
Trincão - Foto: Instagram/Francisco Trincão
João Esteves|Se tudo correr como previsto, esta sexta-feira, frente ao Casa Pia, em Alvalade, Francisco Trincão atinge a marca simbólica dos 150 jogos na Liga portuguesa. Um número redondo, sim, mas sobretudo um número revelador. Porque fala de tempo, de crescimento, de resiliência — e de impacto real num campeonato que o viu nascer, sair, regressar e afirmar-se. Francisco Trincão chega aos 150 jogos na Liga: a maturidade como destino.
O percurso começou longe dos holofotes atuais. 2 de janeiro de 2019. Vitória do SC Braga por 2-0 frente ao Marítimo. Trincão entra apenas nos últimos quatro minutos, quase como um apontamento de rodapé. Mas aquele foi o primeiro passo no escalão maior. O primeiro sinal de uma história que ainda estava longe de se escrever por completo.
Pelos arsenalistas, Francisco Trincão somou 36 jogos na Liga principal, com 8 golos e 6 assistências. Números sólidos para quem ainda estava a aprender a viver entre adultos, a decidir mais rápido, a errar menos. Foi no SC Braga que se percebeu que o talento não era circunstancial — era estrutural. Que havia ali mais do que drible e irreverência: havia entendimento do jogo.
O verdadeiro salto, porém, deu-se a partir de 2022/2023, com a camisola do Sporting. Desde então, são já 113 jogos no campeonato, com 32 golos e 28 assistências. Produção regular, influência constante, presença decisiva. Trincão deixou, então, de ser apenas um jogador capaz de decidir para passar a ser um jogador de quem se espera decisão.

Em seis épocas na Liga portuguesa, soma 149 jogos realizados, com um registo coletivo notável:
105 vitórias, 24 empates e apenas 20 derrotas.
Em termos individuais: 40 golos, 34 assistências, num total de 74 participações diretas em golos.
Há ainda um dado curioso — e revelador da sua inteligência competitiva: apenas cinco cartões amarelos em todo este percurso no principal escalão. Trincão joga com intensidade, mas raramente fora do tempo. Lê o jogo. Antecipação também é maturidade.
No Sporting, foi, então, duas vezes campeão nacional, venceu uma Taça de Portugal e uma Taça da Liga. Pelo Barcelona, soma uma Taça do Rei. Pela Seleção Nacional, conquistou a Liga das Nações e um Europeu de sub-19, títulos que ajudam a contextualizar uma carreira que nunca foi apenas doméstica.
No total da carreira sénior, incluindo a Seleção A, Trincão contabiliza 362 jogos e 66 golos. Apenas por clubes — já com Barcelona e Wolverhampton incluídos — são 347 jogos e 64 golos. Experiência internacional, exigência máxima, regressos com sentido.

Os 150 jogos na Liga portuguesa não são um ponto final. São, isso sim, um ponto de chegada a uma versão mais completa de Francisco Trincão. O jogador que hoje entra em campo sabe quando acelerar, quando pausar, quando assumir e quando servir. O talento continua lá — mas agora é, então, acompanhado por critério, leitura e consistência.
Esta sexta-feira, em Alvalade, o número será redondo. O percurso, esse, é tudo menos simples. É feito de curvas, de partidas e regressos, de dúvidas superadas. E é precisamente por isso que este marco vale mais do que estatística.
Porque alguns jogadores contam-se em jogos.
Outros — como Trincão — contam-se em capítulos de crescimento.

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