
O rodízio da Luz. Foto: Luís Manuel Neves/Record
Nuno Farinha|Dedic, Pavlidis, Akturkoglu, Manu Silva, Rollheiser, Beste, Bruma, Carreras, Amdouni, Dahl, Leandro Barreiro, Kaboré, Belotti, Renato Sanches, Kokçu, Marcos Leonardo, Arthur Cabral, Jurasek, Trubin, Prestianni, Di María, Guedes, Bernat, Enzo Fernández, David Neres, Aursnes, João Victor, Schjelderup, Bah, Tengstedt, Musa, Draxler, Brooks e Ristic.
Ao todo, foram 34 (!) os jogadores que chegaram ao Benfica nas últimas três temporadas. Vamos lá repetir, para que não restem dúvidas: 34!!! Entre compras e empréstimos, os encarnados fizeram entrar no Seixal, em apenas três épocas, “um plantel e meio”. Não é preciso perder-se muito tempo a analisar os fluxos de entradas e saídas para se chegar à conclusão de que a política desportiva do Benfica não é boa, nem é má: simplesmente, não existe.
Nestes 34 novos jogadores que chegaram para ficar às ordens de Roger Schmidt, primeiro, e de Bruno Lage, depois, há de tudo um pouco: caros, baratos, bons, maus, razoáveis e péssimos. Alguns vieram para ficar, outros vieram para fazer número, outros passaram mais tempo no departamento médico do que no relvado, outros chegaram e foram embora poucos meses depois, outros prometeram muito e não deram nada e outros não prometeram nada e deram muito.
Quando a equipa iniciar a preparação para a próxima temporada, daqui por duas semanas, sensivelmente, este número de reforços (34) já deverá ir em 35 ou 36 e, no final de agosto, quando fechar a janela de transferências, seguramente que já andará, no mínimo, pelos 40.
Da lista das tais 34 contratações feitas entre o verão de 2022 e o verão de 2025, acontece que 22 (!) desses nomes – pelo menos – não farão parte do próximo plantel. Ou porque já foram vendidos, ou porque não têm qualidade e vão continuar de empréstimo em empréstimo ou ainda, porque, simplesmente, o treinador não conta com eles e será preciso arranjar a melhor solução possível.
Mais significativo: dos 11 jogadores que chegaram em 2022, apenas 4 deles continuam contratualmente ligados ao Benfica e, desses, é possível que apenas 2 (Aursnes e Bah) façam parte do plantel 2025/26. Isto significa, antes de mais, a ausência de uma estratégia na política desportiva do Benfica – que tanto pode comprar um jogador (Marcos Leonardo) por 22 milhões de euros e vendê-lo passados 6 meses, como fechar três empréstimos consecutivos com o mesmo clube (PSG: Draxler, Bernat e Renato Sanches), ou até comprar um lateral ao Slavia de Praga por 14 milhões de euros.
Não existe racionalidade nas (sucessivas) reconstruções de plantel que se vão verificando. O jogador mais caro de todos os que chegaram (Kokçu) é uma bomba-relógio com graves casos de indisciplina; o ponta-de-lança que veio rotulado como sucessor de Gonçalo Ramos (Arthur Cabral) custou mais de 20 milhões e nunca se conseguiu afirmar como titular (tendo, entretanto, sido despachado a preço de saldo para o Botafogo); Beste foi contratado para preencher o vazio deixado por Grimaldo e, afinal, raramente atuou como lateral, acabando por ser vendido à primeira oportunidade; e Bruma, a caminho dos 31 anos (!), levou os encarnados a pagar 6,5 milhões ao Sporting de Braga, que nem pestanejou quando ouviu a proposta das águias.
Falta de planeamento (ou mau planeamento); opções emocionais (os regressos de Guedes, Renato Sanches ou mesmo Di María); a imposição de (estranhas) vontades contra a opção dos responsáveis pelo scouting (a contratação de Jurasek); ou mesmo a compra de um excelente guarda-redes, Trubin, mas com uma negociação que deixou 40% (!) de um futuro negócio nas mãos do Shakhtar Donestk. Há demasiadas – e evidentes – fragilidades na gestão do futebol profissional do Benfica, que se vão arrastando e, claramente, criando um “novo normal”, perante a apatia e indiferença de sócios e adeptos.
A terminar a (longa) época 2024/25, entretanto, já se verificou “apenas” o seguinte nestas últimas semanas: Amdouni dispensado ainda antes de expirar o período de empréstimo pelo Burnley; a confirmação de Di María no Rosario Central (feita pelo próprio jogador); a venda em baixa de Arthur Cabral ao Botafogo; a quase-confirmação de que Belotti não continua e, ainda, rumores que apontam para a possível saída de um dos talentos mais promissores do plantel: Schjelderup.
Dá para entender?

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