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O FC Porto conquistou a Supertaça. Daqui a alguns anos, ficará apenas registado que venceu mais um troféu. As estatísticas não contam exibições, não registam a qualidade do futebol praticado nem refletem as dúvidas que uma equipa consegue deixar mesmo quando ergue uma taça. Mas quem viu os noventa minutos diante do Torreense dificilmente saiu descansado. Porque o resultado foi positivo. A exibição esteve muito longe de o ser. Antes de olhar para o FC Porto, importa fazer justiça ao Torreense. A equipa de Torres Vedras realizou uma exibição extraordinária. Em muitos momentos, foi difícil perceber que um dos emblemas pertence à Primeira Liga e o outro milita na Liga Portugal 2. Houve coragem, personalidade, organização e uma enorme capacidade para criar dificuldades a um adversário teoricamente muito superior. Aliás, continuo convencido de que, caso tivesse beneficiado de um calendário mais equilibrado antes da segunda mão do play-off frente ao Casa Pia , o Torreense (depois da brilhante conquista da Taça de Portugal) teria hoje lugar entre os principais clubes do futebol português. Não perdeu porque lhe faltou ambição. Não foi eficaz em momentos capitais do jogo. Dany Jean foi um quebra-cabeças durante todo o encontro para a equipa portista, é um jogador interessante, mas tem de melhorar imenso na tomada de decisão. Uma menção honrosa ao lateral-esquerdo Javi Vásquez, cujo talento não pode andar perdido pelas divisões secundárias do nosso futebol. A equipa do Oeste (muitíssimo bem trabalhada por Luís Tralhão) perdeu essencialmente porque teve pela frente um dos melhores guarda-redes do mundo. Diogo Costa voltou a ser decisivo. Mais uma vez. E talvez isso devesse preocupar os portistas. Porque quando o melhor jogador da equipa é, sistematicamente, o guarda-redes, normalmente existe um problema coletivo que continua por resolver. Foto: Victor Sousa/Movephoto Os primeiros 10 minutos do FC Porto foram absolutamente inadmissíveis para uma equipa com as suas ambições. Houve dificuldades na saída de bola, erros posicionais, enorme displicência de alguns dos seus jogadores, e uma intranquilidade defensiva que permitiu ao Torreense acreditar desde o primeiro minuto. O problema é que estes sinais não são novos. Já tinham aparecido no final da época passada. Na altura, muitos preferiram desvalorizá-los porque os resultados iam aparecendo. A história do futebol ensina-nos, contudo, que nem sempre vencer significa que tudo está bem. O melhor exemplo continua a ser a temporada 2012/13. O inesquecível golo de Kelvin, aos 92 minutos frente ao Benfica, deu ao FC Porto um campeonato absolutamente épico. Mas também escondeu problemas que a estrutura optou por ignorar. A ideia de que bastava continuar pelo mesmo caminho revelou-se ilusória e os anos seguintes acabaram por confirmar isso mesmo. Não pretendo estabelecer um paralelismo absoluto. Mas o futebol tem memória. E, por vezes, os resultados mascaram problemas que acabam inevitavelmente por regressar. Será Farioli o homem ideal para uma equipa destes pergaminhos? Um treinador receoso, que tem um modelo de jogo bastante previsível, pouco fiável a longo prazo, e com uma aversão ao jogo ofensivo? Eu considero que não pode ser essa a mentalidade de um treinador de um clube da dimensão do FC Porto, e já o considerava antes de ter sido campeão. É precisamente isso que me preocupa neste FC Porto. Continuo sem perceber qual é a verdadeira ideia ofensiva de Francesco Farioli. A pressão alta funciona em muitos momentos e continua a ser uma arma importante. Quando a frescura física (natural que não a haja neste início de época) não é a melhor, a equipa passa a suster o seu jogo na solidez defensiva, igualmente ausente num jogo contra uma equipa de valia inferior, mas com uma identidade muito vincada no seu jogo, e extremamente personalizada. A circulação é lenta. A criatividade é inexistente (com claro destaque negativo para a exibição muito fraca de Gabri Veiga). Há pouca mobilidade entre linhas. Os movimentos ofensivos repetem-se, apesar de um maior jogo associativo com a presença de André Silva, mas claramente mais talhado para jogar num modelo 4-4-2 dadas as suas características. As substituições