
Aos 47 anos, Marco Silva recebeu o Prémio de Treinador do Ano na Gala d’O Gaiense. O evento reuniu a nata dos treinadores portugueses e alguns dos mais representativos dirigentes dos clubes nacionais.
O treinador português somou passagens por Estoril, Sporting, Olympiacos, Hull City, Watford e Everton antes de chegar ao Fulham. Em conversa com o Craques.pt revelou que não imaginava atingir tão cedo esta marca de jogos numa competição como a Premier League.
“Após 2, 3 anos de carreira de treinador, já pensava em internacionalizar a carreira e poder treinar no estrangeiro. Mas quando se pensa nisso, tem de se pensar no melhor campeonato do Mundo, que era um objetivo. Agora, se eu pensava ter neste momento tantos jogos na Premier League, além dos restantes que tenho em Inglaterra (283 no total)? Não, tenho de dizer que não esperava tantos jogos. Mas estou muito satisfeito por ter atingido este número.”, explicou o técnico do atual 8º classificado da Premier League.

Os números e a classificação da equipa no campeonato são fruto de um trabalho de fundo efetuado nos últimos 4 anos em Londres.
“Tem sido muito proveitoso e estamos muito orgulhosos do que fizemos. Chegámos numa fase muito complicada do clube, porque o Fulham estava então na mó de baixo [verão de 2021] e não foi fácil reerguê-lo. Mas levantámos o clube respeitando a identidade dele e a nossa também. E sempre a valorizar jogadores e a equipa e deixando os adeptos cada vez mais orgulhosos”, explicou o técnico ao Craques.pt.

O trabalho desenvolvido por Marco Silva no clube deu frutos logo na primeira época. O Fulham foi campeão do Championship em 2021/22. E nas últimas três épocas afirmou-se como um clube estável na Premier League, alcançando lugares tranquilos na classificação: 10º em 22/23, 13º em 23/24 e ocupa, esta época, um sensacional 8º lugar a nove jornadas do fim.
Marco Silva e a sua equipa técnica inverteram uma tendência que estava enraizada nos cottagers. “No fundo acabámos com o estigma que havia no clube, do sobe e desce, esse foi o objetivo principal. A Premier League e os seus intervenientes respeitam agora o Fulham. A meta é ficar sempre na primeira metade da tabela, o que é sempre complicado. Já estamos pela 2ª vez nos ‘quartos’ da Taça de Inglaterra e queremos sempre melhorar”, afirmou o técnico ao Craques.pt.
O técnico é bastante cobiçado, até na própria Premier League. Marco Silva admite que o melhor da carreira ainda está por vir e aponta, sem dúvidas, aquele que foi o seu ano mais desafiante.
“Tenho de fazer sempre referência ao primeiro ano. Foi onde tudo começou, num momento inesperado e ainda que quisesse mais tempo para pensar, já me sentia preparado para arrancar. O primeiro ano no Estoril foi o mais desafiante por tudo o que já disse e depois os restantes tiveram as suas particularidades. Mas o ano mais especial ainda está por vir”, confessou.
Ainda na Gala d’O Gaiense, Marco Silva elogiou, primeiramente, o trabalho dos restantes treinadores portugueses na Premier League. Em seguida, comentou sobre as situações diferentes que cada um enfrenta.
“O Nuno já está há algum tempo no futebol inglês. E embora tenha chegado ao Nottingham na época passada, quando o clube estava mal, conseguiu alcançar o objetivo principal (permanência). Além disso, este ano está a fazer uma época brilhante. De facto, ele conseguiu construir uma equipa muito competitiva, como são normalmente as suas equipas“, explicou.
Por outro lado, os contextos de Vítor Pereira e Ruben Amorim são bem distintos. “O Vítor [Pereira] conseguiu ter impacto imediato. No entanto, o Ruben [Amorim] está num clube de outra dimensão. Agora, começa a ver-se alguma coisa do processo que ele quer implementar. De forma geral, todos os que lá estamos sabemos que a Premier League tem uma competitividade diferente. A liga inglesa requer uma preparação muito grande”, explicou, lembrando que “todos estão a orgulhar o futebol português.”

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