
Craques|Em entrevista exclusiva ao Craques.pt, João Sousa partilhou a sua experiência de quase duas épocas na Liga Portuguesa de Futebol Americano (LPFA), revelando os desafios de ser um atleta amador numa modalidade em crescimento. O jogador dos Bulldogs abordou a realidade da competição nacional, a forte união do balneário e a visão para o futuro do desporto em Portugal. A sua escolha pelo clube foi imediata, sentindo-se acolhido desde o primeiro momento: “Desde que fui aos tryouts que soube que era nos Lisboa Bulldogs que queria ficar. Fui muito bem recebido. Desde o conhecimento sobre futebol americano até à hospitalidade e simpatia.” “Ninguém deixa ninguém no chão e lutamos todos em prol uns dos outros”: João Sousa, jogador do Lisboa Bulldogs.

A mudança de modalidade foi motivada pela procura de um novo estímulo. Após dez anos no andebol, João Sousa procurava um desporto de contacto, chegando a ponderar o MMA antes de se decidir pelo futebol americano. Influenciado, então, por um amigo que já tinha jogado. Atualmente, a meio da sua segunda época, o jogador admite que já sabia da existência da liga nacional, pelo Instagram, mas só através do amigo é que ingressou.
A LPFA funciona num formato familiar aos fãs da modalidade: “O campeonato funciona num formato semelhante à NFL. Temos a fase regular, passam quatro aos play-offs e os vencedores encontram-se na final.” No entanto, a realidade é de total amadorismo. Não existem competições europeias para os clubes portugueses, principalmente porque “as equipas não conseguem ter disponibilidade, nem financiamento, para jogar num país diferente a cada mês.”

Apesar do panorama amador, o meio é coeso. Com sete equipas a nível nacional (quatro em Lisboa, duas no Porto e uma em Braga), a comunidade é pequena e interligada. “Toda a gente que já joga há uns anos conhece-se relativamente bem,” afirma, notando que as relações entre jogadores são “bastante amigáveis”. Mesmo que o alto contacto do jogo gere, então, conflitos pontuais que se resolvem no final.
As dificuldades em praticar a modalidade em Portugal são claras e prendem-se com dois fatores principais. “As duas maiores dificuldades são a falta de pessoas interessadas em jogar e o alto custo do material para jogar. Na minha opinião, grande maioria da população não conhece sequer a existência de uma liga de futebol americano em Portugal”, diz.
O jogador acredita que o receio de lesões e a falta de familiaridade com as regras e o contacto físico afastam potenciais atletas. O custo é outro obstáculo, uma vez que o material é caro, muitas vezes importado dos Estados Unidos, e “tudo é pago pelos jogadores.” “Desde o próprio material, à deslocação ao estádio de outras equipas para jogar”, admite.

Ainda assim, o panorama tem registado melhorias. João Sousa destaca a criação de uma pré-temporada estruturada e os acordos feitos com a FLAD (Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento) como sinais de progresso. Menciona ainda o trabalho da equipa LineUp, que está a produzir uma série sobre os Lisboa Bulldogs, convidando todos os interessados a acompanhá-la no YouTube.
O espírito de equipa é um dos pontos fortes dos Lisboa Bulldogs. O balneário é descrito como “um grupo muito sólido e assíduo,” onde a união é fundamental: “Ninguém deixa ninguém no chão e lutamos todos em prol uns dos outros. Acho que isso é muito importante num balneário seja qual for a modalidade.”
O maior objetivo de João Sousa em Portugal é claro: “Quero ajudar a minha equipa a chegar o mais longe possível este e, nos próximos anos, contribuir também, dentro do que me for possível, para a expansão da modalidade no panorama nacional. Mas principalmente divertir-me e fazer amizades para a vida.” O jogador não esconde, contudo, a ambição de “eventualmente ter oportunidade de jogar pela Europa.”

Quanto ao futuro da modalidade, a visão de João Sousa é realista. A curto prazo, sem maior divulgação, não prevê grandes mudanças. Contudo, com a estratégia certa, o cenário pode ser otimista. “A médio prazo, prevejo um aumento de equipas a nível nacional e também um aumento de espectadores e fãs das equipas”, considera.
Por fim, o jogador de futebol americano, de 24 anos, deixa um convite a todos os que hesitam em experimentar o desporto. “É um jogo muito técnico, muito tático e muito físico. Mas acima de tudo é um jogo onde toda a gente é bem-vinda.” João Sousa sublinha, ainda, que a variedade de posições garante que há espaço para todos, independentemente do porte físico: “Mesmo quem tenha medo de ser pouco forte ou muito pequeno há espaço para todos porque há muita variedade de posições. Há posições para os mais rápidos, para os mais inteligentes, para os mais fortes, etc.”
O apelo final é simples: “Venham experimentar e, acima de tudo, divirtam-se com o jogo, porque ninguém joga para magoar ninguém.” Palavra de João Sousa.

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