Aos 36 anos, Zeca cumpre aquela que deverá ser a última época da carreira ao serviço do Panathinaikos, para onde voltou em 2023/24 depois de seis épocas ao serviço do FC Copenhaga. Na Dinamarca, foi então capitão de equipa e sagrou-se campeão três vezes por um clube onde viu surgir um jovem Morten Hjulmand na equipa principal em 2017/18. “Era um miúdo que não falava muito, calado. Mas o Hjulmand já tinha uma grande personalidade aos 19 anos”, conta o médio internacional grego ao Craques.pt.
No Copenhaga, onde assume ter vivido “os melhores anos no futebol”, Zeca chegou a ser considerado o melhor futebolista da liga dinamarquesa em 2019 e capitaneou a equipa comandada por Stale Solbakken e recheada de bons jogadores e internacionais dinamarqueses como Rasmus Falk, Viktor Fischer, Kvist ou Robert Skov.
Nada que atemorizasse Hjulmand. “Ele não tinha medo, disputava os duelos de forma forte e sem pensar com quem era. Mostrava vontade de aprender e tinha qualidade com bola no pé. O mister Solbakken incentivava-o muito. Participava muito nos treinos, embora não jogasse porque tínhamos grandes jogadores no meio-campo. Tinha pouco espaço”, explica.
A abundância de opções na equipa levou Hjulmand a deixar o Copenhaga na época seguinte para representar os austríacos do Admira Wacker. Voltou a dar nas vistas quando vestiu a camisola do Lecce.
“Quando saiu do Copenhaga, perdi-lhe o rasto. Mas depois quando o vi a jogar no Lecce, achei-o mais evoluído. Pensei mesmo: ‘Que bomba’. A mostrar aquela personalidade já que tinha aos 19 anos, mas mais maduro, a pedir a bola e a assumir o jogo. Percebi logo que não ia ficar muito tempo no Lecce”, diz Zeca.
Não teria sido melhor o Copenhaga ter esperado por Hjulmand? “Nesta altura, é fácil dizer que teria dado jeito ter ficado no clube. Mas o futebol é o momento e havia muita qualidade naquela altura”, confessa
Após duas épocas e meia no futebol italiano, Ruben Amorim antecipou-se ao interesse da Roma e escolheu Hjulmand para se tornar no patrão do meio-campo do Sporting, onde é, aos 25 anos, uma das figuras da equipa, a par de Viktor Gyökeres. “Não me surpreende o que ele tem feito no Sporting, sobretudo a forma adulta como se mostra neste patamar”, diz.
Mas Hjulmand superou mesmo as expetativas de Zeca num capítulo, ainda que esse desfecho esteja ligado à grande personalidade que o médio já tinha aos 19 anos.
“Tenho de confessar que me surpreendeu o facto de ter sido capitão do Sporting com tão pouco tempo de clube. Ainda para mais numa equipa que conta com o Pote, Nuno Santos ou o Trincão. Mas é a prova de que é uma voz forte no balneário e uma peça fundamental.”
E, então, finaliza: “O Sporting é uma equipa com Hjulmand e outra totalmente diferente sem ele.”
Nesta altura, também já Brian Riemer, selecionador da Dinamarca deve pensar o mesmo em relação à sua equipa, que defronta hoje Portugal na 1ª mão dos quartos-de-final da Liga das Nações.