
Fábio Paim: o eterno “e se…” de Alcochete. Foto: Carlos Patrão
Craques|Fábio Paim entrou para o Sporting ainda criança. Desde muito cedo destacava-se entre os colegas de equipa. Com 13 anos, já havia quem o colocasse na rota dos grandes clubes europeus, e aos 14, assinou, então, um contrato de patrocínio com a Nike. Era o tipo de prodígio que não se via todos os dias, nem todos os anos. E ajudava, então, o Sporting a ganhar vários torneios ligados à formação.

Aos 16 anos, Paim já auferia ordenados mais elevados do que muitos profissionais no futebol nacional. Era, aos olhos do futebol português, um investimento seguro. Quando, em 2008, foi emprestado ao Chelsea, treinado na altura pelo antigo selecionador das quinas, Luiz Felipe Scolari, tudo parecia encaminhar-se para o estrelato internacional. Mas este nunca chegou, então, a surgir dado que Paim nunca se estreou a jogar na equipa principal dos blues.
Ao contrário do que se previa, a carreira de Paim nunca chegou a evoluir. O antigo craque, que foi internacional nas camadas jovens, passou por mais de 20 clubes em pouco mais de 10 anos. Do Trofense ao Al Kharitiyath (Catar), passando por Real Massamá, 1º de Agosto, Paços de Ferreira, Torreense ou, até, Mosta FC (Malta), as suas paragens foram tão diversas quanto breves. Incluindo o já falado Chelsea.

O problema, como o próprio reconheceu anos mais tarde, nunca foi a falta de talento, mas sim a falta de disciplina e foco. Paim é o exemplo absoluto de como a falta de cabeça pode destruir a carreira de um atleta profissional.
O futebol moderno exige, então, muito mais do que apenas talento: pede sacrifício, estabilidade mental e muita resiliência. Tudo o que Paim nunca soube demonstrar. Começou, então, a ceder sucessivamente aos excessos – festas, carros de luxo, más companhias – enquanto os seus colegas da formação subiam degrau a degrau, de forma discreta. Já Paim deixou-se ofuscar por eles.
É difícil encontrar-se um futebolista português que tenha gerado tanta expectativa para tão pouco retorno. O caso de Fábio Paim tornou-se um símbolo do que o futebol pode perder quando o potencial não é acompanhado de maturidade.

A eterna comparação com Cristiano Ronaldo – sobretudo pela declaração marcante do craque: “Se acham que eu sou bom, então têm de ver o Paim” -, seu antigo colega de formação, tornou-se inevitável e, de certa forma, cruel. Enquanto Ronaldo se tornou um dos maiores da história, Paim caiu no esquecimento e foi, então, substituído por jovens promessas que não tinham um terço do seu talento.

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