
Esta é, assim, a primeira parte de uma investigação dedicada aos “eternos” do futebol distrital, e o Atlântico serve de cenário para a formação de uma seleção de veteranos que representam a alma indomável do futebol insular. São atletas que continuam a calçar as chuteiras, a liderar os balneários e a encantar as bancadas, provando que a mestria e a paixão não têm prazo de validade.
A espinha dorsal desta equipa é, pois, forjada em anos de serviço e conhecimento tático, uma verdadeira muralha onde a velocidade é substituída pela leitura de jogo. Na baliza, encontramos Ricardo Careca, do Câmara de Lobos, com 44 anos. O seu nome, que evoca lendas do futebol, é sinónimo de segurança e reflexos apurados, essenciais para comandar a defesa.
O trio de centrais é, então, o coração desta longevidade. Hélder Silva, do CD Lajense, é o mais velho de todo o plantel, com impressionantes 49 anos, que jogou a vida toda no mesmo clube. Desde a temporada 1990/91 que Hélder Silva só conhece o amarelo e preto das Lajes.

Ao seu lado, a experiência de Nuno Sociedade (46, Santiago) e a combatividade de Seninho (43, Guadalupe) completam uma linha defensiva que, mais do que defender, ensina.
Nas alas, a responsabilidade de percorrer o campo é entregue a dois atletas que conhecem cada metro quadrado dos seus relvados. Pela esquerda, Rui Jorge (48, Marítimo Graciosa) demonstra uma capacidade física notável, enquanto na direita, de forma adaptada, Flávio Silva (43, Choupana) garante a profundidade e o equilíbrio.

O centro do terreno é, pois, onde a inteligência tática destes veteranos brilha com mais intensidade. O trio de médios é composto por jogadores que ditam o ritmo do jogo com a calma de quem já viu tudo no futebol. Eliomar Ribeiro (44, Calheta) assume a posição de maestro, com a sua visão de jogo a compensar qualquer perda de velocidade.

Ao seu lado, Agostinho (42, Pontassolense) e, um pouco mais à frente, Márcio Ávila (43, Graciosa) formam uma dupla de pulmão e distribuição. São eles que garantem a ligação entre a defesa e o ataque, controlando a posse e a transição.
No ataque, a dupla para finalizar as jogadas é uma combinação de força e oportunismo. Amunike (41, Guadalupe) traz a experiência de um um verdadeiro matador que não precisa de muitas oportunidades para marcar.

A fazer-lhe companhia, Hugo Santos (42, Vitória do Pico da Pedra), capaz de ferir o adversário quando menos se espera. Juntos, representam, assim, a eficácia e a frieza que só os anos de futebol podem proporcionar, provando que a pontaria não se perde com a idade.
A qualidade desta seleção de veteranos não se esgota, pois, no onze inicial. O ‘banco de suplentes’ é um repositório de experiência pronto a entrar em campo e manter o nível. Na baliza, a profundidade é, assim, garantida por Pedro Correia (44, Águia CD), Rui Puim (43, Fayal) e Roberto Soares (43, Calheta).

Para a defesa, Celso Varandas (48, Machico B), Décio Aguiar (45, Cruzado Canicense), Rui Silveira (42, SC Barreiro) e Dinarte Nóbrega (40, Choupana) são, pois, opções sólidas.
No meio-campo, Álvaro Silveira (40, Flamengos) está pronto para injetar nova energia e controlo. Por fim, no ataque, Patrick Santanna (40, Vitória do Pico da Pedra) e Júlio Jacinto (40, Santacruzense) são os trunfos para os momentos decisivos.
A idade é muito mais do que apenas um número, e este quórum de atletas que o diga! A próxima etapa desta investigação levar-nos-á a outras regiões de Portugal, faltando ainda o Norte, Centro e Sul de Portugal Continental, mas a fasquia da longevidade foi colocada bem alta pelos mestres insulares.

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