
Alexandre Manão|No Craques acreditamos que o futebol não se faz apenas dentro das quatro linhas. Treinadores, jogadores, roupeiros, motoristas, fotógrafos e videomakers são parte essencial do jogo. Nesta conversa longa e sem filtros, Tiago Archer fala sobre o seu percurso, as pessoas que o marcaram, o estado do Campeonato de Portugal e da Liga 3, e o impacto do trabalho de comunicação no crescimento dos clubes, com especial destaque para o momento vivido no Vilaverdense.
Craques.pt (Alexandre Manão): Tiago, antes de mais, obrigado pela tua disponibilidade. Para quem ainda não te conhece, quem és tu dentro do futebol?
Tiago Archer: Antes de mais, boa tarde Alex e aos Craques também, e parabéns pelo grande trabalho que fazem. O meu nome é Tiago Archer, mas no mundo do futebol sou mais conhecido como Archer Videomaker. Não fui jogador nem treinador profissional, mas sempre vivi o futebol muito por dentro e hoje faço parte dele através da comunicação, da imagem e da criação de conteúdos.
Craques.pt: Como é que nasce esta ligação ao futebol, ainda antes das câmaras?
Tiago Archer: Terminei o secundário em multimédia e fui tirar treino desportivo de jovens. Isso coincidiu com a pandemia. Estávamos muito tempo em casa e, na altura, eu estava a fazer estágio no Pedras Rubras. Sempre gostei da parte criativa e comecei, por hobby, a fazer cartazes e designs para jogadores.
Craques.pt: Quando é que esse hobby começa a transformar-se em algo mais sério?
Tiago Archer: O ponto de viragem surge quando o responsável por um stand onde eu fazia trabalhos gráficos, amigo do vice-presidente do Leça, lhe fala de mim. A partir daí comecei a trabalhar no Leça, inicialmente focado nas redes sociais, cartazes e design, evoluindo mais tarde para a fotografia e o vídeo.
Craques.pt: Houve pessoas que foram decisivas nesse arranque?
Tiago Archer: Sem dúvida. No Leça comecei a trabalhar com o Luís Borges (Borges Gramer), que é uma referência enorme na fotografia, e com o Pedro Barros. Costumo dizer muitas vezes que o Pedro foi quem me lançou verdadeiramente no mundo do futebol. Comecei até com uma câmara emprestada por um sócio do clube, o Jorginho (Jorge Macedo). Ele e o Pedro foram, sem dúvida, os meus dois padrinhos no futebol.
Também tive a oportunidade de trabalhar com o Serifo, que é uma das grandes lendas do Leça. Trabalhar com pessoas assim marcou-me muito.

Craques.pt: Esse primeiro ano foi especial também dentro de campo.
Tiago Archer: Foi. No meu primeiro ano no Leça fomos aos quartos de final e ficámos muito perto de subir de divisão. Curiosamente, a minha primeira entrevista foi com o Luís Pinto, que hoje é vencedor da Taça da Liga pelo Vitória SC. Começar assim dá-te logo outra confiança.

Craques.pt: O teu percurso teve várias etapas e regressos.
Tiago Archer: Na época seguinte comecei no União Nogueirense, na Maia. Mais tarde, por volta de novembro, surgiu a oportunidade de regressar ao Leça porque o João Rocha gostava muito do meu trabalho. Fizemos uma época muito forte a nível de comunicação, com bastante independência. Até hoje chamo o João Rocha de mestre, porque me ensinou muito.
No ano seguinte sou convidado para o Lusitânia de Lourosa, já na Liga 3, onde vivi dois anos incríveis e fomos campeões.
Craques.pt: O Lourosa marcou-te muito.
Tiago Archer: Foram dois anos incríveis. Um estádio sempre cheio, uma marcha adepta fantástica e muitas amizades criadas. Fomos campeões da Liga 3, mas acima de tudo fiquei com pessoas. O Nuninho, por exemplo, vinha sempre dar-me um abraço quando ganhávamos.

