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Uma Champions de emoções extremas: o FC Porto reinou, Gonçalo Alves encantou e o hóquei português tomou conta da Europa

Foto Instagram Fc Porto

Uma Champions de emoções extremas: o FC Porto reinou, Gonçalo Alves encantou e o hóquei português tomou conta da Europa

Tiago CamposTiago Campos|

FC Porto conquista a 4ª Champions League da sua história ao derrotar o colosso europeu FC Barcelona por 3-1 na grande final disputada em Coimbra.


O Pavilhão Multidesportos Dr. Mário Mexia, em Coimbra, recebeu a Final 8 da Champions League de hóquei em patins.

A competição terminou da melhor forma possível para o hóquei português: com o FC Porto novamente no topo da Europa. Mas reduzir esta edição da competição apenas ao triunfo azul e branco seria profundamente injusto para tudo aquilo que se viveu ao longo de vários dias de enorme intensidade competitiva, emocional e ambiental.

Porque esta Champions teve de tudo: grandes jogos, pavilhões ao rubro, desilusões inesperadas, ambientes absolutamente extraordinários, e a confirmação de que Portugal continua a ser uma das grandes potências mundiais da modalidade.

Os dragões foram, sem grande discussão, a equipa mais consistente da competição. Num percurso de enorme maturidade competitiva, o FC Porto conseguiu algo particularmente difícil neste nível: crescer emocionalmente à medida que a exigência aumentava.

Foto Instagram FC Porto

A equipa de Paulo Freitas apresentou-se muito intensa defensivamente, mais equilibrada nos momentos de pressão e tremendamente competente na gestão emocional dos jogos decisivos.

E depois houve Gonçalo Alves. Gonçalo Alves foi o rosto desta Champions. Se houve jogador que simbolizou esta Final 8, foi ele.

Decisivo nos momentos importantes (principalmente numa meia-final imprópria para cardíacos contra o OC Barcelos, onde o FC Porto teve de recuperar de desvantagem por três vezes), líder emocional da equipa, agressivo competitivamente e tecnicamente brilhante, Gonçalo Alves foi o grande jogador da competição. É indubitavelmente um dos melhores jogadores do mundo.

Marcou, assistiu, desbloqueou jogos e apareceu sempre nos momentos onde o FC Porto mais precisava de alguém capaz de assumir responsabilidade. Numa Final 8 recheada de talento nacional e internacional, acabou por ser o português quem mais brilhou.

Uma menção honrosa a Hélder Nunes, um dos melhores jogadores do mundo da última década. Apesar do seu impacto ser cada vez mais diminuto na equipa portista e de estar longe da sua melhor versão, o talentoso defesa-médio internacional português consegue conquistar o único grande título que lhe faltava na sua brilhante carreira. Um título que perseguiu durante mais de 10 anos, e que merecia por toda a sua trajectória, e pelo tanto que deu ao hóquei em patins.

O OC Barcelos perdeu… mas ganhou respeito europeu. Se o FC Porto conquistou o título, o OC Barcelos conquistou admiração.

Partiram para esta competição como os campeões europeus em título, e provaram-no de que essa conquista não foi fruto do acaso ou da chamada “lotaria” das grandes penalidades.

Perderam Danilo Rampulla, Pol Manrubia, Conti Acevedo e Poka, tiveram de reconstruir grande parte do seu plantel para esta época, mas demonstraram uma vez mais que são uma grande equipa, e que jamais pode e deve ser menosprezada.

A equipa minhota voltou a patentear uma personalidade competitiva extraordinária, competindo olhos nos olhos com qualquer adversário e empurrada por uma massa adepta absolutamente impressionante, tendo sido apenas travada nas grandes penalidades perante o quadro azul e branco, sendo que nesse jogo, foi muitas vezes superior aos comandados de Paulo Freitas.

Aliás, poucos ambientes foram tão marcantes nesta competição como o apoio incessante dos adeptos barcelenses, capazes de transformar cada jogo quase numa extensão emocional da cidade. A equipa minhota caiu apenas nos detalhes.
E caiu de pé.

O Benfica viveu talvez a competição mais contraditória de todas. A nível emocional, voltou a contar com uma massa adepta apaixonada, intensa e absolutamente comprometida com a equipa. Mas dentro da pista, os encarnados deixaram novamente a sensação de que podiam ter ido mais longe.

Houve qualidade ofensiva, momentos de grande hóquei e jogadores em bom plano. Mas também houve demasiados erros defensivos, alguma instabilidade emocional e dificuldades claras nos momentos decisivos. E numa competição deste nível, isso paga-se caro.
As sensações deixadas nuns quartos-de-final agónicos contra os espanhóis do Reus (apenas decidido nas grandes penalidades) já deixava antever de que a máquina bem oleada de Edu Castro, está a engrenar com mais dificuldade na fase decisiva da época, onde os títulos se decidem.

Há duas semanas, havia sido eliminado pelo OC Barcelos nas meias-finais da Taça de Portugal, na Champions League não conseguiu inverter o rumo dos acontecimentos perante um Barcelona cínico, mas igualmente maduro e eficaz.

Se houve equipas que ficaram claramente abaixo das expectativas, essas equipas foram o Sporting e o HC Liceo.

O Sporting nunca conseguiu verdadeiramente afirmar-se competitivamente na prova, deixando uma sensação de fragilidade pouco habitual numa equipa construída para lutar por títulos europeus, e sendo a actual campeã mundial de clubes, não tendo conseguido desmontar a bem organizada e compacta defesa do Barcelona, que foi letal nos momentos-chave da partida.

Já o HC Liceo apareceu muito distante da imagem forte que costuma apresentar internacionalmente. A equipa espanhola (vencedora da fase regular da liga espanhola) revelou dificuldades em acompanhar o ritmo competitivo imposto pelos adversários e acabou por sair da competição sem deixar uma marca particularmente forte, sendo vergada a uma pesada derrota de 6-2 frente ao FC Porto nos quartos-de-final da prova.

Também o Barcelona esteve longe do que habituou os amantes do hóquei. Curiosamente, mesmo sem deslumbrar, os catalães continuaram tremendamente competitivos. Isso diz muito sobre a dimensão histórica e competitiva do clube mais titulado da prova (22 títulos no total, sendo o grande dominador da prova e o maior clube da história).

Sem o brilho ofensivo habitual e menos dominador coletivamente, o Barça acabou por sobreviver muito graças à experiência, ao talento individual de Ignacio Alabart, e à capacidade de competir sob pressão.

Mas nesta edição encontrou um FC Porto mais intenso (uns primeiros 20 minutos de luxo na final), mais preparado emocionalmente e simplesmente melhor nos momentos decisivos. O hóquei português continua vivo, e fortíssimo.

Esta Final 8 deixou uma ideia muito clara: o hóquei português continua ao mais alto nível no contexto internacional. Paulo Freitas (que já havia conquistado como jogador a primeira Champions League da história do FC Porto na época 1989/90), ganha a sua terceira Champions, depois de já o ter feito por duas vezes ao serviço do Sporting. Um início de trabalho esplêndido de um treinador que havia sido campeão europeu de seleções por Portugal há menos de um ano.

Pela qualidade competitiva das equipas, pelos ambientes criados nas bancadas e pela paixão que continua a envolver a modalidade, Portugal voltou a afirmar-se como um dos grandes centros emocionais e competitivos do hóquei mundial.

E no fim, entre sofrimento, emoções extremas grandes jogos e ambientes inesquecíveis… os dragões voltaram a reinar na Europa.

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