
“Tenho tido vários contactos, entrevistas com alguns clubes, mas a decisão tem passado por investidores e outras forças de influência”, reitera João Mota, sem filtros, numa breve viagem pela carreira, no podcast “À Conversa Com…”, da Hora do Desporto. João Mota: “Trabalho no Sudão alavancou a minha carreira”.

Dos primeiros tempos do antigo defesa-central no Barreirense ao salto para os juniores do Sporting, onde se destacavam Paulo Futre e Litos, por exemplo, e para o lar dos jogadores no antigo estádio de Alvalade; as aventuras no União da Madeira e n’O Elvas em contexto de futebol sénior já no escalão maior; o ingresso, nos primeiros passos como treinador, na formação do Farense, ao salto de João Mota para ao Emirados Arábes Unidos, primeiro como adjunto e depois como treinador principal, numa carreira consolidada, depois, entre Ásia, África e América do Sul.
“Foi através do futebol, logo com 14 anos, depois de ter começado no Barreirense, que a minha vida mudou”, destaca João Mota, reconhecendo, então, o reflexo de uma coleção de vivências marcantes.
Na Madeira, por exemplo, “tive o privilégio de ser capitão do União quando subimos à I Divisão”, recorda João Mota, nostálgico da passagem pelo então popular ‘União da Bola’.
“O União tinha uma mística muito própria, era um clube muito querido. Gosto muito da Madeira, dos madeirenses e espero voltar um dia”, assume João Mota.
Também tem boas memórias da passagem por Elvas. «Fiz uma época muito boa, na I Divisão, e fui chamado à Seleção Nacional B. Desde os tempos do Patalino que nenhum outro jogador de O Elvas tinha sido chamado à seleção”, remata João Mota.
De jogador para treinador, o Algarve e o Farense, em particular, na metamorfose de carreira. “Vivia em Faro, em frente ao Estádio São Luís. Tive a oportunidade de treinar os juvenis e mais tarde fui convidado para adjunto de João de Deus na equipa principal. O bichinho do futebol voltou a despertar e é por essa altura que vou com o Fanã, primeiro como adjunto, para os Emirados Arábes Unidos”, lembra, então, o técnico de 58 anos.

Assim, seguem-se sucessivos desafios, entre universos tão díspares como o asiático, o africano e esse país-continente que é o Brasil. Do Sudão guarda ainda das melhores recordações futebolísticas. “No primeiro ano, fomos logos campeões. Era auxiliar do Ricardo Formosinho. Na segunda época fiquei como treinador principal e correu muito bem. Os adeptos são fanáticos, alucinados pelo clube. Chegámos a ter milhares de adeptos nos treinos”, atalha João Mota que sempre se sentiu adorado ao serviço do, então, Al Hilal Omdurman.
“Sempre houve conflitos. Estradas cortadas, tiros… o pior foi depois. No regresso do Egito, depois do jogo da Champions com o Al Ahly, o ambiente era já de guerra e tornou-se insustentável. Até aí, sempre me tinha sentido seguro. Gostei muito da experiência no Sudão, o Al Hilal Omdurman é um clube muito grande em África”, reforça o técnico.
“O trabalho no Sudão, no Al Hilal Omdurman, foi a alavanca da minha carreira. Pela identidade e ideia de jogo da equipa, sempre muito elogiados por todos” e só interrompido pela guerra civil no país que paralisou os campeonatos.

Entre o Brasil e África, numa fase, João Mota admite que sentiu “medo” na passagem por Kinshasa, na República Democrática do Congo. “Foi o país onde senti mais medo. Mesmo sem guerra, a atmosfera era muito agressiva. Não gostei e pedi para me vir embora”, numa decisão que lhe permitiria, mais tarde, abraçar o desafio de transformar o Al Hussein na, então, principal referência da atualidade do futebol da Jordânia, como o atestam os dois campeonatos consecutivos conquistados pelo clube de Irbid. “O grande objetivo dos grandes clubes em África e na Ásia é vencer a Champions. No Al Hussein, fomos vencer ao Uzbequistão, o que é um feito, até mesmo em termos de seleções, e fomos apenas eliminados, nos penáltis, pelo Al Sharjah, que acabou por vencer a prova”, sublinha.
João Mota: “Trabalho no Sudão alavancou a minha carreira”

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