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Uma Taça para a eternidade, uma subida por cumprir: o Carnaval (im)perfeito do Torreense
29 maio

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Uma Taça para a eternidade, uma subida por cumprir: o Carnaval (im)perfeito do Torreense

Estádio do Jamor. 24 de maio de 2026. A vitória do Torreense na final da Taça de Portugal ficará para sempre gravada na história do clube, da cidade de Torres Vedras e do próprio futebol português. Não apenas pelo facto de ter derrotado o "gigante" Sporting num dos palcos mais emblemáticos do desporto nacional, mas sobretudo porque foi alcançada por uma equipa da II Liga, algo que parecia praticamente impossível numa era de profissionalização extrema e de diferenças orçamentais cada vez maiores entre os principais clubes e os restantes emblemas nacionais. O golo decisivo de Stopira (veterano defesa-central cabo-verdiano de 38 anos) já dentro do prolongamento, transformou-se imediatamente numa das imagens da época. Um momento de glória para um jogador que ficará para sempre ligado ao maior feito da história do clube, e que liderará igualmente a sua seleção numa presença inédita numa fase final de um Mundial. Torreense Quando o árbitro apitou para o final da partida, milhares de adeptos perceberam que estavam a assistir a algo verdadeiramente irrepetível: o Torreense tornava-se a primeira equipa da II Liga a conquistar a Taça de Portugal e garantia, simultaneamente, um lugar nas competições europeias da próxima temporada, arredando dessa possibilidade um sensacional Famalicão (com um inédito 5º lugar no campeonato), e condicionado a época de Benfica e Braga, que deverão começar as suas pré-temporadas em meados de Julho e que terão de disputar pelo menos seis jogos para poderem chegar às respetivas fases de grupos da Liga Europa e da Liga Conferência. Um feito extraordinário. Mas também algo que deixa inevitavelmente um sabor agridoce. Porque poucos dias depois da festa do Jamor, a realidade bateu à porta da equipa de Luís Tralhão. O calendário não permitiu grandes celebrações. O plantel teve de interromper rapidamente os festejos da conquista da Taça de Portugal para preparar a segunda mão do play-off de subida contra o Casa Pia.Enquanto outras equipas teriam vários dias para saborear um dos maiores momentos das suas carreiras, os jogadores do Torreense tiveram de voltar imediatamente ao trabalho, algo que deve ser revisto no futuro. Num jogo desta magnitude, ambas as equipas têm de estar em igualdade de circunstâncias. E talvez aí esteja uma das maiores injustiças desta história. Uma equipa que acabava de conquistar um troféu histórico, praticamente não teve tempo para o celebrar, e desfrutar do maior momento da história da equipa do Oeste. A curta distância entre a final da Taça de Portugal e o decisivo encontro do play-off acabou por condicionar inevitavelmente a preparação física, emocional e mental do grupo. Não serve como desculpa para o desfecho final, mas é impossível ignorar o contexto extremamente exigente em que o Torreense teve de competir. O sonho europeu foi concretizado. O sonho da subida ficou por cumprir. E é precisamente por isso que este Carnaval (Torres de Vedra é sobejamente conhecida pelo seu Carnaval tão único e peculiar com as habituais "matrafonas") foi simultaneamente perfeito e imperfeito. Perfeito, porque o clube alcançou algo que ficará para sempre na sua história. Imperfeito, porque faltou aquele que era provavelmente o objetivo prioritário da temporada: regressar à Primeira Liga. Ainda assim, seria profundamente injusto analisar esta época sem destacar o trabalho extraordinário realizado por Luís Tralhão. O treinador conseguiu construir uma equipa competitiva, organizada, corajosa e com uma identidade muito própria. Durante largos períodos da temporada, o Torreense praticou um futebol de grande qualidade e demonstrou estar preparado para competir com qualquer adversário nacional. Se houve equipa que mereceu discutir até ao último segundo a subida de divisão, foi esta. Do outro lado da história e no que diz respeito à final da Taça de Portugal, ficou um Sporting profundamente dececionante na final do Jamor. Os leões apresentaram uma exibição muito abaixo do esperado, marcada por falta de intensidade, pouca agressividade competitiva e uma estranha incapacidade para perceber a dimensão do momento que estavam a disputar. As palavras do capitão Morten Hjulmand após o encontro, assumindo a insuficiente atitude da equipa, acabaram por confirmar aquilo que muitos adeptos sentiram durante os noventa minutos. Mais tarde, também Frederico Varandas surgiu a público para apontar responsabilidades, numa reação que muitos consideraram tardia perante uma época que termina sem títulos. E essa ausência de conquistas acaba inevitavelmente por lançar novas dúvidas sobre o futuro de Rui Borges. Apesar da recente renovação contratual e de uma temporada em que o Sporting produziu, em muitos momentos, um futebol atrativo e de qualidade, a verdade é que os títulos continuam a ser a principal moeda de avaliação nos grandes clubes. O contraste entre Sporting e Torreense no final da época é curioso. O Sporting termina sem troféus, apesar da qualidade exibicional demonstrada em muitos momentos da temporada. O Torreense termina sem subida de divisão, apesar da conquista do troféu mais importante da sua história. Mas enquanto em Alvalade predominam as dúvidas e as reflexões sobre o futuro, em Torres Vedras sobra orgulho e euforia. Com um bom planeamento da direção do clube, a subida de divisão pode voltar a ser discutida já na próxima época. Já uma Taça de Portugal conquistada por uma equipa da II Liga continuará a ser um feito que atravessará gerações. E talvez por isso, apesar da desilusão do play-off, esta continue a ser a época mais bonita que o Torreense alguma vez viveu.

