
Queta como CR7 e Ricardinho - linces apuram-se no Eurobasket sem a sua estrela
Mesmo sem a sua maior estrela, Neemias Queta, expulso após duas faltas técnicas, a Seleção Nacional uniu-se e fez do coletivo a sua maior arma e venceu a Estónia (68-65). À semelhança de outros momentos icónicos do desporto português, como a lesão de Cristiano Ronaldo na final do Euro 2016 ou a de Ricardinho no Europeu de futsal em 2018, a ausência do líder transformou-se em combustível para a equipa alcançar o objetivo. Queta como CR7 e Ricardinho – linces apuram-se no Eurobasket sem a sua estrela.
A Seleção Nacional de Basquetebol carimbou, então, a passagem histórica aos oitavos-de-final do EuroBasket’2025, após bater a Estónia num duelo carregado de emoção e nervos. O ‘tudo ou nada’ ganhou contornos dramáticos quando Neemias Queta, poste dos Boston Celtics e referência maior da equipa nacional, foi expulso no 3º período da partida, por acumulação de duas faltas técnicas.

Mas o que poderia ter sido o fim do sonho revelou-se, afinal, o ponto de viragem. Portugal recusou vergar-se e ergueu-se como coletivo, ao contrário da Estónia, que se mostrou perdida e sem rumo. Tal como aconteceu com Cristiano Ronaldo na final do Euro’2016 ou com Ricardinho no Euro de Futsal’2018, quando os craques ‘caíram’ por lesão, o grupo uniu-se na adversidade. A história repetiu-se, então, em Riga, na Letónia. Com a seleção de basquetebol a mostrar que é muito mais do que uma equipa de um só jogador.

Sem o gigante português, emergiram, então, novas figuras. Miguel Queiroz, com dez pontos e nove ressaltos, mostrou uma atitude e raça digna de um atleta do FC Porto, enquanto Travante Williams impôs-se na luta física e defensiva, terminando a partida com 11 pontos, oito ressaltos e três roubos de bola.
Por fim, Rafael Lisboa. O filho de Carlos Lisboa, uma das maiores figuras do basquetebol português, esteve inspirado, assumiu o papel de líder ofensivo e acabou, então, como melhor marcador dos linces com 17 pontos. No momento de maior aperto, foi em Lisboa que Portugal encontrou calma e serenidade, com triplos atrás de triplos que mantiveram a equipa de Mário Gomes em jogo.

Na rotação, ainda saltou Daniel Relvão do banco para ocupar o lugar de Neemias Queta. O post do Benfica não desiludiu, entregando minutos preciosos de intensidade e coragem. Já Diogo Gameiro e Diogo Ventura, ao lado de Lisboa, surgiram na hora certa. Cada triplo convertido revelou-se, então, um golpe de moral que empurrou Portugal para a vitória.
O triunfo sobre a Estónia, carregado de sacrifício, união e alma, garante a Portugal um lugar entre as 16 melhores seleções da Europa. Mais do que uma vitória, é um marco para a modalidade e um sinal de que o basquetebol português está pronto para sonhar mais alto.
Há capítulos da história que estão destinados a serem escritos. O futebol português evoluiu bastante desde a célebre conquista do Europeu’2016. O futsal manteve-se uma autêntica potência mundial, desde a conquista alcançada, então, em 2018. E o basquetebol português abriu novamente as suas portas a um crescimento da modalidade. Seja Queta, Ronaldo ou Ricardinho, uma coisa é certa. A todos os que enfrentarem Portugal não se esqueçam de que as quinas não são seleções de um homem só.
Nos oitavos-de-final, Portugal deverá ter, então, pela frente, nada mais nada menos do que a atual campeã do Mundo, a Alemanha. O jogo está agendado para sábado.

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