Craques.pt: Qual o momento que foste mais feliz?
Tiago Archer: O meu primeiro ano no Leça. Pelas vivências, pelas viagens, por tudo. Ia para todo o lado no carro do Pedro Barros, quase como se fosse filho dele. Havia jogos em Castro Daire em que saíamos de casa às duas e tal da manhã, chegávamos em cima da hora e cada deslocação tinha uma história.
Foi também nesse ano que cheguei à Madeira para fazer o meu primeiro jogo nas ilhas pelo Leça. O Pedro Barros deu-me a minha primeira camisola do clube, algo que guardo com muito carinho. As primeiras vezes nunca se esquecem.
Craques.pt: Depois surge o Salgueiros e, mais tarde, o Vilaverdense.
Tiago Archer: O Salgueiros surge muito pela ligação ao Diogo Rosado. Em janeiro aparece o Vilaverdense, um clube com história e um passado recente nos campeonatos profissionais. Fui muito bem recebido, gostei da cidade, das pessoas e da cultura.
Craques.pt: Também criaste ligações muito fortes ao Marco e ao Trofense.
Tiago Archer: Sim, muito por causa das amizades. O Nuninho e o Diogo Rosado estiveram comigo em fases importantes e falaram bem de mim nesses clubes. No Marco e no Trofense criei laços muito fortes. Quando não tenho jogos dos clubes onde trabalho, acabo muitas vezes por ir lá.
Até as próprias claques têm um respeito enorme pelo meu trabalho, porque percebem que faço parte do dia de jogo e do grupo. Isso para mim vale muito.
Craques.pt: A frase “videomaker que é videomaker” tornou-se a tua imagem de marca. Como surgiu isso?
Tiago Archer: Nasceu no TikTok de forma natural. Vou aos jogos, faço vídeos, entro sempre com boa disposição. As pessoas identificam-se com isso. O TikTok abriu-me muitas portas, desde novos contactos a novos trabalhos. Uma mão lava a outra.
Craques.pt: Mesmo estando atrás das câmaras, há momentos de nervosismo?
Tiago Archer: Claro que sim. O João Costa, o Diogo Viana, o Pedro Soares, o Diogo Valente… jogadores com grande percurso dão sempre aquele nervosismo inicial. E quando estive em contextos com o Sporting, a falar com o Rúben Amorim ou o Nuno Santos, isso sente-se. Mas passa rápido. Uma pessoa adapta-se.
Craques.pt: Porque acreditas tanto na valorização da Liga 3 e do Campeonato de Portugal?
Tiago Archer: Porque há muita qualidade e muito talento que merece ser visto. Ainda há muito trabalho por fazer, mais transmissões, jogos em horários diferentes e mais espaço mediático. O Canal 11 podia ter mais abertura para estas divisões.
Craques.pt: Os jogos não deviam ser todos à mesma hora?
Este fim de semana, em que há decisões na Liga 3, jornadas importantes no Campeonato de Portugal e até um clássico decisivo na AF Aveiro – um Espinho vs. Ovarense – é tudo à mesma hora. Os fotógrafos e videógrafos têm de escolher onde estar. Isso mostra bem a riqueza que existe fora do futebol profissional.
Craques.pt: E os clubes, o que podem fazer para chamar mais gente aos estádios?
Tiago Archer: Marketing. Muitas vezes prefere-se gastar tudo no plantel e esquece-se o resto. Música no estádio, entradas acessíveis ou até livres, bar, merchandising, giveaways. Tudo isso faz diferença. O futebol também é espetáculo fora das quatro linhas.
Craques.pt: Houve algum momento caricato que nunca vais esquecer?
Tiago Archer: Houve um no Lourosa que nunca vou esquecer. Era o meu aniversário e, num jogo na Trofa, o líder da claque pegou no megafone e pôs a bancada inteira a cantar-me os parabéns. Tinhas centenas de adeptos a cantar. Foi um momento surreal.
Outro foi quando fomos campeões da Liga 3 e andámos em cima do camião com os jogadores. São memórias que ficam para a vida.
Craques.pt: Sempre foste apaixonado por futebol, mesmo antes de trabalhares nesta área?
Tiago Archer: Sempre. O meu primeiro jogo no estádio foi um FC Porto – Académica, onde jogava o Diogo Valente. Outro jogo marcante foi um FC Porto – Vitória de Setúbal, daquela equipa mítica com o Diogo Rosado, o Bruninho, o João Mário e o Pawel Kieszek.
Mais tarde acabei por me cruzar com alguns desses jogadores no futebol. A ironia do destino no futebol é incrível.
Craques.pt: Olhando para a fase decisiva da Liga 3, o que antevês?
Tiago Archer: Gostava muito que o Trofense subisse. Tenho lá muitos amigos como o Nuninho, o Gonçalo e a Barbara, que é a diretora de comunicação e já me ajudou muito. Acredito que Trofense e Fafe têm potencial para subir. Na manutenção, gostava que o Marco se mantivesse.

