
“No último dia no Benfica pensei: ‘o que é que estás a fazer?’”
Craques|Hiperligação teaser: https://youtu.be/nwkyyDZx0fw
E aqui a ligação para o episódio completo, em estreia hoje às 21h30 no YouTube Sports Tailors.
Para o último Final Cut de 2025 e o primeiro da quinta temporada do podcast que tem o apoio de Craques.pt, o convidado especial é o dirigente Tiago Pinto, atualmente ao serviço dos ingleses do Bournemouth.
Numa reflexão profunda sobre o seu percurso no futebol profissional, o convidado aborda, então, o presente na Premier League, mas também o passado marcante na Roma e a ligação duradoura ao Benfica. Num testemunho marcado por convicção e emoção.
Ao projetar o futuro, Tiago Pinto não escondeu o entusiasmo pelo contexto atual: “Quando penso em 2025, penso na oportunidade de trabalhar num contexto de sonho”. Sublinhando que estar onde sempre idealizou representa “uma realização”. A ligação ao projeto em Inglaterra é também pessoal. Como deixou claro ao afirmar que adora “viver em Bournemouth”, valorizando o ambiente competitivo da Premier League e a ambição que rodeia o clube. Dedicando, então, palavras especiais ao dono do Bournemouth, Bill Foley, que descreve como “uma pessoa muito especial, com uma visão e inteligência acima da média”.
Tiago Pinto salientou ainda o desempenho recente do clube, recordando que, apesar das saídas de jogadores como Kerkez, Huijsen e Zabarnyi, estes “bateram o recorde de pontos do clube”. Reforçando a ideia de crescimento sustentado e do compromisso que os atletas têm de ter com quem os contrata. Para o futuro, foi claro: “Para 2026 quero que corra tudo bem ao Bournemouth”.
Ainda sobre a realidade inglesa, destacou o trabalho desenvolvido por Marco Silva, considerando que “tem feito um trabalho espetacular”. E deixou, então, palavras de grande apreço para Hugo Viana, destacando não apenas a competência profissional, mas também a dimensão humana. “O Hugo foi sempre uma pessoa muito séria, honesta, transparente, sem manias — o que às vezes acontece neste mundo do futebol”, explica. A relação entre ambos mantém-se sólida e assente no respeito mútuo: “Hugo Viana é um dos melhores diretores desportivos do mundo”.
O percurso internacional, que começou na Roma, também é tema. O dirigente fala com paixão da passagem pelo clube italiano, que descreve como um marco emocional difícil de repetir. “Nunca mais na minha carreira vou ter o amor e carinho que tive na Roma”, confessou. Recordando momentos intensos e conquistas históricas, como a vitória na Conference League. Ainda assim, sublinhou a exigência permanente do futebol de alto nível. “Trinta minutos depois de ganharmos a Conference League, tinha um jogador a dizer que se ia embora”, revelou.
Tiago Pinto não se escusou a falar de José Mourinho. Afirmando, então, que “ninguém pode ousar falar dele como se fosse um treinador normal”, e considerou que o Benfica “precisava” de alguém com esse perfil. O ex-dirigente encarnado destacou ainda a gestão de estrelas no balneário: “Com o Dybala percebi que as verdadeiras estrelas são verdadeiramente fáceis de gerir”. O desejo de ver a Roma novamente no topo também ficou expresso: “Adorava ver a Roma ganhar o scudetto”.
Sobre o Benfica, clube onde se formou enquanto dirigente, Tiago Pinto falou com emoção e frontalidade. Recordando o momento da saída: “No último dia no Benfica pensei: ‘o que é que estás a fazer?’”. Desenvolvendo essa ideia, explicou que há decisões tomadas com total convicção que ganham outro peso quando se tornam irreversíveis. “Há uma coisa gira na vida, que é: tu às vezes tomas as decisões e estás completamente convicto delas, mas depois há o pânico do momento em que a decisão se consuma.” O momento decisivo surgiu já fora do País: “Quando estou no avião para ir para Roma (…) estás ali sentado e dizes: ‘isto agora já não volta para trás’”.
O antigo dirigente encarnado mostrou-se particularmente crítico em relação a narrativas que considera injustas sobre antigos jogadores do Benfica. “Revolta-me que digam que o Pizzi, o André, o Rafa e o Grimaldo eram maus profissionais”, afirmou. Classificando, então, essas ideias como “completamente absurdas e ridículas” e defendendo que apenas “quem vive numa dimensão paralela” pode sustentar esse tipo de acusações. Em particular, recordou o compromisso de André Almeida, sublinhando que “jogou seis jogos com uma fratura de esforço”.
O Moreirense, clube que foi recentemente adquirido pelo grupo que gere o Bournemouth, também entrou na conversa. Com Tiago Pinto a sublinhar que “o primeiro objetivo no Moreirense é satisfazer os seus sócios e adeptos”. E destaca que o clube do Minho “já era e continua a ser muito bem gerido”, elogiando ainda o treinador: “Gosto muito do Vasco [Botelho da Costa].”
Estas declarações refletem uma visão amadurecida sobre liderança, tomada de decisão e gestão de pessoas. Num percurso marcado por contextos de elevada pressão competitiva, mas também por relações humanas fortes e duradouras, tanto em Portugal como no estrangeiro.
Uma conversa que contou ainda com participações especiais à distância de dois grandes nomes do futebol mundial: Rúben Dias e Paulo Dybala. Um episódio rico, que oferece uma perspetiva única sobre um dirigente que tem marcado os clubes por onde passou. O episódio fica disponível a partir das 21h30 desta segunda-feira, no Final Cut. Pode ver o podcast da Sports Tailors nas plataformas habituais (YouTube, Spotify e Apple Podcasts), com o apoio de Craques.pt.

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