parecem obedecer mais a um ficheiro de Excel do que ao próprio jogo. Substituir ao minuto 60 tornou-se quase um automatismo, independentemente daquilo que a partida pede. Mais difícil ainda de compreender foi ver o FC Porto baixar o bloco durante largos períodos frente a uma equipa da segunda divisão, jogando num inconcebível esquema de 5-3-2. Num clube cuja identidade sempre passou por assumir os jogos, pressionar alto e sufocar os adversários, essa postura parece contradizer a própria história portista. E depois há Rodrigo Mora. É impossível ignorar o que está a acontecer. Desde a chegada de Farioli, um dos maiores talentos recentes da formação portista desapareceu praticamente das opções. Um jogador com criatividade, imprevisibilidade e capacidade para desbloquear jogos continua sem espaço numa equipa que revela precisamente enormes dificuldades na construção ofensiva. Foto: Miguel Pereira Será apenas uma questão física? Será uma opção técnica? Ou simplesmente um jogador que não encaixa nas ideias do treinador? O que motiva este ostracismo de Farioli a um dos filhos da casa? Independentemente da resposta, torna-se difícil compreender que um futebolista com aquelas características permaneça praticamente ausente enquanto a equipa revela tanta dificuldade em criar ocasiões de golo. A entrada do sul-coreano Hwang In-beom (um dos reforços para esta temporada) mexeu com o jogo, e poderá ser uma excelente adição para esta equipa portista. Foto: FC Porto Mas é curto. O FC Porto foi campeão devido a uma fulgurante primeira volta, secundado por um fantástico golpe de asa do presidente André Villas-Boas, num cirúrgico mercado de Inverno onde foi recrutar o experientíssimo defesa-central Thiago Silva (com pouca utilização, mas cujo ADN vencedor ajudou muito uma equipa na qual escasseava esse aspecto). Contudo, foram os ingressos do costa-marfinense Seko Fofana e do prodígio polaco Oskar Pietusewski, o motivo principal para que os portistas voltassem a ser campeões nacionais ao fim de 4 anos. Também a arbitragem merece referência. A decisão de não recorrer ao VAR num dos lances mais polémicos da partida (possível infração dentro da área de Hwang In-beom sobre um jogador do Torreense já dentro do tempo de descontos), deixa legítimas dúvidas e dificilmente contribui para a credibilização do próprio sistema, tão discutido durante esta última semana, devido às declarações infames provindas de uns áudios de Pedro Proença (presidente da Federação Portuguesa de Futebol e ex-árbitro internacional) sobre o colectivo arbitral.O máximo dirigente do futebol nacional já estava sob um grande escrutínio devido à instabilidade no seio da nossa federação, mas afirmações estapafúrdias como: "Opiniões do cidadão Pedro Proença não se confundem com as do presidente", proferidas no fim do jogo da Supertaça, não ajudam minimamente a baixar este ruído ensurdecedor que está instalado no futebol português. Por fim, há outro tema que paira inevitavelmente sobre o Dragão: o futuro de Diogo Costa. A confirmar-se a sua saída, o FC Porto perderá muito mais do que um guarda-redes. Perderá o capitão, uma das vozes do balneário e, um dos melhores guarda-redes do futebol mundial. É legítimo que queira dar o salto para um campeonato mais competitivo, mas a SAD terá de encontrar rapidamente uma solução capaz de oferecer garantias, porque substituir um jogador desta dimensão está longe de ser uma tarefa simples. A mesma preocupação existe relativamente a Victor Froholdt. O médio dinamarquês tornou-se uma peça absolutamente nuclear para este modelo de jogo de Farioli, sobretudo pela intensidade na pressão e pela capacidade de ligar setores. Perder simultaneamente Diogo Costa e Froholdt seria um golpe enorme para uma equipa que já revela dificuldades em consolidar processos. A época ainda agora começou. Há tempo para crescer. Há tempo para melhorar. Mas também há sinais que não podem continuar a ser ignorados. Os tímidos assobios que já se ouviram na Supertaça são apenas um aviso. A paciência dos adeptos dificilmente será a mesma da época passada. Porque ganhar continua a ser importante. Mas, num clube da dimensão do FC Porto, ganhar também implica convencer. E, neste momento, o FC Porto está muito longe de o conseguir.
