
Tubarões Azuis ficam mais perto do Oceano
O minuto 54 do jogo entre Cabo Verde e Camarões vai ficar, para sempre, na memória dos adeptos caboverdianos. O avançado Dailon Livramento roubou uma bola ainda no seu meio-campo e ‘disparou’, que nem uma flecha, pelo campo fora, sem que os defesas camaroneses conseguissem travá-lo, até ao remate vitorioso, desfeiteando Onana. Emprestado pelo Hellas Verona ao Casa Pia, o avançado caboverdiano fez o golo da vitória dos Tubarões Azuis sobre os Leões Indomáveis, provocando a loucura entre os locais. E deixou, então, a equipa de Pedro Bubista a uma vitória de uma inédita presença no Mundial. Tubarões Azuis ficam mais perto do Oceano.

Se olharmos para o Mundial de Futebol como um Oceano, onde as maiores seleções marcam presença de quatro em quatro anos, os Tubarões já há muito lutam para lá chegar. Mas o trabalho desenvolvido nos últimos anos pela Federação Caboverdiana de Futebol (FCF) tem trazido frutos positivos. Desde logo a participação positiva no CAN’2023, em que a equipa passou, então, a fase de grupos e chegou à fase a eliminar da competição. E acabou eliminada nos quartos-de-final, diante da África do Sul, nos penáltis (2-1).
Este percurso feito no CAN’2023 permitiu aos Tubarões Azuis subir alguns lugares no ranking da FIFA, ocupando, então, a 65ª posição atualmente. A sua melhor posição de sempre.
O trabalho do selecionador Pedro Brito, conhecido como Bubista, está à vista de todos. Depois de ter sido adjunto da seleção entre 2007 e 2013, Bubista assumiu o comando dos Tubarões Azuis em 2020 e tem fortalecido a equipa. Não só convencendo nomes fortes a juntarem-se à equipa, como também ao promover jogadores que atuam no campeonato caboverdiano.

Entre os nomes que Bubista convenceu a representar a seleção, encontram-se os de Jovane Cabral (Estrela da Amadora) ou Bebé (Ibiza) mas também o jovem Josimar Dias ou Telmo Arcanjo (V. Guimarães). Com a chegada destes nomes, a equipa tornou-se mais forte. E Cabo Verde passou a poder discutir jogos com as seleções mais poderosas de África – como é, por exemplo, a seleção dos Camarões – e superiorizar-se muitas vezes.
“Nós somos pequeninos, mas podemos enfrentar qualquer um. E acho que temos feito isto em África. Enfrentar qualquer equipa que tem muito mais condições do que nós. Este grupo de jogadores está de parabéns não só por aquilo que fizeram hoje [ontem], mas por aquilo que têm feito durante os últimos anos”, considerou Pedro Bubista, visto como um herói em Cabo Verde.
Se se qualificar para o Mundial’2026, Cabo Verde será o segundo país mais pequeno em população (525 mil habitantes) a marcar presença numa fase final desta competição. Só é batido pela Islândia (407 mil), que disputou, então, a fase final do Mundial’2018.
Com dois jogos por realizar no Grupo D da Qualificação Africana para o Mundial’2026, Cabo Verde precisa apenas de uma vitória para festejar. No dia 8 de outubro, os comandados de Bubista deslocam-se à Líbia. E, caso não consigam vencer aí, têm a receção ao Essuatini, a 11 de outubro, para poderem fazer a festa em casa.
“Podemos dizer que tudo está nas nossas mãos, mas faltam ainda dois jogos. Mais do que a vitória, destaco o espírito de união da nossa equipa. E a demonstração de carinho que o nosso povo deu aqui”, disse Pedro Bubista, no final do triunfo sobre os Camarões.

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