
João Mirra antevê a Taça Ibérica no Restelo: “Jogar perto dos adeptos será grande vantagem”
Craques|João Mirra, treinador da equipa de râguebi do Belenenses, faz uma análise profunda ao momento atual da equipa, que atravessa um dos períodos mais vitoriosos da sua história recente. Além do foco técnico na preparação para o duelo contra os espanhóis do El Salvador, o técnico abordou, então, a importância estratégica desta competição, a gestão emocional do plantel perante a pressão de uma final e o compromisso para manter o clube no topo. Depois de quatro campeonatos nacionais, uma Taça Ibérica, três Taças de Portugal e seis Supertaças, João Mirra procura agora guiar os azuis a novo triunfo internacional. Desta vez com o apoio dos adeptos que irão receber a equipa no Estádio do Restelo. João Mirra antevê a Taça Ibérica no Restelo: “Jogar perto dos adeptos será grande vantagem.”
O Belenenses prepara-se, então, para disputar a Taça Ibérica pela sexta vez na história. Este domingo, 11 de janeiro, os azuis irão competir pelo troféu pela primeira vez a jogar em casa, uma vez que o Estádio do Restelo será o palco do encontro. João Mirra, treinador do conjunto português e um confesso “adepto do Belenenses”, acredita que o facto de jogar no seu estádio “não traz nervosismo nenhum” à equipa.
Antes pelo contrário. Afirma ser, então, “um peso positivo” e uma “motivação extra” para os jogadores. “O Estádio do Restelo é a casa do Belenenses. Do futebol ao râguebi, atletas, adeptos, secções e direção fazem parte do mesmo clube e da mesma história. Ainda bem que tudo se conjugou para jogarmos no campo principal. É uma honra jogar aqui”, afirma, em exclusivo ao Craques. Embora defenda que o clube “não é necessariamente favorito” devido ao fator casa, considera que “jogar perto dos adeptos será uma grande vantagem.”

Para o embate no Restelo, Mirra reforça o apelo à massa associativa. O técnico acredita que os sócios se “revêem na maneira como os atletas têm defendido a Cruz de Cristo” e garante que a equipa irá “defender a camisola com tudo o que têm”. Num tom de compromisso e humildade, Mirra conclui que o grupo tem de continuar a trabalhar para atrair público: “Nós devemos merecer que os adeptos venham aos nossos jogos”.
O encontro de domingo traz ao clube a possibilidade de alcançar o segundo troféu internacional. A formação do Restelo já conquistou este mesmo título por uma ocasião. No caso, em 2023, depois de bater os espanhóis do Santboiana por 45-15, sob a mesma orientação de João Mirra.
O técnico, de 44 anos, entende que a conquista deste troféu “tem muito significado”, mas rejeita qualquer leitura individualista. Prefere, então, sublinhar os benefícios coletivos para o clube e para a modalidade. “Não há cá o que o João Mirra ganhou ou deixou de ganhar. Nós ganhámos, o Belenenses ganhou, o râguebi português ganhou”, considera.

Na sua perspetiva, trata-se de uma competição de “significado muito importante” para qualquer equipa lusa. Num contexto marcado pela reduzida visibilidade mediática e pelo investimento limitado no râguebi em Portugal, esta é “a prova máxima a nível internacional que os clubes de râguebi portugueses têm hipótese de competir.” Quanto ao adversário, João aponta para uma “equipa do El Salvador com muita qualidade”, que possui um plantel “muito forte e muito físico.” Ainda assim, faz questão de ressalvar, então, a qualidade da sua própria equipa.
“Olhamos para esta equipa do El Salvador com todo o respeito, cuidado e profissionalismo. Não ganhou o campeonato em Espanha por acaso. Mas acreditamos piamente em nós. Nem valia a pena todo este esforço pelo clube e pela modalidade se não for para entrar para ganhar”, atira, sem receios.
No que toca ao estado anímico, João Mirra insiste que “a equipa está preparada” e recusa qualquer cenário de ansiedade negativa. Para o técnico, o “nervosismo natural de uma final” funciona como “um combustível para os jogadores” e não como um bloqueio. Reforçando que o “objetivo é vencer mantendo a identidade” da equipa. “As finais são para ganhar jogando bem e fazendo as coisas que treinamos, não para abdicarmos do que somos”, afirma. O técnico reforça ainda a ambição do grupo: “Nós queremos estar nestes momentos de decisão.”

Quanto à preparação, o plano passa por colocar “toda a energia no treino.” Fora o estudo mais detalhado do adversário, a rotina mantém-se, pois o peso da prova é evidente para todos. “Não precisamos de fazer nada diferente para a diferença desta semana se notar”, explica Mirra, garantindo que “os jogadores sabem perfeitamente o que isto significa para o clube.”
O Belenenses chega, então, a este duelo internacional com o estatuto de bicampeão nacional. A formação do Restelo ergueu o troféu em 2023/24, após bater a Agronomia na final, e revalidou o título em 2024/25, numa final decidida frente ao GD Direito.
O técnico dos azuis do Restelo defende, então, que o recente sucesso nacional deve-se, em grande parte, à “dedicação e ao compromisso de todos, especialmente dos jogadores” que sempre mantiveram um “alto nível de exigência para com o clube.” Ainda assim, para João Mirra, que já renovou contrato até 2028, ano do centenário da modalidade no clube, o “compromisso” não deve acontecer só no presente.
Será, então, necessário “salvaguardar o futuro” que também espera ser feito de conquistas. “Nós somos muito exigentes, e queremos ganhar agora. Mas também sabemos que somos obrigados, pelo legado deste clube, a trabalhar para os próximos anos”, conclui.

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