
Ninguém pára Campinhos
Luís Paulo Valinhas Campos, mais conhecido como Campinhos, é o avançado de 33 anos que tem dado que falar no futebol distrital. Entre os demais goleadores a jogar em Portugal, onde brilham nomes como o de Viktor Gyökeres, é Campinhos quem tem sobressaído esta temporada. E é no Clube Recreativo e Cultural de Távora que joga um goleador de primeira linha: o fenómeno dos distritais leva, então, qualquer coisa como 54 golos em 29 jogos na 2.ª Divisão de Viana do Castelo. Ninguém pára Campinhos!
Estes números são uma surpresa para todos os que acompanham o futebol distrital em Portugal. E até para Campinhos. “Não imaginava que a época pudesse correr desta forma. Tudo se deve à consistência, à mentalidade e ao trabalho diário”, reconhece o goleador, que marca há 9 jogos seguidos nos quais fez… 23 golos, 7 deles na última jornada, em casa, diante do lanterna-vermelha Ilustre Caminha.
O futebol, sendo um desporto coletivo, engrandece determinados jogadores, mas eles não chegam lá sozinhos. “Os meus colegas têm sido fundamentais. Toda a ajuda dos colegas facilita o meu trabalho lá à frente. É um esforço coletivo”, explica.
Além disso, Campinhos atribui alguma ‘culpa’ dos seus 54 golos às táticas de Miguel Kitos, o atual treinador, e de André Sá, que começou a época. Embora sejam fórmulas diferentes, o Távora teve sempre “um bom caudal ofensivo”. Adiantou, também, que os modelos táticos dos dois treinadores “favorecem os avançados”, por serem muito ofensivos.

Mas a época do Capitão do Távora não se conta só pelos golos. Campinhos admite que “sente pressão própria” para superar-se a cada jogo, mas especialmente “pressão externa” dos rivais: ” Entram nos jogos muito focados em mim. Não querem que eu marque golos.”
O craque, nascido em Arcos de Valdevez, chegou a interromper a carreira na altura em que foi pai, por forma a poder “passar mais tempo com a filhota”. Mas, em dezembro de 2023, recebeu o convite do Presidente do Távora, António Sousa, um “grande amigo”, para voltar a jogar e ajudar o clube num momento em que a equipa estava nos últimos lugares da 1.ª Divisão.
No fim dessa temporada, o Távora desceu mas foi aí que Campinhos decidiu, então, prolongar a carreira, para ajudar a equipa a subir. “Acabámos por descer de divisão. Aconteceu o pior. Se no ano passado não tivéssemos descido, eu tinha terminado (a carreira). Não teria continuado a jogar. Mas como o Távora desceu, senti-me na ‘obrigação’ de ficar mais um ano para, pelo menos, assegurar a subida”.

Campinhos, tal como Tiago Morais, jogou em todos os 31 jogos da equipa, no campeonato e na taça, neste ano de tentativa de regresso ao principal escalão da AF Viana do Castelo. “Faltam cinco jogos muito difíceis, em que vamos a três campos complicados. Matematicamente ainda é possível subirmos de divisão e sermos campeões, embora seja mais difícil. Estamos focados no objetivo e queremos dar essa alegria ao Távora, para colocar o clube na 1.ª Divisão. Onde merece estar”, concluiu.
Refira-se que o Távora ocupa atualmente o 4º lugar da 2ª Divisão da AF Viana do Castelo, com 65 pontos, a 5 do AD Fachense, 2º classificado, que está em lugar de subida. Mas, até ao fim da época, o Távora ainda defronta hoje o Raianos (10º, fora) e, nas próximas jornadas, ADC Perre (9º, casa), Os Torreenses (7º, fora), ARC Paçô (8º, casa) e Lanhelas (5º, fora). Um calendário, de facto, difícil mas quem tem Campinhos… pode sonhar.

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