
Marat Izmailov - o talento russo que prometia mas foi marcado pela invisibilidade
Craques|Marat Izmailov chegou a Portugal com rótulo de predestinado, por ter sido o melhor jogador jovem russo, aos 19 anos. No Sporting, o seu drible fluído, toque refinado e mudanças de direção deixavam os adeptos ávidos de um craque que parecia ser de outro patamar. Mas, entre lesões recorrentes, clima de instabilidade interna e um certo mistério, aquela que era uma promessa fascinante veio a tornar-se uma enorme frustração. Em dia de clássico entre Sporting e FC Porto, nada melhor do que uma promessa que passou pelos dois clubes. Marat Izmailov – o talento russo que prometia mas foi marcado pela invisibilidade.
O extremo proveniente do Lokomotiv de Moscovo, que jogou no Mundial de 2002 e nos Europeus de 2004 e 2012 pela seleção russa, chegou ao Sporting como uma joia do futebol russo. Na altura, já com 25 anos, ‘aterrou’ e foi logo uma das mais-valias da equipa – cumprindo 47 jogos na temporada de estreia. Mas, castigado por várias lesões, Marat Izmailov deixou de jogar com tanta regularidade, cumprindo, ainda assim, cinco épocas e meia de verde e branco.

A meio de 2012/13, com apenas nove jogos nessa época, Izmailov despediu-se do Sporting frente ao Benfica, tendo feito pouco mais de três minutos. Para surpresa de muitos, o russo transferiu-se para o FC Porto com expectativas elevadas — afinal, quem muda de leão para dragão carrega consigo sonhos de redenção. A estreia do russo de azul e branco foi em Lisboa, frente ao… Benfica, um mês depois da última partida realizada. No entanto, o que se viu em campo foi pouco: desconexão, falta de ritmo e uma presença tímida que nunca correspondeu às capacidades técnicas que o tornaram “eterna promessa”.
Em 2015, já sem clube, Izmailov foi notícia por uma razão extra- futebol. O russo decidiu interromper a carreira para apoiar o filho, alvo de um problema de saúde. Este foi, então, submetido a uma operação complexa que exigia a presença constante do pai. Um gesto que revela um lado humano que transcende taças, golos e estatísticas — mas que também interrompeu, talvez definitivamente, uma trajetória que se antevia ser de sucesso.

Ainda antes, em 2010, Izmailov já tinha mostrado como o lado familiar influenciava o seu percurso. O médio faltou, então, a um treino do Sporting porque a mulher estava hospitalizada e ficou em casa com a filha. Um episódio que ilustrou a dificuldade em conjugar a carreira com compromissos pessoais num mundo onde raramente há espaço para assumir a fragilidade neste tipo de situações.
Hoje, num dia em que leões e dragões se enfrentam, faz sentido, então, lembrar uma eterna promessa que jogou nos dois lados. Um artista de talento e força rara que passou por dois dos maiores clubes portugueses, mas que nunca explodiu como se esperava. Fosse pela instabilidade física, pelas circunstâncias ou pelas exigências da vida fora de campo. Talvez o maior jogo que disputou tenha sido, então, longe dos relvados. No sacrifício de estar onde mais precisava — junto de quem mais amava.

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