
Barreirense - o declínio de um dos pioneiros do futebol português
Craques|O Barreirense, um dos clubes mais antigos clubes em Portugal, carrega uma história rica, marcada por momentos de glória no Estádio D. Manuel de Mello, onde desafiou e venceu os maiores clubes do país. Com uma base de adeptos apaixonada e um legado que transcende a cidade que deu nome, o clube vive, agora, um período de crise, lutando para recuperar o seu lugar no panorama nacional. No Históricos em crise desta semana, falamos do Barreirense – o declínio de um dos pioneiros do futebol português.
O clube da margem sul assistiu à demolição do seu estádio mítico, o D. Manuel de Mello, ocorrida então em 2008, depois de ter sido encerrado em fevereiro de 2007. E as dificuldades financeiras posteriores empurraram o clube para divisões inferiores, mas a esperança de renascer permanece.
O Barreirense não foi além do penúltimo lugar no Campeonato de Portugal esta época, acabando por ser despromovido à 1ª Divisão Distrital da AF Setúbal.

Na temporada 1969/70, o Barreirense alcançou, então, o seu maior feito no mais alto escalão do futebol português. Terminou em quarto lugar, sob o comando do treinador Manuel Oliveira. À sua frente ficaram apenas Sporting, Benfica e o Vitória FC, de Setúbal.
Esta campanha histórica colocou o clube à frente de gigantes, como o FC Porto ou o Belenenses. Principalmente, devido a um plantel de qualidade que integrou nomes como Manuel Bento, Fernando Faneca, Chico Bolota ou José Farias, tendo este último sido o melhor marcador do clube no campeonato, com 11 golos.

O Barreirense representou, então, Portugal na Taça das Cidades com Feira em 1970/71, vencendo o Dínamo Zagreb por 2-0 em casa. Ainda assim, foi eliminado no seguimento de derrota pesada por 6-1, na 2ª mão, sofrida na atual capital croata, na altura uma cidade da Jugoslávia.
O clube esteve presente na I Divisão em várias ocasiões, com subidas notáveis nas décadas de 40, 50 e 60, mas despediu-se do escalão maior do futebol português em 1978/79. Nessa época, acabaria, então, por descer, fruto de 16 derrotas sofridas em 30 jornadas.
O Estádio D. Manuel de Mello foi palco de alguns dos momentos mais emblemáticos do clube. Tem esta nomenclatura por “gratidão para com a administração da CUF, que muito ajudara nos benefícios ao recinto”.

Em 1954, o Barreirense goleou o SL Benfica por 3-0, num jogo que levou o locutor Artur Agostinho a chamar o clube de “glorioso”, alcunha que não ‘pegou’. Um ano antes, em 1953, o FC Porto havia caído por 4-0 no Barreiro. E em 1933, o Sporting sofreu uma derrota pesada por 5-1 no Campeonato de Lisboa, além do 3-1 em 1961 na I Divisão.
Estas vitórias, contra adversários de peso, cimentaram a reputação do Barreirense como um clube capaz de desafiar qualquer equipa, especialmente em casa, onde a paixão dos adeptos era um trunfo. Os adeptos visitantes ainda hoje recordam esses jogos como “muito aguerridos e agressivos”, então acompanhados de “uma massa adepta muito fervorosa”.
O Barreirense nunca conquistou a prova rainha do futebol português, mas efetuou campanhas dignas de registo, com várias presenças nas fases avançadas durante os seus anos na elite.

As melhores campanhas de sempre do clube vermelho e branco na Taça de Portugal terminaram sempre nas meias-finais. Mas essa proeza foi alcançada cinco vezes: 1939/1940; 1947/1948; 1951/1952; 1956/1957 e 1957/1958.
Mais recentemente, na temporada 2016/17, o clube da Margem Sul do Tejo alcançou a 3.ª eliminatória, feito modesto mas simbólico para um clube em reconstrução. Nessa temporada, o Barreirense eliminou o Operário Lagoa e o Valadares Gaia antes de ser eliminado pelo Oriental.
O Barreirense foi um autêntico “viveiro de talentos” que marcou o futebol português e internacional. Desde logo, Manuel Bento, lendário guarda-redes que brilhou na campanha de 1969/70 e, mais tarde, ao serviço do Benfica. Outra figura mítica que passou no Barreirense e se transferiu para o Benfica foi Fernando Chalana, que esteve nos escalões de formação do Barreirense (saiu depois de fazer o primeiro ano de sub-17, em 1973/74), bem como José Augusto, um dos viria a sagrar-se bicampeão europeu pelo Benfica.

O conhecido Carlos Manuel, médio com 42 jogos pela seleção nacional, também passou pelo clube, e integrou, então, o plantel na última época do clube na I Divisão. Assim como o central Frederico, outro internacional português, que também atuou pela formação do Barreiro em 1978/79.
Além destes destaques, também passaram pelos quadros do Barreirense outros craques como Jorge Martins, Pedro Pireza, Henrique Câmpora, Adelino Nunes, Serafim de Oliveira, Nelinho, Albano ou Artur Quaresma.
Já no basquetebol, Neemias Queta, o primeiro português a jogar e a ser campeão na NBA, é um produto da formação do clube, reforçando, então, o seu legado na formação de atletas.

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