
Hulk - 500 golos e uma vida a desafiar o impossível
João Esteves|Aos 39 anos, o antigo ídolo do FC Porto volta a inscrever o seu nome na história do futebol mundial. O golo número 500 foi tudo menos banal: símbolo de uma caminhada que começou no Japão, incendiou os relvados do Dragão e atravessou Rússia, China e Brasil, sempre com a mesma assinatura — potência, entrega e emoção. “Não tenho palavras. Só gratidão a todos os companheiros que estiveram comigo nesta caminhada”, confessou, visivelmente emocionado, depois da vitória sobre o Bahia. Hulk – 500 golos e uma vida a desafiar o impossível.
Ao longo de 908 jogos oficiais, Hulk marcou 500 vezes. Metade de um milhar de gritos, celebrações e memórias. A distribuição dos golos revela um percurso global:
– Atlético Mineiro: 132 golos em 281 jogos
– FC Porto: 95 golos em 186 jogos
– Zenit São Petersburgo: 94 golos em 179 jogos
– Shanghai SIPG: 93 golos em 158 jogos

– Japão (Tokyo Verdy, Consadole Sapporo e Kawasaki Frontale): 75 golos que moldaram o início de uma lenda
– Seleção do Brasil: 11 golos em 49 internacionalizações
Uma soma que fala, então, de longevidade e coerência. E também de reinvenção. Hulk nunca se limitou a acomodar-se numa zona de conforto — procurou sempre novos desafios, novas fronteiras, novos adversários para testar o seu corpo e a sua fé.
Em Portugal, Hulk será sempre o monstro do Dragão. Chegou quase desconhecido e saiu, então, idolatrado. Com 95 golos em 186 jogos e um rasto de títulos, velocidade e potência que marcaram uma era. Foi no FC Porto de Jesualdo Ferreira e André Villas-Boas que o brasileiro se transformou num fenómeno europeu. Arrebatando adeptos e críticos com remates que pareciam tiros de canhão.

O Dragão viu, então, nascer um símbolo que hoje o mundo celebra. E cada portista, ao ver este número redondo dos 500, reconhecerá um pouco da sua própria história nos festejos do antigo camisola 12 — o homem que rugia no Estádio do Dragão e que continua a rugir, uma década e meia depois, em Belo Horizonte.
A força física continua ali, mas o que impressiona é a mente. Hulk tornou-se, então, uma referência de profissionalismo e longevidade. “Muitos achavam que eu estava no fim da carreira. Mas não é a idade que faz a diferença — é o quanto te dedicas, o quanto te cobras internamente”, disse, então, o avançado, resumindo numa frase o segredo da sua eternidade.
Eterno, sim. Porque o futebol esquece depressa, mas guarda para sempre quem o fez sentir. E Hulk — com o seu nome de super-herói e o coração de operário — é daqueles que o jogo não esquece.
O golo frente ao Bahia não foi um ponto final. Foi uma vírgula. Um marco que resume uma vida inteira a desafiar o impossível, uma biografia escrita em golos, suor e fé.
Dos relvados de Tóquio ao Dragão, de São Petersburgo a Belo Horizonte, Hulk deixou, então, a sua marca em todas as camisolas que vestiu. E agora, aos 39, enquanto o relógio insiste em correr, ele insiste em provar que o tempo não o vence — apenas o aplaude.
Hulk chegou aos 500 golos. E com eles, selou, então, a certeza de que há rugidos que nunca se calam.

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