
Rui Borges. Foto: Reuters
Nuno Farinha|No final do próximo mês de dezembro, pela semana no Natal, completa-se um ano sobre a chegada de Rui Borges ao Sporting. Na altura, para assumir um “leão à beira de um ataque de nervos” – após a desastrada passagem de João Pereira pelo banco de Alvalade, na sequência da saída de Ruben Amorim para Manchester.
Passou-se de um estado de felicidade pura e, até, euforia (com Amorim) para uma depressão absoluta com o jovem técnico que Frederico Varandas tinha decidido promover da equipa B à principal (João Pereira). Foi isso que Rui Borges herdou: um Sporting que tinha, subitamente, caído a pique e que, no espaço de um mês (22 de novembro a 22 de dezembro) venceu apenas 3 dos 8 jogos que disputou, tendo somado 4 derrotas consecutivas! As três vitórias de João Pereira foram frente ao Amarante (Taça de Portugal), Boavista (por 3-2, em casa, frente à pior equipa da I Liga) e Santa Clara (por 2-1, no prolongamento, em Alvalade, também para a Taça de Portugal).
Após um empate em Barcelos (0-0), Varandas decidiu terminar com aquela agonia e, aceitando a sugestão de Hugo Viana (diretor desportivo), apostou em Rui Borges. O que aconteceu, então, do final de dezembro passado até ao início deste mês de novembro? O Sporting, com Borges, disputou um total de 45 jogos no conjunto das 5 competições em que participou (Liga, Taça de Portugal, Taça da Liga, Supertaça e Liga dos Campeões: venceu 30 (!) empatou 10 e perdeu apenas 5.
Um ano depois, mesmo assim, ainda há quem olhe com desconfiança para Rui Borges (mesmo internamente) e duvide da sua capacidade para ter sucesso de forma consistente numa equipa grande, com a dimensão do Sporting. Os números, porém, são esmagadores: o treinador do Sporting, no conjunto desses mesmos 45 desafios, tem uma média de 2,20 pontos conquistados por jogo (considerando eliminatórias e convertendo-as em potenciais 3 pontos por vitória). Se quisermos ir mais ao detalhe, o atual treinador do Sporting só perdeu frente a Leipzig, Borussia Dortmund, Benfica, FC Porto e Nápoles. Ou seja, três derrotas para a Liga dos Campeões, uma na Supertaça e uma na Liga. E perdeu, ainda, a Taça da Liga frente ao Benfica, embora apenas no desempate por penáltis.
Parece, até, difícil de acreditar, mas em quase um ano a liderar os leões, Rui Borges tem apenas uma derrota para o campeonato: em Alvalade, esta época, frente ao FC Porto. Pelo meio, venceu a Liga e a Taça de Portugal (dobradinha que o Sporting não conseguia há mais de 20 anos), disputou a final da Taça da Liga e ainda a Supertaça.
Com o jogo desta sexta-feira, frente ao Alverca, somou o 45º jogo pelo Sporting. Dentro de 11 partidas, o clube de Alvalade será aquele pelo qual Rui Borges realizou mais jogos enquanto técnico:
Mirandela: 55 jogos
Sporting: 45 jogos
Académico Viseu: 45 jogos
Académica: 44 jogos
Moreirense: 36 jogos
Vitória de Guimarães: 30 jogos
Nacional: 30 jogos
Vilafranquense: 24 jogos
Mafra: 15 jogos
Em 10 meses no Sporting, a equipa de Rui Borges marcou 97 golos (!) e venceu 66,6% dos jogos. Sem a Liga dos Campeões, e considerando apenas as provas domésticas, o treinador de Mirandela estaria, nesta altura, acima dos 70% de triunfos – um registo ao alcance de poucos treinadores em atividade.
Não é – longe disso – um treinador consensual e talvez nunca o venha a ser. Não tem o dom da palavra. Não tem facilidade em comunicar. Não conseguiu ainda convencer todos os que o rodeiam. Nem sequer a bancada de Alvalade. Mas, tirando o caso excecional de Ruben Amorim, quem foi o treinador dos leões, nas últimas décadas, que conseguiu aproximar-se daquilo que Rui Borges está a fazer?

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