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Em Oslo o campeão voltou e trouxe também despedidas

Em Oslo o campeão voltou e trouxe também despedidas

Sara SalgueiraSara Salgueira|

Oslo viveu uma tarde inesquecível, daquelas que ficam guardadas para sempre na memória de quem ama futebol.

A cidade norueguesa encheu-se de cor, emoção e paixão para receber a final da UEFA Women’s Champions League entre o FC Barcelona Feminí e o Olympique Lyonnais Féminin, duas equipas grandes que representam o mais alto nível do futebol feminino mundial.


O Barcelona chegava a esta final marcado pela dor da derrota sofrida na época passada, em Lisboa, diante do Arsenal. A memória dessa noite ainda estava viva nas jogadoras e adeptos, e por isso esta final representava muito mais do que apenas a vitória pelo troféu. Era a oportunidade de recuperar o orgulho, de voltar ao topo da Europa e de mostrar novamente porque esta geração blaugrana marcou uma era no futebol feminino.


Do outro lado estava um Lyon experiente, histórico e habituado a grandes decisões. As francesas entraram fortes, dominadoras e determinadas a conquistar a nona Liga dos Campeões da sua história. Durante a primeira parte, foram mesmo superiores em vários momentos do jogo e chegaram a festejar um golo aos 14 minutos, quando Heaps aproveitou uma defesa de Cata Coll após cabeceamento de Renard. No entanto, o lance acabaria anulado por fora de jogo.
O Barcelona sentia dificuldades, mas conseguiu resistir graças à enorme exibição da guarda-redes Cata Coll, que apareceu várias vezes para impedir o golo francês.


Na segunda parte tudo mudou. O Barcelona voltou dos balneários mais confiante, mais eficaz e muito mais perigoso no ataque. Aos 56 minutos apareceu o primeiro momento decisivo da final. Ewa Pajor com enorme classe, fez o 1-0 para as catalãs. Um golo cheio de simbolismo para uma jogadora que carregava o peso de várias finais perdidas ao longo da carreira.
Treze minutos depois chegou o segundo. Salma Paralluelo apareceu no momento certo dentro da área e ofereceu o bis a Pajor.
A festa ficou completa nos minutos finais. Aos 86 minutos entrou em campo Kika Nazareth, vivendo um dos momentos mais importantes da sua carreira. A internacional portuguesa tornou-se campeã europeia e escreveu o seu nome na história do futebol português. Pouco depois, Salma Paralluelo brilhou ainda mais com dois golos.


O resultado final de 4-0 acabou por ser pesado para o Lyon, sobretudo pelo equilíbrio que existiu durante grande parte da partida, mas premiou a eficácia e qualidade coletiva do Barcelona. As blaugranas conquistaram assim a quarta Liga dos Campeões da sua história, reforçando ainda mais o domínio europeu dos últimos anos.
Mas esse dia em Oslo teve ainda um significado especial. Não foi apenas uma final europeia. Foi também a despedida de uma das maiores jogadoras de todos os tempos: Alexia Putellas.


No dia 23 de maio de 2026, Alexia levantou pela última vez a Liga dos Campeões como jogadora do Barcelona. Depois de 14 anos dedicados ao clube catalão, a capitã despediu-se da equipa que ajudou a transformar numa referência mundial. Foi um momento emocionante, carregado de simbolismo, lágrimas e reconhecimento.

Foto instragram Alexia Putellas


Alexia Putellas não deixa apenas títulos, golos ou prémios individuais. Deixa um legado imenso para o futebol feminino. Foi uma das principais figuras mundiais da modalidade, inspirando milhões de crianças e jovens atletas. Durante muitos anos os miúdos diziam querer ser como o Ronaldo ou Messi. Hoje, dizem que querem ser Alexia.
A internacional espanhola ajudou a mudar mentalidades, a aumentar a visibilidade do futebol feminino e a mostrar ao mundo que as mulheres também podem encher estádios, criar ídolos globais e emocionar multidões.
Uma despedida perfeita para uma lenda que deu tudo pelo clube, pela modalidade e por várias gerações de jovens jogadoras que hoje acreditam ainda mais nos seus sonhos graças ao caminho que ela ajudou a abrir. Agora a internacional espanhola vai rumar a outra equipa, outro campeonato a outro desafio.
Oslo assistiu não apenas à coroação de mais um campeão europeu, mas também ao encerramento de uma era inesquecível. Uma noite de futebol, emoção, fair play e história. Uma noite em que o futebol feminino voltou a ganhar.

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