Nem todos os campeões entram para a história. Alguns tornam-se a própria história. Tadej Pogačar pertence a essa raríssima categoria. Ontem, em Paris, o indomável ciclista esloveno deixou definitivamente de correr contra os adversários para passar a correr ao lado dos deuses do ciclismo. O quinto Tour de France da carreira não representa apenas mais um triunfo. Representa a entrada definitiva num círculo que parecia reservado à eternidade: Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Indurain. Aos 27 anos, o esloveno tornou-se também o mais jovem ciclista da história a alcançar cinco vitórias na maior prova de ciclismo do mundo, um feito que parecia pertencer apenas aos livros de história. Tadej Pogacar, Foto: AFP/Loice Venance No entanto, olhando para a forma como corre, fica a sensação de que a história ainda está longe de terminar. Porque Pogačar não compete para administrar vantagens. Compete para atacar. Compete para ganhar. Compete para oferecer espetáculo até ao último segundo da corrida, como foi provado pelo seu comportamento na última etapa, onde não deixou de tentar sair com mais uma vitória, arriscando em descidas bastante perigosas, sem ter necessidade nenhuma de o fazer, apenas com o intuito de continuar a escrever história e de dar espectáculo aos milhares de espectadores presentes na cidade de Paris. Foi precisamente isso que voltou a fazer neste Tour. Dominou a corrida de forma avassaladora, "destroçou" o recorde de Marco Pantani na mítica subida ao Alpe d'Huez (um recorde com mais de 30 anos), venceu quando era preciso vencer e mostrou, uma vez mais, que o seu talento parece não conhecer fronteiras. Mas reduzir Pogačar aos números seria cometer uma enorme injustiça. Ao longo dos últimos anos, construiu um palmarés absolutamente ímpar. Cinco Tours de France, um Giro d'Italia, dois Campeonatos do Mundo de Estrada, medalhista olímpico, um Campeonato da Europa de Estrada, várias Liège-Bastogne-Liège, Il Lombardia, Tour de Flandres, Strade Bianche, Milan-San Remo, Tirreno-Adriático, Paris-Nice e inúmeras outras provas que fazem dele um dos ciclistas mais completos da história da modalidade. Veremos se irá competir na Vuelta, a única Grande Volta que não consta no seu brilhante currículo. A prova começa dentro de 4 semanas, e há muita expectativa para saber se Pogačar estará na linha de partida em Barcelona para poder completar o trio de Grandes Voltas, algo que o seu grande rival Jonas Vingegaard conseguiu há uns meses com a conquista do Giro. O primeiro grande resultado de Pogačar foi conquistado na Volta à Espanha, já num longínquo 2019, onde o ciclista esloveno conseguiu um surpreendente, mas fantástico 3º lugar, mas não mais voltou a correr essa prova. Pogačar está também próximo de ganhar o único "Monumento" que lhe falta: a Paris-Roubaix, aquela que muitos consideram a prova mais difícil do ciclismo, e que muitos consideravam que alguém com a morfologia do ciclista esloveno, jamais poderia ser competitivo ou aspirar a ganhar essa corrida. O que é certo é que o Pogačar não entende de impossíveis, e nas últimas edições esteve bastante perto de cortar a meta em primeiro lugar no velódromo de Roubaix, ficando em segundo lugar perante ciclistas do calibre de Mathieu van der Poel e Wout van Aert. Certamente que no próximo ano, voltará a tentar a sua sorte, e ninguém poderá deixar de o considerar um dos grandes favoritos à conquista dessa lendária prova do ciclismo. Mais impressionante ainda é a forma como conquistou tudo isto. Enquanto muitos campeões vencem pela força da estratégia e da contenção, Pogačar fá-lo através da criatividade. Ataca quando ninguém espera, acelera onde os outros hesitam, transforma etapas aparentemente previsíveis em autênticos espetáculos e parece divertir-se genuinamente em cima da bicicleta. Corre sempre com um sorriso contagiante, como se nunca tivesse esquecido que, antes de ser campeão, foi um rapaz apaixonado por ciclismo. É precisamente por isso que me custa compreender uma ideia que, de tempos a tempos, volta a surgir: a de que Pogačar "arruinou" um desporto tão competitivo como o ciclismo. Na minha perspetiva, aconteceu exatamente o contrário. A narrativa de que Pogačar "estragou" o ciclismo nunca fez muito sentido na minha modesta opinião. Um campeão pode tornar uma competição previsível; não a torna menos bela. E, no caso de Pogačar, o seu estilo ofensivo fez precisamente o contrário: devolveu ao ciclismo um espetáculo que muitos sentiam perdido. Os grandes campeões nunca diminuíram as suas modalidades: engrandeceram-nas. Michael Jordan não estragou a NBA. Roger Federer não estragou o ténis. Lionel Messi não estragou o futebol. E Tadej Pogačar não estragou o ciclismo. O seu domínio, a sua personalidade cativante