
Carlos Pedro Passos - O amor eterno pelo Boavista que lhe foi transmitido pelo avô
Craques|O Boavista encontra-se, mais uma vez, numa situação complicada perto de 20 anos depois de ter caído para o terceiro escalão do futebol português. Agora, e novamente por incumprimento financeiro e dívidas acumuladas, o clube do Bessa ainda tenta inscrever-se na Liga 3, mas tem até esta 5ª feira para apresentar as certidões de não dívida ao Fisco e à Segurança Social. Se não o fizer, ou caso haja alguma irregularidade, o Boavista cairá na 2ª Divisão Distrital do Porto. E o Craques foi auscultar um sócio do clube e acionista da SAD para perceber o que sente hoje um adepto ao ver o clube mergulhar numa nova crise. Carlos Pedro Passos – O amor eterno pelo Boavista que lhe foi transmitido pelo avô.
O nome pode, então, não lhe dizer muito, mas Carlos Pedro Passos já tem a sua história no Boavista. E este amor começou já em 1980. “Quem me inscreveu como sócio do Boavista foi o meu avô. A partir daí, vim morar para um apartamento ao lado do Estádio do Bessa e passava ali a minha vida, quando saía da escola”, conta, ao Craques.

As recordações desse tempo estão mais ligadas a jogadores marcantes. “Lembro-me muito bem de três jogadores do Boavista, já falecidos, de quem eu gostava muito. O Frederico Rosa, central português muito elegante a jogar, e o Jaime Alves, mais da década de 80 e início de 90. Mas também não esqueço o Lucas, que passou pelo Boavista, vindo da Académica”, conta, com a voz embargada.
Anos mais tarde, aquando da primeira passagem pelo Bessa, Jaime Pacheco recrutou-o para a sua equipa técnica, para que Carlos acompanhasse de perto os craques axadrezados. “As melhores memórias que tenho são de quando fui convidado a integrar a equipa técnica. Comecei a colaborar com o Jaime Pacheco e ainda apanhei o Zeljko Petrovic. A minha função era controlar o plantel e fazer com que os jogadores respeitassem as regras internas do clube”, explica quem é portador de uma incompatibilidade sanguínea desde a nascença, plasticidade muscular, a qual lhe provocou uma paralisia do lado direito do corpo. O que não o impediu, contudo, de fazer a sua vida.

A conquista do título nacional, em 2000/01, foi “muito marcante”, mas, Carlos Pedro Passos recorda, então, um jogo muito especial. O da estreia do Boavista na Liga dos Campeões, em Anfield. “Empatámos contra o Liverpool, num jogo incrível. Jogámos muito bem. Ficou-me gravado para sempre”, explica.
A ligação ao Boavista tornou-se mais forte quando foi criada a SAD. “Nessa altura, tornei-me acionista, porque queria assistir às reuniões do clube e poder, então, intervir nas mesmas”, revela.
Quinze anos depois de ter caído para o terceiro escalão do futebol português – em 2009/10 jogou, então, a II Divisão – Nível 3 -, o Boavista corre agora o risco de não ser aceite na Liga 3 e ter de começar do zero. Ou seja, da 2ª Divisão da AF Porto. Um suplício para os adeptos. E Carlos Pedro Passos recorda que chegou a alertar o antigo presidente axadrezado para os riscos que corria quando fez uma aliança com o empresário Gérard López.
“Foi tudo uma precipitação da direção anterior, liderada pelo senhor Vítor Murta. Cheguei a falar-lhe nos riscos que corria porque aquela ligação poderia ser muito vantajosa ou muito ruinosa. Gérard López já tinha deixado o Lille numa má situação e afundou o Bordéus”, avisou.



Já sobre Fary Faye, presidente da SAD, Carlos iliba-o de responsabilidades na crise do Boavista, mas deixa um conselho. “O Fary devia tomar as decisões pela cabeça dele. Precisa de ter um bocado mais de pulso. É uma pessoa responsável, mas está muito mal rodeado”, adverte.
A confirmar-se a queda nos distritais, o Boavista terá uma montanha muito íngreme para escalar, até voltar novamente ao convívio com os maiores do futebol português. Mesmo que faça parte desse núcleo, até pelo campeonato conquistado no início do século. Mas não são esperadas facilidades. Ainda esta terça-feira, o clube foi considerado insolvente pelo Tribunal do Comércio de Gaia.
“Fico triste porque, muito sinceramente, não estou a ver o Boavista, num curto espaço de tempo, a voltar aos maiores palcos e a ser, novamente, o clube que já foi. Além disso, esta queda vai provocar um afastamento ainda maior da comunicação social”, diz. Questionado sobre se está disponível para ajudar a reerguer o seu clube do coração, Carlos Pedro Passos é direto: “O Boavista está mergulhado num caos completo. Mas com as pessoas certas, acredito que podemos reconstruir o clube e torná-lo novamente estável e competitivo.” Esta é a história de Amor à Camisola de hoje. Carlos Pedro Passos – O amor eterno pelo Boavista que lhe foi transmitido pelo avô.

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