
Rui Borges. Foto: Reuters
Wilson Teixeira|Mas quando se olha com honestidade para o que foi esta época do Sporting, percebe-se que o Rui Borges é apenas a ponta do iceberg.
E o que está debaixo de água é muito maior.
O Sporting empatou domingo à noite com o AVS – já despromovido, a cumprir calendário, sem nada para jogar.
São quatro jogos consecutivos sem vencer.
Apenas uma vitória na Amadora por 1-0, e três golos marcados nos últimos seis jogos.
Terceiro lugar na liga, a dez pontos do Porto e a três do Benfica, com menos um jogo.
O Porto pode ser campeão já no próximo sábado.
Para muitos, a época é um fracasso. O treinador é o culpado. A narrativa está feita.
Mas esse julgamento é preguiçoso. E sobretudo incompleto.
Os mercados de verão e de inverno, não correram como deviam.
O de verão acaba com a novela de Ioannids, que finalmente veio mas que passou a maior parte do tempo no “estaleiro”, e de um Jota que acaba por não vir.
Mas os dois mercados do Sporting não foram bons. Os “reforços” desta vez não foram o esperado. Não cumpriram. Não satisfizeram.
Apenas um dos reforços desta época do Sporting, Luis Suaréz, é atualmente titular indiscutível no melhor onze dos leões.
E não colmata a saída do jogador mais decisivo dos últimos anos: Gyokeres.
E como se não bastasse a escassez de qualidade dos reforços que chegaram, à semelhança da época passada, lesões destruíram o plantel nos momentos mais decisivos – Hjulmand é o caso mais recente e evidente, mas não foi caso único.
O mercado de janeiro não resolveu o que o verão não tinha resolvido.
A equipa B e os sub-23 que muitos dizem ter a profundidade que o plantel do Sporting precisa, revelaram-se insuficientes para suprir as necessidades de um plantel a competir em quatro frentes ao mesmo tempo.
E olhamos para essas duas equipas e achamos todos que dificilmente algum jogador que lá está, será solução a curto prazo no plantel principal do Sporting.
Talvez Rafael Nel, que na minha opinião é uma agradável surpresa e se tem afirmado.
Mas não é ainda um titular indiscutível. Nem essa pressão deveria ser sujeita a nenhum daqueles rapazes.
Isto não é opinião.
São factos que estiveram sempre à vista – só que ninguém quis olhar para eles enquanto o Sporting ainda estava vivo em tudo.
Vivia-se uma certeza quase absoluta que nunca se pode ter no futebol.
Que mal ou bem o Sporting iria ganhar algo.
E acredito que irá. Pelo menos, é na teoria favorito para vencer a final do Jamor frente ao Torreense.
Mas quererem agora crucificar o Rui Borges.
Claro que o homem comete errros.
Claro que se calhar em certos momentos devia mexer na equipa e não mexe.
Claro que se calhar em certos momentos gere mal a equipa ou toma opções erradas.
Mas conhecem algum treinador que não o faça?
O treinador trabalha com o que tem.
E a matéria prima no futebol é determinante.
A qualidade dos jogadores define a qualidade e os resultados de uma equipa.
E já é a segunda época de Rui Borges no Sporting, onde apesar da alegada “saúde financeira” que se vive em Alvalade, Rui Borges acaba por não ter um plantel apetrechado com as mesmas armas dos rivais e concorrentes diretos.
Os rivais, todos os anos colocam as fichas todas em cima da mesa.
Todos os anos têm contratado reforços em catadupa e investido muito mais do que o Sporting.
Rui Borges tem de tentar fazer muito com o pouco que lhe dão.
E quando o que tem é bom, mas desaparece a meio do caminho por lesões que ninguém consegue explicar, a margem de erro deixa de existir.
E não será só culpa do treinador, as lesões que existem.
Aliás, é mais do que famosa a teoria da criação de um “gabinete de performance”, que desde que foi criado no Sporting, parece ter trazido com ele mais lesões do que as que havia no passado.

Aqui está o que realmente importa para perceber o Sporting desta época.
A chegada aos quartos-de-final da Champions valeu 79,6 milhões de euros.
Se o Sporting terminar nos dois primeiros lugares da liga e regressar à Champions em 2026/27, entram mais 18,6 milhões de euros garantidos só pela presença na fase de liga.
Com uma campanha semelhante à desta época, pode voltar a fazer entre 60 a 80 milhões em prémios europeus.
E depois há os ativos. Só Maxi Araújo, Hjulmand e Diomandé valem, no mercado atual, entre 140 a 180 milhões de euros no total. Só com duas vendas estratégicas, o Sporting tem margem para reformular o plantel sem depender de financiamento externo.
Somando tudo: presença na Champions, prémios de desempenho e vendas de jogadores, o Sporting pode ter receitas a rondar os 250 milhões de euros numa única temporada.
Duzentos e cinquenta milhões de euros!
Alguém na Primeira Liga consegue competir com isso?
Depois do empate com o AVS, o Rui Borges disse que “o manto verde esteve em campo.” Referindo-se à arbitragem.
À penalidade que deu o empate ao AVS, ao penalty que não foi marcado a favor do Sporting na primeira parte.
Pode ter razão nas queixas concretas. Pode não ter. Não estou aqui para julgar lances.
Mas a expressão “manto verde” abre uma conversa muito maior. Uma que o futebol português prefere não ter.
Há um discurso instalado que fala muito de equilíbrio competitivo, de fairplay financeiro, de que os grandes não podem ter demasiada vantagem.
Um discurso que aparece sempre que um dos grandes está bem.
O que não se diz em voz alta é isto: não convém a determinados interesses no futebol português que o Sporting entre diretamente na Champions em 2026/27 com esta saúde financeira.
Porque o impacto competitivo e económico seria demasiado desequilibrado para os rivais – e para a própria Liga Portugal enquanto produto comercial equilibrado.
Uma época em que o Sporting gera 250 milhões de euros enquanto os outros lutam pelos mesmos 20 a 30 milhões de sempre não interessa a quase ninguém no futebol português.
E o “manto verde” que alguns invocam – como se o Sporting fosse protegido pelo sistema – é exatamente o oposto do que os números mostram.
O Rui Borges errou? Provavelmente sim, em algumas decisões. Como todos os treinadores erram.
Mas uma época em que o Sporting gerou quase 80 milhões de euros em receitas europeias, com um plantel devastado pelas lesões nos momentos decisivos, com mercados que não responderam às necessidades, ainda com hipótese de terminar em segundo lugar na liga, regressar à Champions e vencer a Taça de Portugal para o investimento feito pelo Sporting, não acho que isso seja uma época falhada.
É uma época mal contada. Que deixará os Sportinguistas tristes por não alcançarem o tricampeonato.
Mas há que reflectir verdadeiramente se a culpa é do treinador que está na ponta do iceberg, ou se é de uma estrutura que falhou nas suas responsabilidades e no excesso de confiança de achar que o que tinham, era suficiente.
A ponta do iceberg é o que toda a gente vê: quatro jogos sem vencer, um empate com o AVS, Rui Borges a perder o título.
O que está debaixo da água é o que ninguém quer discutir: decisões de mercado, gestão de plantel, lesões acumuladas, e uma estrutura financeira que, apesar de tudo, coloca o Sporting numa posição que os rivais preferem não imaginar.
No futebol, a narrativa conveniente ganha sempre à narrativa verdadeira.
Pelo menos até aparecerem os números.
E os números, esses, não mentem.

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