez que ambas as equipas estiveram na primeira divisão foi em 1978/79. Este feito é acompanhado por uma transformação significativa no clube, com novos investidores e uma ambiciosa estratégia de crescimento. Coincidência ou não, há mais um clube parisiense em festa. Porque o PSG ganhou a sua primeira Liga dos Campeões e fez, então, o triplete. Paris FC e PSG – há uma nova rivalidade em Paris.
O Paris FC não chega à Ligue 1 com poucas ambições. O clube está bem estruturado e apresenta diversos investidores de peso. Desde logo, a família Arnault, à qual pertence o homem mais rico do mundo – Bernard Arnault. Este adquiriu participação maioritária no Paris FC, através da Agache Sport, e com a Red Bull a assumir um papel na vertente desportiva. Isto, além da percentagem que o governo do Bahrain tem no clube desde 2020.

Este movimento visa não só a ascensão desportiva, mas também a afirmação do clube como uma marca reputada, alinhada, então, com o prestígio das marcas de luxo associadas ao grupo LVMH. O qual detém marcas como a Louis Vuitton, Christian Dior, Moet et Chandon ou a Hennessy.
A grande força e voz do clube está no lema: “Certifié Paris” (em português, “autenticamente de Paris”). A estrutura defende que o Paris FC é “o clube dos parisienses, pelos parisienses e para os parisienses”.

Este investimento e intenção de ascensão à elite serve, segundo os responsáveis do clube, para mostrar, então, os valores da cidade e dos parisienses. Tanto que, em 2023/24, a direção do clube não cobrou os bilhetes dos jogos masculinos e femininos, porque “apoiar o Paris FC não tem preço”. Além disso, numa entrevista recente concedida ao jornal norte-americano ‘New York Times’, os dirigentes do Paris FC revelaram que o objetivo é atrair adeptos que só foram atrás do PSG “por moda”. A ideia passa ainda por deixar uma mensagem reveladora da “força” que “o Paris FC tem na cidade.”
Consumada a subida à Ligue 1, o Paris FC vai, então, passar a jogar no Estádio Jean-Bouin, situado a escassos 40 metros do Parque dos Príncipes, a casa do PSG. O clube atuava no Charléty desde 2007, mas os gestores entenderam que a nova força do Paris FC vai além dos 19 mil lugares do estádio, pelo que são agora vizinhos próximos do PSG, num estádio mais moderno.

A verdade é que o PSG surgiu da fundição do Paris FC com o Stade Saint-Germain. Esta ‘relação’ durou dois anos devido a um problema e o Paris FC voltou a atuar em nome próprio, mas desta vez com um vizinho. Quis o futuro que a glória fosse ao encontro do PSG e não do Paris FC.
O antigo internacional brasileiro Raí, ícone do PSG, uniu-se ao projeto do Paris FC como sócio e embaixador. A sua ligação emocional à cidade e ao futebol francês é vista como um elo importante para atrair adeptos e reforçar a identidade do clube.
Quis o destino que, no ano em que o Paris FC ascende à primeira divisão, o PSG alcança um marco histórico ao conquistar a sua primeira Liga dos Campeões. Um feito alcançado de forma brilhante: a equipa de Luis Enrique aplicou a maior goleada de sempre numa final, esmagando o Inter por 5-0.

Esta vitória tornou o Paris Saint-Germain no novo Rei da Europa e aumenta, de certa forma, a pressão para o Paris FC se afirmar na Ligue 1. Mas não há nada que atemorize os responsáveis do ‘outro’ clube da capital francesa. Paris FC e PSG- há uma nova rivalidade em Paris.

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