
O número 13 da formação brigantina é homem de um clube só, e representa, no seu estado mais puro, o significado de amor à camisola. Ao longo do tempo tornou-se um rosto incontornável do balneário e um exemplo para os mais jovens, pela forma como vive o clube e pela ligação profunda à cidade que o viu crescer. A sua história confunde-se com a do próprio GD Bragança, numa relação construída com trabalho e um respeito inabalável pelo emblema que sempre defendeu.

Fabien Capelo veio de França, país onde nasceu, para Portugal com apenas seis anos de idade, e não demorou a encontrar lugar no clube da terra. “Comecei logo a jogar futebol nas escolinhas do GD Bragança”, sublinha recordando os primeiros toques na bola, no relvado onde ainda está.
Ao revisitar os primeiros tempos no emblema brigantino, o jogador reconhece que que na adolescência era “muito rebelde e traquina”, mas teve quem o ajudou a focar-se e a canalizar essa energia no futebol. “O GD Bragança foi muito importante nesse aspeto. O mister Zézé, o meu treinador em praticamente todas as camadas jovens, ajudou-me muito na formação”.
Já nos primeiros anos de sénior, o atleta destacou várias referências e “colegas de equipa que ajudaram bastante” no seu “crescimento”, dentro e fora de campo. “O Tony, que foi meu colega, treinador, e neste momento é meu diretor desportivo, ajudou-me muito. O Ximena que é, também, uma referência do clube e um colega que me ajudou muito, a todos os níveis. Vários outros jogadores como o Carlitos, o Mobil… foram todos muito importantes para mim”.

Uma das figuras mais mediáticas com quem se cruzou dentro de campo foi o atual treinador do Sporting, Rui Borges. O capitão da turma transmontana elogiou o antigo companheiro e recorda-o como um “mágico” com a bola nos pés: “Pensava muito mais rápido que qualquer um. Era muito inteligente e decidia quase sempre bem”. Acrescentou ainda que “já se notava que ia ser um grande treinador” e que o próprio “nunca escondeu esse desejo”.
Fabien Capelo é, com larga margem, o jogador com mais jogos disputados pelo GD Bragança, totalizando 376 partidas ao serviço do clube, mais 125 que o segundo. Números que o jogador considera ser motivo de “orgulho”, e que fazem dele uma lenda em atividade. “Ser o jogador com mais jogos disputados por um clube com 82 anos, e que é a minha equipa do coração e da minha cidade, não tem explicação”.

Apesar de admitir que já teve “várias propostas de outros clubes”, salientou que “nunca” foi capaz de sair: “Nunca pensei em deixar o clube que amo e que tanto me deu durante toda a minha vida”.
O médio de 34 anos relembra a sua história na formação azul-e-amarela, marcada quer por momentos de glória, quer por momentos mais negativos. Entre os episódios mais difíceis destaca a “descida aos distritais”: “Foi muito triste para nós, especialmente porque o clube já não descia há mais de 30 anos”.
Contudo, ao mesmo tempo, guarda com emoção várias conquistas inesquecíveis. Entre muitas destacou o “título de campeão na Série A da última edição da III Divisão”, na altura quarto escalão nacional, que deu acesso ao Campeonato Nacional de Seniores (CNS) que estreou na temporada seguinte.
Apesar de já se especular que esta poderá ser a sua última temporada, Capelo mantém o foco no presente e prefere não antecipar finais: “Não sei se é a última temporada… penso que sim, mas sinceramente não estou a pensar muito no final. Estou a viver o momento e estou a desfrutar muito desta época”, admite, mostrando uma abordagem tranquila ao assunto.

Segundo o mesmo, o foco está sempre nos “objetivos coletivos” e não destoa deles, deixando aquilo que são as ambições individuais um pouco de lado. “O GD Bragança está acima de tudo, o principal objetivo é a manutenção no Campeonato de Portugal”.
Quanto ao futuro, o jogador afirma que o caminho ainda está por definir, mas há algo de que não tem dúvidas. “Ainda não pensei no que vou fazer depois do futebol, mas claro que gostava de ficar ligado ao clube”, esclareceu relembrando ainda que não se imagina a viver “sem esta ligação”.

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