
Foto: CS Cascais
Alexandre Manão|Constituído em 2022 pelo Grupo Dramático e Sportivo de Cascais em parceria com a 1915 Sports Ventures, o projeto entrou numa nova fase em novembro de 2024, com a aquisição da maioria da SAD pela ve2ventures, fundo de investimento neerlandês que lançou a plataforma internacional Estrella Football Group.
Em fevereiro de 2025, o clube anunciou oficialmente a alteração da sua identidade, passando de GDS Cascais Futebol SAD para Clube Sportivo de Cascais (CSC). A mudança de nome surge integrada num processo de rebranding mais amplo, que pretende reforçar a ligação à comunidade local e preparar o clube para patamares superiores do futebol português, com a ambição declarada de atingir a Primeira Liga até 2030.
Segundo David Dwinger, CEO da ve2ventures, esta nova identidade «assinala um novo ciclo» e visa transformar o CSC num símbolo de orgulho para Cascais, com projeção nacional e internacional.
Antes mesmo da mudança de nome, o CSC já vinha a desenvolver uma estratégia de comunicação contínua e pouco habitual no contexto distrital. As transmissões regulares dos jogos no YouTube, o cuidado visual nos conteúdos, a uniformização da linguagem gráfica e a presença consistente nas redes sociais fazem parte de um plano pensado para valorizar o contexto competitivo.
Este trabalho ganhou maior visibilidade em novembro de 2025, após um jogo transmitido online ter sido destacado por um influenciador argentino, episódio que levou a uma forte exposição mediática do clube, como explicou o diretor-geral do CS Cascais em entrevista ao Craques. A estrutura do CSC respondeu ao aumento súbito de visibilidade com uma mobilização interna organizada, mantendo a linha comunicacional já existente.
A direção do clube sublinhou, desde o início, que este episódio funcionou como amplificador de um trabalho prévio e não como ponto de partida do projeto.
O processo de rebranding incluiu a apresentação de um novo escudo, o reforço da cor verde-escura como elemento central da identidade e a criação de um terceiro equipamento inspirado na chamada “Luz Verde”. A linguagem visual passou a ser aplicada de forma transversal em todos os canais do clube, do digital ao contexto competitivo.
O objetivo passa por criar uma marca reconhecível, coerente e associada a Cascais, assumindo o clube como representante natural do concelho no futebol português.
Para Gonçalo Moura, CEO do CSC, trata-se de «um projeto pensado de baixo para cima», que procura oferecer à comunidade uma ligação ao futebol profissional e criar oportunidades de desenvolvimento desportivo num contexto estruturado.
Um dos exemplos mais claros da forma como o Clube Sportivo de Cascais tem procurado ligar identidade, comunicação e território foi a colaboração com a Geladaria Santini, uma das marcas mais emblemáticas da vila.
A parceria resultou numa camisola especial, pensada como homenagem à história e à memória coletiva de Cascais, unindo duas instituições com forte ligação à cidade. Longe de uma simples ação promocional, a iniciativa assumiu um caráter simbólico, reforçando a ideia do clube como representante natural do concelho.
A escolha da Santini, fundada em 1949 e considerada património afetivo de várias gerações de cascalenses, enquadra-se na estratégia do CSC de associar a sua imagem a marcas e referências locais, fortalecendo o sentimento de pertença e a ligação à comunidade.
Esta colaboração surge alinhada com o processo de rebranding do clube, traduzindo em produto físico a narrativa que o CSC tem vindo a construir: um projeto com identidade própria, enraizado na cidade e pensado para crescer de forma sustentada.

No plano desportivo, os resultados acompanham a evolução estrutural. O Clube Sportivo de Cascais lidera atualmente a 2.ª Divisão Distrital da AF Lisboa, com uma campanha marcada pela consistência, invencibilidade e solidez defensiva.

A construção do plantel tem seguido critérios claros, aliando estabilidade a reforços pontuais. No mercado de inverno, o clube assegurou a contratação de Iggy Houben, extremo neerlandês formado no PSV e com passagem pelo Roda, e de Lucas Coopmans, defesa luxemburguês, reforçando a qualidade competitiva da equipa.
A continuidade de Daniel Simões no comando técnico, desde a época 2021/22, tem sido um dos pilares do projeto desportivo, garantindo identidade de jogo e estabilidade num contexto normalmente marcado por mudanças frequentes.

O CSC definiu metas claras para o médio e longo prazo. A curto prazo, o foco está na subida de divisão e na consolidação do projeto. A médio prazo, o clube pretende integrar-se nas competições nacionais. A visão estratégica aponta para a presença entre os dez principais clubes da Área Metropolitana de Lisboa e, num horizonte mais ambicioso, para a chegada à Primeira Liga até 2030.
Integrado na rede internacional da Estrella Football Group, que mantém parcerias com clubes da Dinamarca, Grécia e Itália, o Clube Sportivo de Cascais posiciona-se como um projeto de crescimento sustentado, onde comunicação, identidade e competitividade caminham em paralelo.
Ainda a competir nos distritais, o CSC apresenta hoje uma estrutura, uma ambição e uma organização que ultrapassam largamente esse enquadramento.

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