Montalegre está imparável: “Ninguém trabalha mais do que nós”
Eduardo Pedrosa Costa|
O Montalegre está imparável: 10 jogos, 10 vitórias, 34 golos marcados e zero sofridos. Ao Craques.pt, o treinador José Manuel Viage atribui ao trabalho o mérito do sucesso.
Não há mais nenhuma equipa em Portugal com o registo do Montalegre. Os Bravos do Barroso são o único conjunto que só tem vitórias e que ainda não sofreu nenhum golo. É um registo impressionante do atual líder isolado da Divisão de Honra da AF Vila Real.
10 jogos, 10 vitórias, 34 golos marcados e zero sofridos. O Craques.pt falou com o treinador José Manuel Viage, que está na 15ª época, não consecutiva, ao leme do Montalegre, depois de já ter passado 12 épocas no clube como jogador e não descartar a hipótese de concorrer à presidência.
O técnico é perentório na explicação do sucesso do clube: “ninguém trabalha mais do que nós”.
Mister, é dos melhores arranques que há memória.
As coisas estão a correr bem, tudo tem acontecido naturalmente e é fruto dos miúdos, que têm trabalhado muito e, claro, de uma pintinha de sorte aqui e ali.
É a única equipa em Portugal que ganhou todos os jogos e não sofreu golos. O que isto significa?
No início de época queríamos fazer um bom campeonato e lutar até ao fim, com a filosofia de jogo a jogo. A equipa está cada vez melhor, mas o registo não nos ganha campeonatos. Para a equipa é bom porque dá confiança, moral e acredita no processo. A equipa está mais confiante.
Mas um dia vamos sofrer golos, mas as coisas têm acontecido.
No início de época esperava este arranque?
Fizemos uma equipa para ser competitiva e lutar pelos lugares cimeiros, mas um treinador no começo de época não diz que vai ter este registo. Quando acaba o jogo só penso no próximo. Da época passada, transitaram quatro ou cinco jogadores. Fizemos um grupo novo, que não conheciam o clube nem tinham trabalhado comigo. Tivemos de os conhecer e eles tiveram de conhecer o treinador.
Há algum segredo para este arranque de época?
Essa é fácil: ninguém trabalha mais do que nós. O que se passa no balneário mostra o que se passa para fora. Já tive equipas com bons jogadores mas o balneário não era bom. Tenho uma equipa que está na distrital mas trabalha como profissional.
Podemos não ser os melhores – e acredito que não sejamos – mas ninguém trabalha mais. Eles nem sequer ganham para trabalharem desta forma, treinamos às 9 da manhã todos os dias. Conseguimos colocar aos jogadores a mentalidade de que, com trabalho, podíamos chegar longe.
Treinar às 9 da manhã não é muito comum para um clube da distrital…
Pois, mas temos tido um problema com a eletricidade e então treinamos a essa hora, eu também prefiro. No entanto, tirou-nos a possibilidade de ir buscar outros jogadores porque, como trabalham, não podiam treinar de manhã.
No Montalegre, maior parte apenas joga futebol, não tem outro trabalho.
O que este balneário tem que outros que treinou não tinha?
Este balneário é jovem e ainda não ganhou nada. É humilde. O sucesso, às vezes, começa nos suplentes, em eles aceitarem esse estatuto, uma vez que se a época está a correr bem não há azia. Tenho um grupo todo a lutar pelo objetivo. Podemos não ter os melhores jogadores e eles não terem o melhor treinador, mas temos um grupo sólido.
É possível acabar a época sem derrotas?
Não sei o que vai acontecer amanhã ou daqui a um mês. No domingo temos um jogo contra o segundo classificado [SC Régua] e isto tem de ser jogo a jogo. Pode haver lesões, jogos menos bem conseguidos e não sei como isso pode afetar a equipa, tenho muitos jovens a jogarem pela primeira vez para ganhar.
12 épocas como jogador e 15 como treinador. Já se confunde Montalegre com José Manuel Viage?
É factual. Esta época tinha um acordo muito perto para não ser treinador do Montalegre e só não fui porque o coração me chamou. Achei que era importante voltar por aquilo que o clube estava a passar. A descida da Liga 3 [em 2023], para o Campeonato de Portugal e depois para as distritais foi uma desilusão total.
Senti que o clube estava a cair em descrença e eu, com a minha experiência, achei que era o momento de regressar.
O rumo natural das coisas pode ser a presidência do Montalegre?
É possível a presidência, sim. Não no imediato, mas não está descartado.
Com este arranque a expectativa dos adeptos é a subida. É para isso que lutam?
Trabalhamos para a subida ao Campeonato de Portugal. Ainda não ganhámos nada e os jogadores sabem disso, será uma caminhada longa. Agora, trabalhando acreditamos que é possível. Os adeptos estão confiantes e nós também, mas sabemos que no futebol tudo muda muito rápido.
Vitória e derrota caminham lado a lado, não posso iludir os jogadores nem deixo que eles pensem nisso.