
Foto Sporting modalidades
Wilson Teixeira|E fui, com um propósito.
Sabia que iria sair de lá com uma certeza.
A de que iria ter a oportunidade de assistir a mais uma página do fim de uma era.
Mas também com a certeza de que o legado que fica é eterno.
Estive no primeiro jogo do João Matos ao serviço da equipa principal de futsal do Sporting Clube de Portugal.
No Pavilhão Paz e Amizade, em Loures, em 2005.
Sporting contra o Sporting de Braga. Há mais de 20 anos atrás.
Celebrava-se o centenário do clube.
E apesar de a minha área profissional ser mais ligada ao futebol de 11, o futsal sempre foi uma modalidade desportiva que me encantou, pela dinâmica do jogo, pela emotividade e pela competitividade.
Por isso, tentava e tento sempre acompanhar tudo o que posso, mesmo sem entender muito da parte mais técnico-tática, deste desporto em específico.
Que apesar de ser parecido em muita coisa com o futebol de 11, tem as suas particularidades.
Era uma época diferente.
Uma época em que clubes como a Fundação Jorge Antunes, o SL Olivais, o Freixieiro, o Belenenses e o Sassoeiros eram realidade na Liga Portuguesa de Futsal e brilhavam. Uma época em que o futsal português tinha uma identidade própria, uma rivalidade local, uma tapeçaria de clubes e histórias que hoje, infelizmente, já poucos se lembram.
E ali se estreava um miúdo. Tímido. Novo. Ainda sem saber o que ia ser.
Saltou-me logo à vista, a entrega que ele tinha em cada lance.
João Matos, de seu nome.
Ao lado dele, nomes que para qualquer adepto de futsal daquela geração soam a saudade: o Déo – um craque de 1,54 metros de altura (que ainda hoje joga no Cazaquistão aos 43 anos) e de que quem o viu jogar em Portugal guarda uma memória carinhosa.
E havia também o Zézito e o João Benedito.
Capitães. Exemplos. Homens que certamente ajudaram a moldar o carácter do menino João Matos, que ali acabava de chegar.
Vinte e um anos depois, estiva em Itália e vi o João a levantar, Liga dos Campeões.
Há números que impressionam. E depois há os números do João Matos.

Mais de 800 jogos oficiais pelo Sporting.
O jogador com mais jogos de sempre na UEFA Futsal Champions League: mais de 70 presenças, um recorde absoluto que nunca ninguém tinha chegado sequer perto.
Recordista de internacionalizações por Portugal, com mais de 209 jogos pela Seleção Nacional. Três Champions League. Doze campeonatos nacionais. Dez Taças de Portugal. Nove Supertaças. Quatro Taças da Liga. Comendador da Ordem do Mérito e da Ordem do Infante D. Henrique. Duas vezes Campeão da Europa por Portugal. Campeão do Mundo por Portugal. Imaginem o que seria um jogador de futebol de 11 com este palmarés!
E aqui está o pormenor que diz tudo: o João Matos tem, sozinho, mais títulos do que os clubes da Liga Portuguesa de Futsal.
Deixa isso assentar.
Um só jogador. Com mais títulos do que clubes inteiros.
Há algo igual no mundo? Em qualquer outro desporto?
Se houver exemplos parecidos, digam-me.
Na final de Pesaro contra o Palma, na primeira parte, Diogo Santos viu o segundo amarelo e foi expulso. O Sporting ficou em inferioridade numérica durante dois minutos. Nuno Dias olhou para o banco. E lançou o João Matos. Com 39 anos. Na final da Champions. Para gerir uma inferioridade numérica nos momentos mais decisivos do jogo. E ele foi. Sem hesitar. Sem questionar. Como sempre fez.
Quando foi preciso, estava lá. É o que define um capitão na verdadeira aceção da palavra. Não é a braçadeira. Não é o discurso bonito antes do jogo. É a disponibilidade total quando a equipa mais precisa. Mesmo quando o papel é defender.
Mesmo quando não há glória visível naquilo que se faz.
O Sporting sobreviveu sem sofrer até ao intervalo. Foi para o intervalo a ganhar.
E ganhou a Champions num resultado por 2-0.
João Matos não marcou nenhum golo. Mas esteve lá quando importava. Mais uma vez.

