
Obrigado, Diogo!
Nuno Farinha|Não estava previsto no guião, mas o que aconteceu, em Copenhaga, no Dinamarca-Portugal, foi um varrimento do início ao fim. A superioridade da seleção nórdica sobre a equipa (?) de Roberto Martínez foi, assim, uma espécie de “Tempestade Martinho” a levar à frente um grupo de galáticos que jogam nas melhores ligas do Mundo e que, em 90 minutos, não conseguiram livrar-se de um nível de jogo absolutamente banal.
Este 20 de março de 2025 fica para a história como o dia em que a Seleção Nacional – vencedora da primeira edição da Liga das Nações, em 2019 – assinou uma das exibições mais embaraçosas de que há memória nos últimos anos. Foi preocupante? Sim. E muito.
Se quisermos, de um ponto de vista mais simbólico, a “estreia” de Pedro Proença como Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, fica marcada por uma noite negra, que só não foi ainda pior porque, na verdade, apenas um jogador da equipa das quinas se comportou ao nível do que a responsabilidade e o momento exigiam: Diogo Costa.
É graças a ele, de facto, que Portugal ainda pode, a esta hora, alimentar a ideia de conseguir a qualificação para a fase seguinte. Não fosse o guarda-redes do FC Porto, com uma mão-cheia de defesas superlativas, e a Seleção orientada por Martínez podia ter regressado a casa com um “saco cheio” e com poucas hipóteses de reverter o ‘estrago’, no próximo domingo, em Alvalade.
A prestação de Portugal não foi má. Na verdade, foi péssima. A prestação de Diogo Costa não foi boa. Na verdade, foi excelente – e com direito, ainda, a uma grande penalidade defendida, numa altura em que a Dinamarca já justificava, há muito, estar em vantagem no marcador.
A derrota por margem mínima, de facto, acabou por ser um resultado “extraordinário”. Quando um adversário, que está longe de ser uma potência do futebol europeu, consegue fazer 23 (!) remates frente a Portugal, há motivos suficientes para que todos os “alarmes” sejam imediatamente disparados.
Há 3 dias para refletir – seriamente, se possível – sobre o que aconteceu em Copenhaga. Claro que é possível, no domingo, ultrapassar este adversário e continuar a sonhar com a vitória na competição. Mas isto, meus caros, não foi nada.
Não vale a pena esmiuçar aqui as opções do treinador espanhol. Perante o que (não) se viu, tudo pode ser questionado. Renato Veiga e Cristiano Ronaldo justificam a titularidade? Trincão e Quenda não merecem minutos? Onde está, afinal, a “química” que Martínez diz que criou entre João Neves e Vitinha? Por que ficou Gonçalo Ramos fora dos convocados?
Já se tinha percebido, há alguns dias, que Roberto Martínez não atravessa um grande “momento de forma”. O lapso – assumido – na triste rábula da “lesão crónica” de Tomás Araújo já não indiciava nada de bom, mas também ninguém julgava que a “quebra de rendimento” do selecionador fosse tão preocupante como aquilo que o jogo mostrou. E, se quisermos recuar mais, 4 vitórias nos últimos 10 jogos não é, de todo, um saldo à altura daquilo a que nos habituámos.
Terminemos, portanto, com o craque da noite. E repetindo o título: “Obrigado, Diogo!” Só não parou o remate de Hojlund (sim, esse mesmo, o avançado de Amorim no Man. United). De resto, foi colecionando ‘obras de arte’ durante os tristes 90 minutos que Portugal cumpriu em Copenhaga.
Defendeu o 10º penálti da carreira (em 35 apontados), sendo preciso acrescentar a este número aquela outra noite em que parou todos (!) os remates no desempate por grandes penalidades frente à Eslovénia, no Euro 2024.
Está ainda muito longe de ser o guarda-redes da história com mais penáltis defendidos, que é Lev Yashin, com 150 (!). Mas Diogo é especial, de facto. Dizem as estatísticas que a probabilidade de se defender uma grande penalidade varia entre os 15 e os 20%. Diogo parou, até hoje, 29% dos penáltis que lhe tentaram converter. Está, pois, muito acima da média.
E é graças a ele que ainda estamos a tempo de eliminar a Dinamarca. Que não tenha sido em vão, pois, a noite em que Diogo Costa jogou sozinho contra 11.

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