
Craques|Sara Brasil, 29 anos, que passou pelo Estoril na última temporada e foi campeã nacional pelo Braga em 2018/19, decidiu aderir depois de falar com colegas. “Perguntei se era só para jogadoras sem clube e disseram-me que era para todas. Aproveitei.” Tanto Sara Brasil como Beatriz Tristão confessam que este estágio tem superado as expectativas. “No início éramos muito poucas, agora estamos mais. A Isabel Osório é uma treinadora excelente, os treinos são intensos e a adesão está a crescer”, destaca. Sara Brasil: “Com a Isabel não se treina a meio-gás”.

Apesar de cada uma ter os seus próprios rumos definidos para a nova época, o ambiente é positivo e próximo. “Criámos laços e amizades. Até os treinos são pensados como se fosse um grupo de trabalho real. Estamos todas aqui para o mesmo”, descreve Sara Brasil. Beatriz Tristão nota uma diferença em relação aos clubes: “Aqui o foco é mais individual. Não vamos continuar juntas, então cada uma está concentrada na sua forma física e nos seus objetivos. E o estágio está a ser bom e bem divulgado. Independentemente de ter clube ou não, ajuda imenso na preparação. O Sindicato fez muito bem em criar o Estágio da Jogadora.”
O Estágio, organizado pelo Sindicato dos Jogadores, tem ajudado algumas atletas a encontrarem clube — mas não é esse o único objetivo. “Nem todas vieram sem clube. Há quem esteja aqui para manter o ritmo, porque, infelizmente, os salários ainda não permitem preparar uma off-season por conta própria”, explica a antiga capitã do Estoril, Sara Brasil. Para ambas, a inclusão é, então, essencial. “Dividir entre quem tem clube e quem não tem, ou por divisões não faz sentido neste momento. Somos poucas ainda”.

A única crítica unânime é, então, o calendário. “Devia começar mais cedo, talvez a meio de junho. Especialmente para as mais novas que estão a passar de juniores para seniores, porque terminam a época muito cedo”, defende Sara. “Ajudaria os clubes na montagem dos plantéis. Agora, nesta altura, já têm ideias muito fechadas e procuram perfis muito específicos.” Beatriz concorda, mas reconhece que depende das divisões. “Para quem vai para a Liga BPI, sim, porque vai começar agora. Para as outras ainda há tempo até começarem.”
A qualidade dos treinos é, para ambas, inquestionável. “São treinos de alto nível. Talvez nem todas as jogadoras sejam do contexto da Liga BPI, mas os treinos têm essa exigência”, diz Sara. “A treinadora só sabe trabalhar em alto rendimento. Com a Isabel não se treina a meio-gás” E deixa o desafio às colegas: “Mais jogadoras da Liga BPI deviam vir cá. Deixem-se de vergonhas e apareçam!”

Tanto Beatriz como Sara notaram um impacto positivo na sua rotina. “A minha pré-época costuma ser sempre em grupo, nunca com PT, por causa do futebol de praia. Prefiro o ambiente coletivo”, diz Beatriz, habituada ao futebol de praia durante o verão. Já Sara realça, então, a diferença fundamental desta pré-época: “Pude treinar num campo. Algo raro nesta altura. Normalmente é ginásio e corridas na praia.”
Para Beatriz, a localização é um entrave à participação mais alargada. “É só um treino por dia e em Lisboa. Há jogadoras do Norte e do Sul que não conseguem vir e que queriam treinar aqui. Acho que não há transportes e nem alojamento. Podiam haver edições regionais, ou um formato com mais treinos por dia e dormida, como um estágio real.”
A ambição de alcançar o topo está sempre presente, mas Sara acredita que o sucesso depende da mentalidade de cada uma: “Se eu quiser a Liga BPI sei que tenho de treinar com esse objetivo. Com foco e orientação certa, sim, o Estágio pode ajudar.” Entre treinos exigentes, espírito de grupo e espaço de crescimento, o Estágio da Jogadora vai se posicionando, então, como um motor importante para o futebol feminino português. Um projeto recente, mas que já se tornou impactante.

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