Em Oslo o campeão voltou e trouxe também despedidas
28 maio

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Em Oslo o campeão voltou e trouxe também despedidas

Oslo viveu uma tarde inesquecível, daquelas que ficam guardadas para sempre na memória de quem ama futebol. A cidade norueguesa encheu-se de cor, emoção e paixão para receber a final da UEFA Women’s Champions League entre o FC Barcelona Feminí e o Olympique Lyonnais Féminin, duas equipas grandes que representam o mais alto nível do futebol feminino mundial. O Barcelona chegava a esta final marcado pela dor da derrota sofrida na época passada, em Lisboa, diante do Arsenal. A memória dessa noite ainda estava viva nas jogadoras e adeptos, e por isso esta final representava muito mais do que apenas a vitória pelo troféu. Era a oportunidade de recuperar o orgulho, de voltar ao topo da Europa e de mostrar novamente porque esta geração blaugrana marcou uma era no futebol feminino. Do outro lado estava um Lyon experiente, histórico e habituado a grandes decisões. As francesas entraram fortes, dominadoras e determinadas a conquistar a nona Liga dos Campeões da sua história. Durante a primeira parte, foram mesmo superiores em vários momentos do jogo e chegaram a festejar um golo aos 14 minutos, quando Heaps aproveitou uma defesa de Cata Coll após cabeceamento de Renard. No entanto, o lance acabaria anulado por fora de jogo.O Barcelona sentia dificuldades, mas conseguiu resistir graças à enorme exibição da guarda-redes Cata Coll, que apareceu várias vezes para impedir o golo francês. Na segunda parte tudo mudou. O Barcelona voltou dos balneários mais confiante, mais eficaz e muito mais perigoso no ataque. Aos 56 minutos apareceu o primeiro momento decisivo da final. Ewa Pajor com enorme classe, fez o 1-0 para as catalãs. Um golo cheio de simbolismo para uma jogadora que carregava o peso de várias finais perdidas ao longo da carreira.Treze minutos depois chegou o segundo. Salma Paralluelo apareceu no momento certo dentro da área e ofereceu o bis a Pajor.A festa ficou completa nos minutos finais. Aos 86 minutos entrou em campo Kika Nazareth, vivendo um dos momentos mais importantes da sua carreira. A internacional portuguesa tornou-se campeã europeia e escreveu o seu nome na história do futebol português. Pouco depois, Salma Paralluelo brilhou ainda mais com dois golos. O resultado final de 4-0 acabou por ser pesado para o Lyon, sobretudo pelo equilíbrio que existiu durante grande parte da partida, mas premiou a eficácia e qualidade coletiva do Barcelona. As blaugranas conquistaram assim a quarta Liga dos Campeões da sua história, reforçando ainda mais o domínio europeu dos últimos anos.Mas esse dia em Oslo teve ainda um significado especial. Não foi apenas uma final europeia. Foi também a despedida de uma das maiores jogadoras de todos os tempos: Alexia Putellas. No dia 23 de maio de 2026, Alexia levantou pela última vez a Liga dos Campeões como jogadora do Barcelona. Depois de 14 anos dedicados ao clube catalão, a capitã despediu-se da equipa que ajudou a transformar numa referência mundial. Foi um momento emocionante, carregado de simbolismo, lágrimas e reconhecimento. Foto instragram Alexia Putellas Alexia Putellas não deixa apenas títulos, golos ou prémios individuais. Deixa um legado imenso para o futebol feminino. Foi uma das principais figuras mundiais da modalidade, inspirando milhões de crianças e jovens atletas. Durante muitos anos os miúdos diziam querer ser como o Ronaldo ou Messi. Hoje, dizem que querem ser Alexia.A internacional espanhola ajudou a mudar mentalidades, a aumentar a visibilidade do futebol feminino e a mostrar ao mundo que as mulheres também podem encher estádios, criar ídolos globais e emocionar multidões.Uma despedida perfeita para uma lenda que deu tudo pelo clube, pela modalidade e por várias gerações de jovens jogadoras que hoje acreditam ainda mais nos seus sonhos graças ao caminho que ela ajudou a abrir. Agora a internacional espanhola vai rumar a outra equipa, outro campeonato a outro desafio.Oslo assistiu não apenas à coroação de mais um campeão europeu, mas também ao encerramento de uma era inesquecível. Uma noite de futebol, emoção, fair play e história. Uma noite em que o futebol feminino voltou a ganhar.