Craques.pt: Olhando agora para o Campeonato de Portugal, o que estás a prever?
Tiago Archer: É um campeonato extremamente imprevisível. Basta ganhar dois ou três jogos seguidos e tudo muda. Na Série B gostava muito que o Leça subisse, não só por ter sido o meu primeiro clube, mas também pelo projeto e pelas pessoas.
Fico também muito contente com o Rebordosa, porque isso vai trazer rivalidades fortes e jogos com outro ambiente à Liga 3. Paredes, Penafiel, os dérbis do Vale do Sousa. Esses jogos fazem falta ao campeonato.
Quanto aos Salgueiros, o objetivo é claro: garantir a manutenção. Tenho lá pessoas com quem me dou muito bem, como o João Tentúgal, com quem até tenho histórias engraçadas. São clubes e pessoas que fazem parte do meu percurso.
Nas séries do Sul não acompanho tanto, mas vejo campeonatos muito competitivos, com projetos interessantes. Gostava que subisse o Louletano e que o Marialvas garantisse a manutenção.
Craques.pt: Há algum jogador de CP ou Liga 3 que acredites que pode dar o salto?
Tiago Archer: O Gonçalo Cunha, central do Trofense. Forte fisicamente, inteligente e muito bom nas bolas paradas. Tem tudo para chegar aos campeonatos profissionais.
Craques.pt: Qual é o patamar onde gostavas de chegar?
Tiago Archer: Confesso que gostava muito de chegar aos campeonatos profissionais. Primeira ou Segunda Liga para mim já seria fantástico. Ou até, quem sabe, um campeonato estrangeiro. Mas é preciso ter calma, não pôr a carroça à frente dos bois e nunca esquecer de onde viemos.
De momento estou muito feliz no Vilaverdense. O foco está totalmente aqui. Se para o ano surgir uma oportunidade numa Primeira ou Segunda Liga, logo se verá. O importante é fazer bem as coisas no presente.

Craques.pt: Há algum clube especial onde gostasses de trabalhar no futuro?
Tiago Archer:
Gostava muito de um Gil Vicente, de um Estrela da Amadora, Tondela ou do Braga. Sem falar dos grandes, porque às vezes sinto que dá mais prazer trabalhar em clubes onde existe uma ligação mais próxima, mais familiar.
Craques.pt: No Vilaverdense, o que já mudou com o trabalho de comunicação?
Tiago Archer: Em menos de um mês ultrapassámos um milhão de visitas às páginas do clube. Crescemos em seguidores, criámos um canal de WhatsApp, promovemos viagens e ligámos a cidade ao clube. Tivemos a melhor casa da época no último jogo
Craques.pt: E a nível desportivo?
Tiago Archer: É jogo a jogo. O objetivo é a manutenção e eu acredito. O Campeonato de Portugal é imprevisível, mas temos um grupo forte, boa estrutura e boas pessoas.
Craques.pt: Para terminar, que mensagem deixas a quem trabalha no futebol fora dos holofotes?
Tiago Archer: Tudo o que se faz no futebol tem de ser feito com coração e com cabeça. Estar no futebol só pelo ordenado não faz sentido. O futebol sente-se. Desde roupeiros a motoristas, desde videomakers a staff, todos contam. Como dizia o Rúben Amorim, onde vai um, vão todos.

Entre histórias improváveis, relações humanas e muito trabalho invisível, Tiago Archer é a prova de que o futebol também se ganha fora das quatro linhas. No Campeonato de Portugal, na Liga 3 ou em qualquer estádio do país, há quem conte o jogo antes, durante e depois do apito final. E isso também é futebol.

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