
Rui Costa: o candidato sem projeto
Nuno Farinha|Em mais de uma hora e meia de conversa, na visita aos estúdios da TVI e da CNN, o presidente-candidato, Rui Costa, não conseguiu deixar na agenda nenhuma ideia nova para o mandato a que irá a concorrer no dia 25 de outubro. Terminada a entrevista a Sandra Felgueiras e Sousa Martins, decidi, por curiosidade, ir espreitar os títulos que estavam nos principais jornais online.
“Na Champions tivemos talvez o melhor quadriénio em termos de pontuação.” (Mais Futebol)
“O problema não era Bruno Lage, é físico e emocional” (Record)
“João Félix? Não consigo combater com a Arábia Saudita” (A Bola)
“As contas de Vieira eram melhores do que estas, mas há justificações, sem desculpas” (O Jogo)
“Perder ou ganhar as eleições do Benfica não me preocupa” (Público)
“Mourinho não veio ganhar mais do que ganhava Schmidt” (Sapo)
“É difícil estar preparado quando se torna presidente do dia para a noite” (Zerozero)
“Rui recusa que houvesse um plano premeditado para afastar Bruno Lage” (Correio da Manhã)
Ou seja, não por responsabilidade – obviamente! – dos (excelentes!) entrevistadores que são a Sandra e o Joaquim, mas a verdade é que se chegou ao final da noite e os sócios do Benfica não conseguiram ficar a perceber qual é, afinal, o projeto de Rui Costa para os próximos quatro anos do Benfica caso venha a ser eleito.
E esta foi, indiscutivelmente, a primeira grande oportunidade que o atual presidente teve para explicar de que forma pretende devolver a estabilidade financeira ao Benfica (entretanto perdida), de que forma pretende recuperar a hegemonia desportiva (entretanto perdida) e, no fundo, estava aqui igualmente a primeira oportunidade (entretanto perdida) para convencer os sócios de que continua a ser ele próprio, Rui Costa, a melhor solução para liderar o clube e a SAD.
Enquanto João Noronha Lopes, Luís Filipe Vieira e João Manteigas centram toda a estratégia de comunicação naquilo que realmente interessa (2025/2029), o presidente em exercício desdobra-se em explicações sobre o passado (as condições em que assumiu o clube, por exemplo) e até sobre o presente (as condições em que Mourinho foi contratado, por exemplo). Sobre o futuro, na realidade, nem uma única ideia Rui Costa foi capaz de deixar.
Projetar os próximos anos de um gigante como o Benfica não deve ser, convenhamos, tarefa fácil. Mas o mínimo que um candidato está obrigado a fazer é indicar o caminho, propor soluções e apresentar uma visão de futuro. Rui Costa não foi capaz de fazer nada disso.
Noronha tem toda a estratégia virada para um ‘novo Benfica’. Manteigas apresentou, já em junho, um programa que assenta em cinco pilares que contêm 54 medidas. E Vieira, já o disse, quer regressar para concluir a obra cujo mérito todos lhe reconhecem.
Rui Costa, na primeira grande entrevista, não foi capaz de deixar, sequer, uma única pista sobre o que pretende fazer do Benfica.
Ou a equipa de Mourinho consegue o milagre de arrancar bons jogos (e resultados!) frente ao Chelsea, FC Porto e Newcastle ou, muito provavelmente, Rui Costa vai acordar a 26 de outubro como ex-presidente do Benfica.

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