
Rangers de Telheiras: o clube de bairro que decidiu sonhar mais alto
Fundado há cerca de 20 anos pelo infatigável José “Sr. Zé” Fernandes, o Rangers de Telheiras passou das divisões inferiores para uma das histórias mais surpreendentes da PO2. Com novas estruturas, reforços estratégicos e nove vitórias consecutivas esta época, o clube vive a sua maior metamorfose. Rangers de Telheiras: o clube de bairro que decidiu sonhar mais alto.
O Rangers de Telheiras nasceu há duas décadas como um clube de bairro. Sustentado praticamente ‘a solo’ por José Fernandes. Dono do restaurante Pano de Boca, na Praça de Espanha, e apaixonado por andebol, o ‘Senhor Zé’ encontrou no desporto o seu hobby. E erigiu, na comunidade local, a base de um projeto que, durante muitos anos, se manteve discreto, sempre nas divisões inferiores.

Originalmente chamado Clube Academia Vizinhos de Telheiras, este adotaria, mais tarde, o nome Rangers de Telheiras. Uma mudança motivada, então, por formalismos e pela ligação às associações de moradores da época. A identidade manteve-se simples, com muita proximidade, uma enorme paixão e muito voluntarismo.
Mas a estabilidade transformou-se em ambição há cerca de cinco anos. Quando um grupo de jogadores ligados ao andebol, muitos deles ex-Sporting, criaram laços ao clube através do restaurante do ‘Senhor Zé’. A certa altura, num jantar de final de época, surgiu uma tirada inesperada: “Preciso de jogadores para o ano.” A resposta veio em forma de compromisso, e, com ela, uma semente de revolução.
O ponto de viragem deu-se na época 2023/2024. Quando o clube finalmente subiu da PO3 para a PO2. A promessa de dois jogadores, os irmãos Martim e Afonso Ferreira, cumprir-se-ia se o Rangers chegasse à PO2. Eles trariam estrutura, qualidade e ambição. E assim foi. A equipa reforçou-se, atraiu jogadores com capacidade para competir em exigência superior e começou a pensar para lá da sobrevivência.

O primeiro ano na PO2 foi um “ano zero”, marcado pela necessidade de adaptação a uma realidade mais profissionalizada. “O Sr. Zé não pode fazer tudo sozinho”, reconheciam, então, os protagonistas desta evolução. Era preciso mais. Nomeadamente melhores condições, mais organização, mais direção e, acima de tudo, mais visão.
Mas o clube deu o passo seguinte nesta temporada. Contratou Pedro Pinheiro, treinador tricampeão de juniores pelo Benfica e com experiência na PO1. Além disso, reforçou a direção com Pedro Moura, figura conhecida do universo leonino e profundo conhecedor da modalidade. A estrutura cresceu e a exigência também.

Os resultados têm sido, então, inequívocos. Nove vitórias consecutivas que conferem a afirmação do Rangers como uma das equipas mais competitivas da Segunda Divisão de Andebol. De clube de bairro a projeto sério, o Rangers de Telheiras vive, então, o seu momento mais luminoso. Ainda alimentado pela paixão de sempre, mas agora suportado por uma organização capaz de o levar mais longe. Em Telheiras, ninguém fala de destino. Fala-se de trabalho, amizade, coragem e da visão de um presidente que nunca desistiu. E talvez seja isso que torna o Rangers num dos casos mais fascinantes da clubologia moderna.

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