e o seu estilo ofensivo devolveram ao ciclismo uma capacidade rara de apaixonar quem já era fã e, talvez mais importante, de conquistar quem se tinha afastado da modalidade. Eu próprio sou um desses exemplos. Depois do escandaloso caso de doping que envolveu Lance Armstrong, perdi grande parte da ligação emocional ao ciclismo. Durante anos, acompanhei a modalidade com muito menor entusiasmo. Foi Pogačar quem me fez voltar a ganhar esse interesse pela modalidade. Não apenas porque ganha, mas porque me faz sentir que cada etapa pode oferecer algo diferente. Esse talvez seja o maior elogio que se pode fazer a um desportista. Não apenas vencer. Fazer com que mais pessoas queiram voltar a ver o seu desporto. E talvez por isso tenham sido ainda mais difíceis de compreender os constantes assobios que o esloveno voltou a receber ao longo desta edição do Tour. É inevitável pensar que parte dessa hostilidade nasce da enorme frustração do público francês por continuar sem celebrar um vencedor da sua corrida desde Bernard Hinault, em 1985. Quatro décadas de espera ajudam a explicar um ambiente por vezes pouco acolhedor para quem domina a prova ano após ano. Explicar, contudo, não significa justificar. Porque uma coisa é desejar fervorosamente que haja um campeão francês. Outra, muito diferente, é assobiar um atleta que apenas faz aquilo que qualquer desportista sonha fazer: competir melhor do que todos os outros. Pogačar nunca desrespeitou o Tour, os adversários ou o público francês. Sempre demonstrou humildade nas vitórias, respeito nas derrotas e uma simpatia que raramente abandona o seu rosto. É um campeão que vence com um sorriso e que continua a tratar os rivais como companheiros de profissão, nunca como inimigos. Este Tour voltou a ser disso exemplo. Na luta pela classificação geral, o belga Remco Evenepoel confirmou finalmente a evolução que tantos esperavam, alcançando um excelente segundo lugar e demonstrando que pode, no futuro, voltar a discutir Grandes Voltas até ao fim. Logo atrás, surgiu um extraordinário Isaac del Toro, terceiro classificado e fiel escudeiro de Pogačar, numa demonstração de enorme maturidade. O jovem mexicano beneficiou também da confiança e da proteção do próprio Pogačar em momentos decisivos, um sinal da liderança serena que o esloveno exerce dentro da UAE Emirates. Ainda mais surpreendente foi o Tour do francês Paul Seixas. Com apenas 19 anos, realizou uma prova memorável, discutiu os primeiros lugares da classificação geral e deixou no ar a sensação de que França poderá finalmente ter encontrado o sucessor que procura há tantos anos. Na última semana, o espetáculo teve ainda outro protagonista. Richard Carapaz correu como poucos se atrevem a correr nos dias de hoje. Venceu duas etapas, conquistou a camisola da montanha e lutou praticamente até ao último quilómetro pela possibilidade de conquistar quatro etapas (!) no espaço de pouco mais de uma semana. Num ciclismo cada vez mais calculado, o equatoriano recordou-nos que o espectáculo continua bem vivo. Nem tudo foram boas notícias. As quedas de Jonas Vingegaard e Florian Lipowitz retiraram à corrida dois protagonistas que poderiam ter enriquecido ainda mais a luta pela classificação geral. Particularmente no caso do dinamarquês, ficou sempre a sensação de que o grande duelo que todos aguardavam acabou por nunca acontecer, apesar de no momento da queda, já estar a mais de 2 minutos de Tadej Pogačar. Também Juan Ayuso esteve muito longe do esperado. Aos 23 anos, deixou a UAE Emirates precisamente para liderar a equipa da Lidl-Trek, e enfrentar Pogačar de igual para igual. Terminou apenas na sétima posição, a mais de 17 minutos do antigo colega de equipa, numa prestação claramente abaixo do enorme potencial que continua a possuir. Já a imagem mais arrepiante deste Tour aconteceu na 20.ª etapa. A queda de Sepp Kuss, numa descida enquanto rodava a alta velocidade, fez gelar milhões de espectadores. Apenas as redes de proteção impediram que o norte-americano caísse no vazio, evitando uma tragédia que poderia ter marcado para sempre esta edição da prova. Mas, quando o Tour terminou, todas essas histórias acabaram inevitavelmente por convergir para uma só. A de um homem que continua a redefinir aquilo que julgávamos impossível. Daqui a muitos anos continuar-se-á a discutir quem foi o maior ciclista de todos os tempos. Os defensores de Merckx apresentarão argumentos irrefutáveis. Os admiradores de Hinault, Indurain ou Anquetil farão o mesmo. Mas uma coisa já ninguém poderá negar. Tadej Pogačar conquistou definitivamente o direito de se sentar à mesma mesa. E, para muitos (entre os quais me incluo) talvez já nem se sente ao lado deles. Talvez seja, simplesmente, o homem que pedala um pouco mais à frente.
