
A "derrota mais bonita" de Mourinho foi há 15 anos
A “derrota mais bonita” de Mourinho foi há 15 anos. A 28 de abril de 2010 – a data foi assinalada ontem mas o ‘apagão’ não vos deixou ler isto… -, o Inter Milão chegou a Camp Nou para a 2ª mão das meias-finais da Champions, com uma vantagem de 3-1. Numa autêntica batalha disputada frente ao Barcelona de Pep Guardiola e Messi, o Inter ficou reduzido a dez unidades aos 28 minutos, devido à expulsão de Thiago Motta e teve de… sofrer.
Mourinho adotou, então, uma estratégia ultra-defensiva diante daquele que já foi considerado o melhor Barcelona da história, o qual contava com Puyol, Piqué, Busquets, Xavi, Iniesta, Messi ou Pedro, entre outros. Apostou num 6x3x0 que ficou para a história, fazendo recuar o avançado camaronês Samuel Eto’o para defesa-esquerdo, num sistema tático que resultou.
O Barça sufocou o Inter mas só marcou um golo, aos 83 minutos, por intermédio do central Piqué. Numa entrevista concedida naquela altura à BBC, o ‘Special One’ explicou que perder esse jogo em Camp Nou teve, então, o mesmo sabor que uma vitória. “Esta é a derrota mais bonita da minha carreira. Demos tudo. Perdemos, mas chegámos à final”, assumiu o treinador português, que viria a ganhar a Liga dos Campeões dessa época, frente ao Bayern.
As estatísticas não enganam. O ‘futebol total’ daquele Barcelona, que dominava e sufocava os adversários, exerceu a sua supremacia e a equipa de Pep Guardiona teve, então, 76% de posse de bola nesse jogo da 2ª mão.
Perante esse domínio, e sobretudo porque ficou reduzido a dez aos 28 minutos, Mourinho recuou as linhas, aceitou com naturalidade que o adversário ficasse com a bola e cerrou fileiras na defesa. E o dito futebol ‘anti-Barcelona’ de Mourinho resultou, em pleno Camp Nou.

“Jogar com dez jogadores em Barcelona torna-se épico. São precisos heróis. É preciso tirar o melhor de cada um. Penso que fui brilhante na forma como organizei a equipa. Defendemos com todas as nossas forças: com o coração, com a alma”, afirmou Mourinho, à BBC.
Assim que o árbitro Frank De Bleeckere apitou para o fim do jogo, José Mourinho saiu disparado do banco de suplentes rumo ao relvado, apontando para os adeptos do Inter e festejando de forma exuberante. O gesto desse momento é, então, eterno. Isto apesar das reclamações de Victor Valdés, guarda-redes do Barcelona, e de o sistema de rega ter sido ligado logo depois do apito final.
Não há coincidências. Para assinalar, da melhor forma, os 15 anos dessa incrível eliminatória, o futebol reservou, para amanhã, quarta-feira… um reencontro nas meias-finais da Champions. O Barcelona de Hansi Flick recebe o Inter Milão de Simone Inzaghi, na Catalunha (Estádio Montjuic), em jogo da 1ª mão.
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