Há algo que se tornou raro no desporto moderno.
Chamar-lhe lealdade é quase ingénuo nos dias de hoje.
Os jogadores mudam de clube, de país, de projeto.
Às vezes por dinheiro, às vezes por ambição, às vezes porque é mesmo a decisão certa. Não estou a julgar ninguém.
Mas apesar de todas as oportunidades que teve, o João Matos ficou. Ficou sempre!
Vinte e um anos ao serviço do mesmo clube.
Desde os sub-13 em Alvalade até ao palco europeu mais importante do futsal.
Sem nunca vestir outra camisola. Sem nunca precisar de provar nada noutro sítio.
Ficou porque acredita. Ficou porque pertence.
“Isto é uma família para mim, tudo isso me faz ter um orgulho e um prazer enorme sempre que visto a camisola do Sporting”, palavras do João.
E não são palavras para a imprensa.
São palavras de quem passou vinte e um anos a demonstrá-las com atos.
Todos os dias
Quando o João Matos olha para o lado no balneário do Sporting, vê os irmãos gémeos Bernardo e Tomás Paçó. Também vê o talentoso Zicky Té.
Meninos que chegaram muito jovens ao clube e conseguiram alcançar a equipa principal. Hoje são idolatrados e vistos como exemplo.
Têm muito mérito, mas também tiveram a sorte, de cresceram naquele ambiente, com aqueles valores, com aquele capitão, João Matos, como espelho.
Isso não acontece por acaso. Acontece porque existe uma cultura. Uma identidade. Um exemplo que se transmite de geração em geração dentro de um balneário.
O João Matos foi esse exemplo para os Paçó e para o Zicky.
Como o Zezito e o João Benedito também foram para o João Matos em 2005.
É assim que os legados se constroem. É assim que se constrói mística.
É assim que os clubes grandes se perpetuam.
É assim que se escreve história.
E isso, no futebol de 11, infelizmente quase já não existe.

Poderá ser a última época do João Matos.
Ele próprio deixou o futuro em aberto – “há que ponderar e pôr os pratos na balança”, disse em Pesaro, depois do título.
Mas enquanto o campeonato nacional ainda está por decidir, sei que ele vai querer mais. Vai querer esse título também. Porque é quem ele é.
Independentemente do que decidir, há uma coisa que precisa de ser dita em voz alta.
O João Matos merece aplausos de pé no Pavilhão João Rocha.
Mas merece também ser reconhecido no Estádio José de Alvalade, diante de todos os sportinguistas, de pé.
Merece que o Sporting o mantenha ligado ao clube quando deixar de jogar.
Seja como adjunto, seja como diretor, seja de que forma ele e o clube entenderem melhor. Porque o que o João Matos sabe sobre o Sporting, sobre o futsal, sobre o que significa ganhar com carácter, não se encontra em nenhum livro ou manual de instruções.
Merece também o reconhecimento de todos os portugueses que amam o desporto. Não só os adeptos do Sporting. Todos. Porque este homem deu muito também à Seleção Nacional.
No futebol falamos muito de lendas.
Mas as lendas não são exclusivas do futebol.
João Matos é uma lenda do Sporting. É uma lenda do futsal português.
E é uma lenda do desporto.
É um dos maiores desportistas que este país produziu.
E se ainda não recebeu o reconhecimento que merece de forma pública e unânime, está na altura de isso mudar.
Antes que seja tarde demais para dizer obrigado enquanto ele ainda está em campo.
Eu que não sou muito dessas coisas, no final do jogo de futsal, em Pesaro, fiz questão de estar presente, de chamar o João Matos, dar-lhe um abraço, e dizer-lhe OBRIGADO por tudo o que nos deu.
Não consegui conter a emoção, fiquei com a voz embargada e as lágrimas nos olhos.
Porque não é todos os dias que podemos abraçar uma lenda.

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