
You'll Never Walk Alone, Diogo e André
Acordámos hoje, todos, com uma notícia devastadora a todos os níveis. As mortes de Diogo Jota e do irmão André Silva mostram-nos o quanto a nossa vida pode mudar num ápice. Falo, mais especificamente, de Diogo Jota, o mais conhecido dos dois irmãos futebolistas e o mais falado pelo facto de ser internacional português e alinhar, há 5 anos, no Liverpool Football Club. Há 11 dias, Diogo Jota casou-se com a mulher da sua vida, Rute Cardoso, celebrando uma união especial da qual nasceram três filhos: Duarte, Dinis e Mafalda. E agora despede-se de nós para sempre.
Acompanho futebol há vários anos e não me lembrava, até hoje de manhã, de ter chorado por um jogador. Mas hoje não me aguentei. O Diogo Jota era, há 5 anos, jogador do Liverpool, clube do qual sou sócio e adepto, e era aquele avançado que podia não ser magnífico numa determinada ação mas era bom em tudo o que fazia. E era o avançado que qualquer treinador gostaria de ter no seu plantel.
Vou ser mais claro. O Diogo Jota não era titular absoluto do Liverpool mas, sempre que entrava, deixava a sua marca no jogo. Fazia os chamados golos simples e mostrava que, afinal, o futebol era mais simples do que parecia. Era relativamente baixo de estatura (1,78 metros) mas tinha uma capacidade de impulsão que lhe permitia fazer golos de cabeça que outros jogadores mais altos não faziam. Eu chamava-lhe o avançado oportunista. Não precisava de muitas oportunidades para marcar. Lembro-me de vários assim. Um especialmente feito ao Tottenham, num jogo em que o Liverpool ganhava 3-0 aos 15 minutos, os spurs chegaram ao empate aos 90’+3. Mas para o Diogo Jota não havia impossíveis. Ele próprio fez o 4-3 aos 90’+4, levando Anfield à loucura. Mas os golos de Jota pelos reds foram muitos: 65 em 182 jogos.
A especial apetência por fazer golos ao Arsenal – o primeiro golo pelo Liverpool foi em Anfield, diante dos gunners – fez com que os adeptos do Liverpool criassem uma música especial para o Diogo [ver letra abaixo]. Aos 28 anos, e após cinco no Liverpool, Diogo Jota perdeu a vida juntamente com o irmão André Silva, de 25 anos. Como disse Ronaldo, “não faz sentido”. Ou como disse Jürgen Klopp, técnico que ressuscitou o Liverpool e contratou Jota ao Wolverhampton, “pode haver um propósito maior para isto mas eu não consigo ver qual é”. Também não consigo ver qual é o propósito de a vida ser ceifada desta forma a dois jovens, de 28 e 25 anos, que tinham tanto para viver.
Gondomar, Paços de Ferreira, FC Porto, Wolverhampton e Liverpool. O trajeto de um campeão, que morreu, precisamente, como campeão de Inglaterra.
Publico este artigo às 20h de hoje e não é por acaso. O Diogo Jota era o camisola 20 do Liverpool na época em que o clube conquistou o 20º campeonato da sua história. Os adeptos reds têm pedido, nas últimas horas, para que o Liverpool retire a camisola 20 para sempre, em memória de Jota. Seria uma homenagem bonita de um clube que, volta e meia, é atingido por uma tragédia. Ainda em choque com esta notícia, envio as condolências à família e amigos de Diogo Jota e André Silva.
“Oh, ele veste a camisola 20,
Ele vai guiar-nos à vitória,
E quando corre veloz pela esquerda,
vai cortar para dentro e marcar pelo Liverpool.
É o rapaz de Portugal,
Melhor do que Figo, não sabias,
Oh, o nome dele é Diogoooo”
You’ll Never Walk Alone, Diogo e André.

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