
Até já lhe chamam o Portugal Saint-Germain
O Paris Saint-Germain sagrou-se, pela primeira vez na história, campeão europeu de clubes e parecia estar escrito que tinha de ter portugueses no plantel. Nuno Mendes, Vitinha, João Neves e Gonçalo Ramos tiveram, todos eles, participação muito ativa na caminhada do clube francês até à conquista de Munique, tornando esta conquista, também ela, muito especial. Fundado a 12 de agosto desse ano, o clube contou, no seu primeiro plantel, com Fernando Cruz, lateral-esquerdo que jogara toda a carreira no Benfica. A marca portuguesa registada no PSG desde a origem ocorreu logo em 1970. Até já lhe chamam o Portugal Saint-Germain.
Desde então, o clube de Paris contou com mais 16 futebolistas portugueses e ainda um treinador português, Artur Jorge. Apelidado carinhosamente pelo clube como “o homem do famoso bigode” aquando da sua morte em 2024, o técnico cumpriu duas passagens pelo PSG mas ficou na história por ter guiado os parisienses ao título de campeão francês em 1993/94.
Entre os 16 jogadores que vestiram a camisola do PSG, o destaque maior é, naturalmente, Pedro Pauleta. O antigo avançado jogou 5 anos pelos parisienses (2003-08), ao serviço do qual marcou 109 golos em 212 jogos. E, em 2010, foi eleito o melhor jogador da história do PSG por parte dos adeptos, através de uma votação online.
Conheça então os jogadores portugueses que passaram pelo PSG desde 1970.
Foram três os jogadores portugueses que representaram o agora campeão europeu na década de 70 do século passado. O primeiro foi, então, o já referido Fernando Cruz, proveniente do Benfica, tendo cumprido apenas uma época antes de se retirar. Seguiram-se Humberto Coelho (1975-77) e João Alves (1979-80) que também saíram diretamente do Benfica para Paris, tendo o central cumprido 48 jogos e marcado 8 golos. Já o Luvas Pretas fez apenas 22 jogos, mas a sua magia dentro de campo ficou, para sempre, na memória dos adeptos parisienses.
Após um hiato de portugueses nos anos 80, o PSG voltou a recrutar em Portugal nos anos 90. Primeiro, foi o lateral-esquerdo Kennedy, que deixou a Luz e rumou ao Parc des Princes para cumprir a época de 1996/97. Mais tarde, em 1999, o médio Hélder Baptista deixou o Boavista e aventurou-se na Liga francesa. Jogou apenas 6 meses no meio-campo do PSG, acabando por sair no verão para Espanha.
No início do milénio, o PSG reforçou a sua aposta em jogadores portugueses. Primeiro, chegou Agostinho, que brilhara no Málaga, mas não singrou em Paris. Mas Agostinho ainda jogou na mesma equipa com Hugo Leal, médio que alinhou durante 3 épocas e deixou marca: 75 jogos e 3 golos. Seguiu-se Filipe Teixeira, numa aposta interna sem grande sucesso. Mas a maior aposta teve razão de acontecer. Após fazer 91 golos pelo Bordéus em três épocas, Pauleta (2003-08) assinou pelos parisienses e confirmou, no Parc des Princes, toda a qualidade. Fez 109 golos em 212 jogos, e ainda que só tenha ganho duas Taças de França e uma Taça da Liga. Hoje é o 5º melhor marcador do clube, atrás de Mbappé (256 golos), Cavani (200), Ibrahimovic (156) e Neymar (118). Em 2004/05, o PSG ainda recrutou o central Hélder Cristóvão ao Benfica, o qual fez só essa época.
Nesta década, a aposta do PSG decresceu um pouco a nível quantitativo. Mas se Gonçalo Guedes não teve impacto nos seis meses em que esteve em Paris, já Danilo Pereira confirmou, até pelos números, ser uma aposta convincente. A polivalência do defesa/médio contratado ao FC Porto permitiu-lhe fazer 157 jogos e marcar 10 golos, numa fase em que o PSG já era crónico campeão francês.
E 55 anos depois da fundação, permanece a marca portuguesa registada no PSG desde a origem. Em 2021 chegou Nuno Mendes, primeiro por empréstimo do Sporting, mas com cláusula de compra obrigatória, seguindo-se Renato Sanches, Vitinha, Gonçalo Ramos e João Neves. Deste quinteto, só Renato Sanches não conseguiu vingar em Paris, acabando por ser cedido ao Benfica esta época. Já o quarteto magnífico confirmou as expetativas e, ainda que Gonçalo Ramos tenha menos minutos, é o avançado talismã. Mendes, Neves e Vitinha já são peças-chave daquele que é o melhor PSG da história, orientado por Luis Enrique. Até já lhe chamam o Portugal Saint-Germain.


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