
Jorge Paixão: futebol é paixão sem fronteiras
Craques|Com uma carreira de treinador iniciada no final dos anos 90 do século passado, Jorge Paixão construiu um percurso, maioritariamente, internacional. Com passagens por Angola, Catar, Marrocos e, atualmente, Arábia Saudita, o técnico assume-se plenamente realizado a orientar os jovens do Al Nassr. “Sou muito feliz no trabalho que estou a desenvolver aqui”, garante, sublinhando que o foco está no crescimento tático dos jovens jogadores sauditas e na consolidação de um projeto que considera desafiante e motivador. Jorge Paixão: futebol é paixão sem fronteiras.
Jorge Paixão iniciou a carreira como treinador no Atlético Clube da Malveira, no final dos anos 90, movido por uma ligação profunda ao jogo. “Toda a minha vida tem sido futebol”, afirma, lembrando o passado como jogador e a influência de treinadores marcantes. “Eu tive a felicidade de ter bons treinadores como Mário Wilson, Manuel de Oliveira (…) Mas foi, de facto, Jorge Jesus quem me marcou mais naquilo que foi o treino e que me estimulou mais a ser treinador”, considera.

Desde cedo, assumiu-se como alguém com vontade de absorver conhecimento, num período em que o treino começava a mudar de paradigma. “Fui sempre um treinador muito interessado em aprender”, recorda.
A estreia a treinar fora de Portugal aconteceu, então, em Angola. Num contexto difícil, pouco tempo depois do fim da guerra. “Foi uma experiência difícil, mas que me fez enriquecer como treinador e ser humano”, explica.

Seguiu-se o Catar, com condições completamente distintas. “A minha primeira experiência no Médio Oriente, foi num país maravilhoso, onde não falta nada”. No entanto, o contraste cultural revelar-se-ia significativo. Sobretudo na mentalidade e no conhecimento tático do jogo, áreas onde sentiu que podia acrescentar valor.
A passagem por Marrocos foi, então, uma das fases mais positivas da carreira de Jorge Paixão. Tanto a nível desportivo como pessoal. “Foi uma experiência muito rica, onde tive muito sucesso. Fui considerado o treinador do ano e consegui atingir os objetivos do clube”, explica.

Já na Arábia Saudita, Jorge Paixão encontrou um contexto diferente, com jogadores talentosos, mas ainda em processo de evolução. “Há muita qualidade, mas é necessário melhorar o conhecimento e a perceção do jogo”, explica.
No Al Nassr, clube que define como “um desafio muito grande e muito bom”, a exigência é elevada. E o foco centra-se no desenvolvimento dos jovens atletas. Sobretudo no que diz respeito aos aspetos mentais e táticos, integrados num projeto formativo de dimensão internacional.

Deixar Portugal foi uma escolha ponderada e consciente. “Valeu a pena arriscar sair de Portugal”, garante. Além da estabilidade financeira, destaca o crescimento pessoal e cultural.
Hoje, não se imagina a regressar a solo português. “Não me vejo a treinar em Portugal, porque não me identifico com o futebol português”, conclui, assumindo-se plenamente realizado no percurso internacional que construiu.

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