Lista final para o Europeu 2026? Certezas e dúvidas, pois claro!
Pedro Catita|
Estamos em contagem decrescente para o Campeonato da Europa 2026. Jorge Braz e os seus pupilos defrontam esta semana a Ucrânia, em Tavira, no “meu” Algarve, e, na sequência, já depois da quadra festiva, no arranque de 2026, será divulgada a lista dos bons rapazes da fase final.
O Euro 2026 vai ser disputado entre 21 de janeiro e 7 de fevereiro, na Eslovénia, Letónia e Lituânia
Milhares de adeptos da modalidade começam a puxar a sua veia de selecionador. Com e sem prancheta nas mãos, com e sem braçadeira no braço, com maior ou menor conhecimento, com maior dose de razão ou emoção, todos acreditam ter a lista ideal dos craques que garante o sucesso.
Desde o Europeu de 2003, em Caserta e Nápoles, que recordo este exercício. Todos asseguram que a (sua) lista é e será sempre sinónimo seguro de alcançar o mais alto lugar do pódio. Numa altura em que o futsal ainda vivia longe do reconhecimento social e mediático atual, com um leque de opções mais reduzido, já existiam opiniões absolutas. Hoje, com muito mais qualidade disponível, o cenário mantém-se essencialmente o mesmo: muitas certezas e várias dúvidas. Pois claro.
A definição do grupo final obriga a decisões difíceis, entre outras: número de pivôs, equilíbrio entre experiência e irreverência, polivalência, impacto no grupo e adequação ao modelo de jogo, potencial de elevado rendimento, otimizar modelo de jogador. Desafiante.
Pese embora a indissociável subjetividade associada aos critérios de decisão de cada um e de todos, há dados objetivos que obrigatoriamente têm que alicerçar as escolhas.
Convocatórias pós-Mundial 2024
Dito isto, e olhando para o momento atual e considerando que 14 (15) jogadores integrarão a lista final, arrisco os seguintes enquadramentos:
| Com mais “certezas”: Edu, Bernardo Paçó, e André Correia; Tomás Paçó, André Coelho, Afonso Jesus, Bruno Coelho, Pany, Kutchy, Lúcio Rocha, Tiago Brito, Pauleta
| Com mais “certezas”, se estiverem aptos: Erick, Zicky
| Com mais “dúvidas”: Hugo Neves, Ruben Góis, João Matos, Bruno Maior, Diogo Santos, Miguel Ângelo, Silvestre, Carlinhos, Diogo Basílio, Bruno Pinto
Primeira internacionalização e títulos pela Seleção dos atletas convocados pós-Mundial 2024
Na minha visão, há uma certeza absoluta: Jorge Braz e o seu staff são, de longe, os mais capazes e preparados para tomar as decisões mais acertadas.
Para o duplo embate dos próximos dias 19 e 21 de dezembro, diante da congénere ucraniana – uma das fortes candidatas aos lugares de honra, diga-se – os escolhidos são:
Guarda-redes: Edu (El Pozo Murcia, Espanha), André Correia (Benfica) e Bernardo Paçó (Sporting);
Fixos: André Coelho (Benfica) e Tomás Paçó (Sporting);
Fixo/ala: Afonso (Benfica);
Alas: Tiago Brito (Braga), Pany Varela (Benfica), Silvestre (Benfica), Lúcio Rocha (Benfica), Kutchy (Benfica), Pauleta (Sporting), Bruno Coelho (Riga Futsal, Letónia) e Miguel Ângelo (Fortitudo Pomezia, Itália);
Pivôs: Neves (Braga) e Rúben Góis (Rio Ave).
Com o estatuto de bicampeão europeu, Portugal entra no Euro 2026 como favorito e a história mostra que, mais do que nomes, é a coerência do processo que tem feito a diferença. Sublinhar que foi há quase dez anos (!) que ocorreu a última derrota em jogos oficiais – qualificações e fases finais – referentes ao Campeonato da Europa.
O grupo de Portugal no Euro 2026 é composto pela Itália, Polónia e Hungria
Pausa técnica I
| Mundial Feminino com futsal (mais) puro O recente Mundial Feminino deixou uma reflexão interessante: a beleza do futsal puro, do cinco contra cinco. A ausência do guarda-redes subido trouxe para o centro do jogo os fundamentos individuais, grupais e coletivos, relembrando a essência da modalidade e relevando as qualidades que o atleta deve apre(e)nder desde a base.
Talvez seja tempo de equacionar possíveis medidas nos escalões de formação que limitem esta utilização – tal como foi adotado no lançamento de baliza do guarda-redes – nomeadamente: guarda-redes não puder tocar na bola duas vezes nos 40×20, ou limite de quatro segundos em todo o campo, ou permitir apenas na segunda parte e prolongamento. Fica a reflexão.
Nota para o enorme mérito da Seleção Nacional pela histórica medalha de prata, pelas exibições coletivas e individuais e, em particular, pela primeira parte “perfeita” frente à Argentina que ficará gravada na memória de quem vive o futsal.
Pausa técnica II
| Oferecer bolas de Futsal no Natal Neste Natal, e a reboque do Mundial Feminino 2025, repito um desejo que expressei há mais de duas décadas após o Mundial da Guatemala 2000, contribuição humilde mas importante em prol da afirmação da modalidade: neste Natal ofereça uma bola de Futsal às crianças (sim, especificamente uma bola de Futsal). É uma excelente promoção e fomenta a vida ativa. Amigos e amigas: ofereçam bolas de Futsal.