Escrevi um Livro
Sou Treinador
Não Sou Escritor
22 maio

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Escrevi um Livro Sou Treinador Não Sou Escritor

Há uma coisa que aprendi depressa quando decidi escrever o meu livro “Sem Vagas Para a Paixão”, que relata de forma genuína e sincera, as dificuldades que eu tive e que muitos treinadores passam hoje em dia para conseguirem tirar os seus cursos de treinador em Portugal: as pessoas não sabem muito bem o que fazer com a honestidade. As pessoas estão habituadas ao polido. Ao marketing. À narrativa construída para impressionar. Quando aparece alguém a contar que dormiu em quartos de hostel, que passou noites sem dormir, que foi para Andorra porque em Portugal o sistema não lhe deu alternativa - isso desconforta. Ou então, para alguns, diverte. Muito sinceramente, não me importa nem uma coisa nem outra. Escrevi este livro porque senti que tinha de o fazer. Não com pretensões literárias. Não para ganhar prémios. Escrevi porque foi o meu escape Escrevi porque precisava de desabafar nos dias mais difíceis. Escrevi porque há demasiados treinadores jovens a começar este caminho sem perceber o que os espera. E alguém tinha de o dizer. Eu decidi ser o primeiro a fazê-lo por escrito, num relato sincero. Em Portugal, conseguir acesso a um curso de treinador de futebol UEFA A ou UEFA PRO demora mais, custa mais, e exige mais sacrifício pessoal do que tirar um curso de direito ou de medicina. Isto não é uma opinião. É uma realidade que quem vive por dentro do futebol, de quem conhece bem e raramente fala em voz alta. Eu falei. Oito meses. Sozinho. Com tudo o que isso implica a nível pessoal, financeiro e emocional. Não foi uma aventura. Foi uma escolha difícil, feita por alguém que recusou aceitar que o sistema tinha a última palavra. O livro já chegou a treinadores que me escreveram a dizer que se reconheceram naquelas páginas. Que sentiram que não estavam sozinhos. Para mim, isso vale mais do que qualquer prémio literário ou do que o dinheiro das vendas do livro. As redes sociais estão cheias de ruído. De gente que vive a destilar ódio. Páginas que comentam, que ironizam, que transformam tudo em conteúdo descartável. É o modelo. Eu percebo. Mas há uma diferença entre fazer barulho e ter algo a dizer. Este livro tem algo a dizer. Não é perfeito. Eu não sou escritor, como disse desde o primeiro dia. Sou treinador de futebol. E foi exatamente por isso que o escrevi - porque a história era minha, e ninguém a ia contar por mim. E isso, no fundo, é o que separa quem faz algo por ser alguém e conseguir alcançar os seus sonhos, de quem se limita a comentar apenas o que os outros fazem.

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