
António Campos - o homem dos sete ofícios no Charneca da Caparica
Os roupeiros dos clubes que disputam as divisões distritais mostram, todos os dias, o enorme amor que têm pelas respetivas instituições. Em muitos casos, são trabalhos por autêntico amor à camisola e, mesmo que por vezes recebam alguma remuneração, essa nunca será justa para o trabalho de ‘carolice’ que é feito em prol da paixão e do desenvolvimento que pretendem dar ao clube. O Craques já contou aqui as histórias da Lúcia Martins, roupeira do Trafaria, mas também de Sheva, roupeiro do Atlético Clube do Cacém. E agora conta-lhe a história de António Campos, mítico roupeiro do Charneca da Caparica, que tinha o filho a treinar no clube quando foi convidado para integrar a estrutura do clube. António Campos – o homem dos sete ofícios no Charneca da Caparica.
“Nunca pensei ficar cá tantos anos”, diz Campos, que chegou a levar o filho Tiago ao pelado do Charneca, numa altura em que ainda era preciso fazer testes para se ser aceite num clube. Mais tarde, voltou com o filho ao Campo do Cassapo e foi então que recebeu um convite do presidente José Manuel dos Santos. “Integrei a estrutura do Charneca e era diretor. Tratava de vários assuntos no clube”, conta ao Craques.

Mais tarde, António Campos aprendeu com Piteira, o antigo roupeiro do Charneca, e tornou-se ele próprio no responsável de equipamentos do clube, desde a altura da pandemia. Mas os seus ofícios no clube são muito mais do que isso. Qualquer obra nova ou melhoria que seja necessária, Campos entrega-se ao trabalho e dali sai sempre uma nova imagem para o clube. “A verdade é esta: dediquei-me tanto a este clube que acabei por me divorciar”, explica, referindo-se às longas horas que passa no Campo do Cassapo, muitas delas sozinho ou com a companhia de Favinha, responsável pelo café do clube.

“Regra geral e agora com a subida dos juniores aos Nacionais, eu estou cá de 2ª a 6ª feira entre as 10h30 e as 23h30. E ao fim-de-semana, entro aqui às 7h30 e só vou para casa às 21h”, diz quem tem de lavar e preparar dezenas de equipamentos. Sejam de treino ou de jogo, para as mais variadas equipas de formação do Charneca, para além dos seniores, claro. “Estão cá cerca de 500 miúdos, já contando com juvenis e juniores”, explica.
Depois de cinco anos como roupeiro, António Campos vibrou, na época passada, com a conquista do primeiro troféu do clube. “A conquista da Taça AF Setúbal foi um bom prémio. Para todos, claro. Mas também me saiu do corpo”, confessa.

Questionado sobre até quando pensa dedicar-se aos canários da Caparica, Campos é direito. “Enquanto cá estiver o Zé Manel [presidente]. Depois? Logo se vê, ainda há coisas para fazer”, diz, quem, juntamente com outros elementos da direção, fez força para que o líder do Charneca se recandidatasse. Afinal, há ainda uma grande meta defendida por José Manuel dos Santos que precisa de ser atingida.
“Todos sabemos aquilo por que o presidente luta há muitos anos. O Charneca precisa de ter mais do que um campo para poder ter espaço para todas as equipas treinarem como deve ser. Pode ser que em breve tenhamos novidades sobre esse tema”, explica António Campos. Eleito para o biénio 2025-2027, essa passa, então, por ser a grande meta de José Manuel dos Santos. O que ajudaria o Charneca a ganhar uma força diferente no distrito, afinal, aquela que já merece ter há largos anos.


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