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Maus resultados, ativos vendidos e um clube em ebulição: André Luiz e Clayton simbolizam a crise no Rio Ave

Clayton ao serviço do Rio Ave - Foto: Facebook/Rio Ave

Maus resultados, ativos vendidos e um clube em ebulição: André Luiz e Clayton simbolizam a crise no Rio Ave

Alexandre ManãoAlexandre Manão|

O clima de contestação que se vive em Vila do Conde tem raízes profundas e começa, antes de tudo, dentro das quatro linhas. A temporada do Rio Ave FC tem sido marcada por maus resultados, falta de consistência e perda de competitividade, criando um ambiente de desconfiança que se agravou de forma clara com a venda dos dois principais ativos do plantel: André Luiz e Clayton.

Com apenas quatro vitórias em toda a época, o Rio Ave atravessa um momento delicado na Liga Portugal. A derrota pesada frente ao Arouca (0-3), em casa, foi apenas mais um capítulo de uma sequência preocupante: sete golos sofridos nos últimos dois jogos e nenhum marcado, números que ajudam a explicar a impaciência crescente nas bancadas do Estádio dos Arcos.

É neste contexto que surgem decisões que passaram a ser vistas pelos adeptos não como estratégia, mas como sintomas de uma crise mais profunda.

André Luiz: rendimento alto, saída polémica

A primeira grande faísca foi a transferência de André Luiz para o Olympiacos. O extremo brasileiro, de 23 anos, era um dos jogadores mais desequilibradores do plantel e vinha de uma primeira metade de época positiva, sendo apontado como um dos poucos elementos capazes de decidir jogos num coletivo em dificuldades.

Apesar de ter sido fortemente associado ao SL Benfica, que apresentou uma proposta de 12 milhões de euros fixos, mais 3 milhões por objetivos, André Luiz acabou por rumar à Grécia por 6,75 milhões de euros fixos, com mais 9,5 milhões dependentes de objetivos. Um valor que ficou aquém do que havia sido recusado anteriormente e que gerou forte contestação, sobretudo tendo em conta que o destino foi um clube com o mesmo proprietário da SAD rioavista, Evangelos Marinakis.

Arte de apresentação de André Luiz no Olympiacos

Clayton: a gota de água para os adeptos

Pouco depois, a situação agravou-se com a saída de Clayton. O avançado brasileiro, autor de 10 golos e 4 assistências na temporada, foi titular na derrota frente ao Arouca e, no dia seguinte, viajou para Atenas para assinar pelo Olympiacos, num negócio a rondar os 5 milhões de euros.

A venda de Clayton foi encarada por muitos adeptos como a gota de água: em plena luta por estabilidade e resultados, o Rio Ave ficou sem os dois jogadores mais decisivos do seu ataque, enfraquecendo ainda mais um plantel já curto e pressionado.

Um padrão que reforça a desconfiança

As saídas de André Luiz e Clayton ganham ainda maior peso por não serem casos isolados. Nos últimos tempos, têm sido recorrentes as trocas, empréstimos e regressos antecipados entre os três clubes detidos por Marinakis: Olympiacos, Rio Ave e Nottingham Forest.

Jogadores como Costinha, Nikos Athanasiou, Theofanis Bakoulas, Marios Vrousai, Jonathan Panzo ou Brandon Aguilera fazem parte de um carrossel que reforça a perceção de que o Rio Ave funciona como uma peça intermédia dentro de uma lógica multi-clube. Para os adeptos, o problema não é apenas a circulação de jogadores, mas o timing e o impacto direto no rendimento desportivo da equipa.

Evangelos Marinakis, através da sua empresa, detém 80% da Rio Ave Futebol Clube – Futebol SAD

Bancadas em rutura com o projeto

Legalmente, o modelo multi-clube é permitido. Desportivamente, porém, os efeitos são cada vez mais visíveis em Vila do Conde. Com maus resultados como ponto de partida, a venda dos dois maiores ativos do plantel foi interpretada como um sinal claro de fragilidade e perda de autonomia.

Entre derrotas, decisões difíceis de explicar e um padrão repetido de saídas para clubes do mesmo dono, o Rio Ave vive um momento de tensão máxima. E nas bancadas, a mensagem é clara: sem resultados e sem ativos, a paciência dos adeptos esgota-se rapidamente.

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