O Boavista FC está ligado às máquinas, em paragem cardiorrespiratória, e a verdade tem de ser dita com a frontalidade que o futebol moderno tanto teme. O esforço heroico do Movimento Salvar o Boavista, liderado por adeptos anónimos e figuras como Pedro Pires de Lima, que dão a cara, o corpo e o próprio bolso para juntar 55 mil euros todos os meses, é uma lição de amor ao clube. Mas sejamos realistas: isto é colocar um penso rápido numa hemorragia de 150 milhões de euros. É insustentável. É insuficiente. Esta situação é decorrente do investimento feito nas obras para o Europeu 2004 que modernizaram o Bessa. Nessa altura, o Estado, as autarquias, os políticos e as grande empresas que lucraram milhões, todos estavam muito felizes pela realização da competição em Portugal. E agora? É revoltante ver um grupo de sócios cumpridores a tentar fazer omeletes sem ovos, enquanto os verdadeiros tubarões financeiros e as entidades competentes olham para o lado. Onde estão os donos do país nesta hora de aflição? Onde estão gigantes como o Grupo Jerónimo Martins, a Galp ou a Sonae da família Azevedo, que faturam milhares de milhões de euros todos os anos no nosso território e fecham os olhos à destruição de uma das maiores instituições desportivas do Norte? Falta coragem económica a quem tem os cofres cheios para perceber que o Boavista não precisa de caridade, precisa de investimento estratégico. Estes adeptos e movimentos independentes que lutam diariamente nas ruas e nas redes sociais não têm a capacidade financeira, nem o poder legal que legisladores, o Estado e a Câmara Municipal do Porto detêm. O clube tem património. O Estádio do Bessa vale ouro. Se tivéssemos uma liderança política na autarquia verdadeiramente empenhada na defesa do tecido social da cidade, e não apenas na burocracia, a solução já estava a andar. Com a crise e especulação imobiliária que vivemos no país, a salvação do Boavista passa obrigatoriamente por transformar o perímetro do Bessa num mega-complexo urbano multiusos. Estamos a falar de rasgar o atual Plano Diretor Municipal e construir habitações de luxo nas bancadas inacabadas, projetar uma grande clínica médica privada, um hotel corporativo e espaços comerciais que gerem receitas contínuas. Uma operação imobiliária com 150 apartamentos de luxo vendidos a 1,25 milhões de euros cada geraria mais de 187 milhões de euros brutas. O lucro limpava a dívida à Somague e ao Fisco de uma assentada. Para isso acontecer, o Estado e a Câmara do Porto não têm de meter um único cêntimo do erário público. Só têm de fazer o seu trabalho: facilitar, reestruturar as dívidas fiscais, agilizar as licenças e alterar o PDM para que os grandes fundos de investimento privados internacionais queiram injetar aqui o capital. Enquanto a burocracia asfixia o clube e as maiores fortunas de Portugal assistem de camarote à insolvência, o povo boavisteiro vai fazendo milagres. Mas o tempo das desculpas acabou. O Bessa tem valor de sobra para se salvar a si próprio. Só falta saber se quem manda tem a coragem política de assinar os papéis ou se vai preferir carregar no caixão de um histórico do nosso futebol.
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Nem todos os campeões entram para a história. Alguns tornam-se a própria história. Tadej Pogačar pertence a essa raríssima categoria. Ontem, em Paris, o indomável ciclista esloveno deixou definitivamente de correr contra os adversários para passar a correr ao lado dos deuses do ciclismo. O quinto Tour de France da carreira não representa apenas mais [...]

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Ouvimos dizer que as finais não se jogam, ganham-se. A Espanha resolveu provar exatamente o contrário. Ganhou merecidamente a única equipa que quis jogar. Os ibéricos dominaram uma final de sentido único. Assumiu o jogo desde o primeiro minuto e conquistou a segunda estrela mundial da sua história. Não foi apenas uma vitória sobre a [...]

O Boavista Futebol Clube deu um importante passo rumo à recuperação. O histórico emblema axadrezado conseguiu reunir os 50 mil euros necessários para cumprir o acordo estabelecido com a administradora de insolvência, permitindo assim a reabertura das instalações do Estádio do Bessa e a retoma da atividade do clube. A verba foi angariada através da [...]

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